Petróleo: WTI para junho recua 43%, cotado a US$ 10,61

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Petróleo: excesso de oferta e baixa demanda aprofundam crise, avaliam Stanley e Sachs

Contrato do West Texas Intermediate para entrega em junho, o WTI fechou em 43,37% na tarde desta terça-feira (21), cotado a 10,61 dólares, enquanto o tipo Brent despencava 24,40%, a 19,33 dólares o barril.

Nesta sessão, a cotação do WTI chegou a desabar mais de 50%, a pouco mais de US$ 10.

Parece pouca a queda de hoje, mas já é um alento para o mercado de petróleo que na véspera foi negociado a preços negativos pela primeira vez na história.

Dessa forma, o contrato do WTI para maio protagonizou a inusitada queda de 305,9%.

Em meio à perda de demanda sem precedentes da pandemia de coronavírus, o armazenamento está se enchendo rapidamente.

Significa dizer que em breve não haverá lugar para armazenar petróleo. Isso afeta diretamente preço, logística e lucro.

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Fonte: Reprodução site CNBC

Contratos futuros

Os contratos futuros de petróleo intermediário no oeste do Texas para entrega em maio reduziram as perdas ao comércio em território positivo na terça-feira, um dia após a queda abaixo de zero pela primeira vez na história.

O contrato expira hoje, o que significa que o volume negociado reduzido contribuiu para a ação dos preços selvagens.

A venda massiva, que domina o mercado de petróleo, está se espalhando para mais contratos futuros, preocupando os investidores com o profundo dano econômico causado pelas paralisações por coronavírus.

Para se ter ideia, o contrato para entrega em junho, que é o mais negociado e, portanto, melhor indicação de como Wall Street vê o preço do commoditie, caiu 50% para 10,12 dólares por barril.

No início, caiu mais de 60% para negociar abaixo de 7 dólares por barril. O contrato para entrega em julho caiu aproximadamente 27%, para 19,04 dólares por barril.

Já o contrato de maio ficou em 10,21 dólares por barril depois de negociar anteriormente em território negativo, o que significa que os vendedores pagariam efetivamente aos compradores para tirar o óleo de suas mãos.

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Petróleo Brent

Enquanto isso, em outro sinal de baixa, o petróleo Brent de referência internacional foi  negociado 28% mais baixo, a 18,29 dólares por barril.

No início da sessão, o Brent caiu para 18,10 dólares, seu nível mais baixo desde dezembro de 2001, antes de reduzir algumas dessas perdas.

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Bancos dos EUA

Os bancos norte-americanos Morgan Stanley e Goldman Sachs avaliam a crise do petróleo como sendo excesso de oferta e baixa demanda.

O commoditie foi negociado abaixo de zero pela primeira vez na história ontem (20), fazendo cair as Bolsas mundiais e deixando o mercado em polvorosa.

Isso porque o setor foi impactado pelos efeitos do coronavírus que, como medida de contenção, colocaram boa parte dos países em lockdown.

Significa dizer que com empresas paradas, trabalhadores em casa e economia estagnada, ainda que temporariamente, ninguém precisa de gasolina e outros derivados do petróleo.

A volatilidade do setor também foi causada pela guerra comercial entre Arábia Saudita e Rússia, por conta de uma desavença acerca do preço do barril.

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Fundamentos da oferta

De acordo com o Morgan Stanley, uma venda tão acentuada não pode ser explicada pelos fundamentos da oferta global e demanda sozinho.

“O mercado tem um grande número de participantes financeiros que não podem receber entrega física, então esses participantes precisarão vender seus contratos a prazo antes do vencimento para interessados em estão em posição de receber esses barris”, explicou.

E segue: “o mercado de petróleo está com excesso de oferta, então, os estoques estão aumentando, atualmente a uma taxa de sete milhões de barris por semana.”

Conforme o banco, a maior quantidade de óleo bruto armazenada é de 69 milhões de barris, o que ocorreu em abril de 2017.

Com alguma expansão de capacidade desde então, o banco estima capacidade útil total atual de 79 milhões de barris.

Ou seja, possivelmente a capacidade se esgotará em até quatro semanas.

Depois disso, segundo a instituição, não haverá mais capacidade de armazenamento disponível.

Veja cotação de PETR4 versus Ibovespa

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Fonte: TradingView

Ansiosos

Para o Morgan Stanley, os agentes que ainda possuíam contratos em maio provavelmente estavam ansiosos para descarregá-los.

“Entretanto, a oferta sem o mercado secou, ​​permitindo que os preços caíssem para esse valor profundamente negativo”, informou.

Para resumir, conforme o banco, o que a ação de preço está dizendo é que existem muito poucos mercados participantes.

Colapso dramático

De acordo com o Goldman Sachs, um colapso tão dramático nos preços de um dia – como esse – se deve inteiramente às restrições vinculativas da negociação de futuros de commodities até o vencimento.

“Preços negativos do petróleo significam que produtores estão efetivamente dispostos a pagar alguém para mover o seu bruto, e isso já está acontecendo no Texas e no Canadá, hoje”, disse.

Ou seja, os titulares dos contratos de maio estavam dispostos a pagar alguém para tirá-los de suas posições longas antes do vencimento, para evitar receber petróleo bruto fisicamente no próximo mês, quando o armazenamento terá acabado.

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“Em breve, a produção precisará diminuir consideravelmente para equilibrar o mercado, preparando o cenário para preços mais altos, uma vez que a demanda se recupere gradualmente, uma inflexão ocorrerá em questão de semanas, não meses, com a probabilidade do mercado forçado a equilibrar antes de junho.”

Segundo a instituição, à medida que o armazenamento fica saturado, a volatilidade dos preços permanecerá excepcionalmente alta nas próximas semanas.

Porém, com uma quantidade finita de armazenamento restante para encher, a produção em breve precisará cair consideravelmente para equilibrar o mercado, e, finalmente, o cenário para preços mais altos, uma vez que a demanda se recupere gradualmente.