Trump pode aproveitar queda do petróleo para completar reserva

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução nypost

O presidente Donald Trump anunciou, na noite de segunda-feira (20), que pode comprar 75 milhões de barris de petróleo para “completar a reserva estratégica nacional” dos Estados Unidos.

Trump diz que pensa em aproveitar a baixa histórica nos preços dos contratos negociados, que tiveram redução de mais de 300% e operaram no negativo pela primeira vez, para reforçar a reserva norte-americana.

Na segunda, o contrato para maio do WTI fechou em queda de 305%, cotado a US$ 37,53 o barril.

O colapso nos preços do petróleo, a princípio, não incomodou o presidente Donald Trump, que classificou a até então inédita situação como “algo de curta duração, decorrente de um aperto financeiro”.

“O problema é que ninguém está dirigindo um carro em qualquer lugar do mundo, essencialmente. Fábricas estão fechadas, empresas estão fechadas. Tínhamos muita energia para começar, em particular o petróleo e, de repente, eles perderam 40%, 50% do seu mercado”, comentou.

Importações paradas

Antes do início de sua tradicional entrevista coletiva, Trump admitiu que, após comprar 75 milhões de barris para completar a reserva estratégica norte-americana, o país poderá interromper, momentaneamente, as importações de petróleo da Arábia Saudita.

“Vou dar uma olhada. Certamente teremos bastante petróleo, então, vou dar uma olhada”, sintetizou, segundo a Reuters, aos repórteres que esperavam pelo início da entrevista.

Rússia suspeita de cartel

O governo russo não considerou “normal” ou “passageiro” o colapso nos preços do petróleo na segunda-feira.

Informações da AFP revelaram que o primeiro-ministro e ex-presidente russo Dimitri Medvedev suspeita de algum tipo de acordo “tipo cartel” tenha motivado a derrubada dos preços.

“O que vemos em relação aos contratos futuros de petróleo lembra muito um acordo do tipo cartel”, postou Medvedev, em sua página no Facebook.

“Considerando a nossa experiência no setor de gás, sugerimos a venda de petróleo com base em ‘take or pay’. Estamos prontos para discutir essa opção com nossos parceiros”, complementou.

O modelo take or pay estabelece que o comprador concorda em adquirir uma quantidade mínima de óleo, independentemente de suas necessidades para um determinado período, recebendo em troca esse volume mínimo na data acordada, sem risco de ter de arcar com mudanças de preços que ocorram no período.

Explicação para a queda

A explicação para a queda, no entanto, nada tem a ver com as suspeitas do primeiro-ministro da Rússia.

Segundo a CNBC, os contratos futuros estão vinculados a uma data de entrega específica.

No final da data de vencimento de um contrato, o preço normalmente converge com o preço físico do petróleo, já que os compradores finais desses contratos são entidades como refinarias ou companhias aéreas que receberão a entrega física real do petróleo.

Contratos futuros, em última análise, são contratos para entrega física da mercadoria ou segurança subjacente.

Enquanto algumas pessoas no mercado especulam sobre os contratos, outras estão comprando e vendendo porque usam a própria mercadoria.

“Perto do vencimento do contrato, os traders começaram a comprar o contrato futuro do próximo mês. Aqueles que permanecem na posição até o dia final normalmente estão comprando a mercadoria física, como um refinador”, destacou a CNBC.

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