Petróleo, minério, soja e café impulsionaram exportações em 2020

Karin Barros
Jornalista com atuação nos dois principais jornais impressos da Grande Florianópolis por quase 10 anos. Costumo dizer que sou viciada em informação, por isso me encantei com a economia, que une tudo de alguma forma sempre. Atualmente também vivo intensamente o mundo da assessoria de imprensa e do PR.
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Crédito: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Nesta segunda-feira (4) o Ministério da Economia divulgou dados de 2020 sobre os recordes brasileiros de suas principais commodities.

Mesmo com os impactos da pandemia de Covid-19 em 2020, o Brasil registrou recordes de volumes embarcados com destaque para o petróleo, açúcar e carnes, que tiveram apoio de compras da China, além do café, que também teve uma máxima histórica.

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O superávit cresceu pela primeira vez depois de dois anos seguidos de queda.

Em 2017, o indicador bateu recorde, atingindo US$ 66,989 bilhões. Depois disso, o superávit caiu para US$ 58,033 bilhões em 2018 e US$ 48,035 bilhões em 2019.

Soja é o principal produto de exportação

De acordo com a Reuters, a soja, principal produto de exportação do Brasil em questão de valores, apesar de não ter superado o recorde em volume de 2018, teve um crescimento nos embarques de 13% ante 2019, para 83 milhões de toneladas, contando com a firme demanda chinesa, conforme os dados do governo.

Já o minério de ferro, que juntamente a soja e petróleo formam a trinca de produtos que lideram a pauta de exportação do país, registrou redução de 2% no total embarcado, após a produção da mineradora Vale ter ficado aquém do esperado no ano passado.

Diante das consequência do desastre de Brumadinho (MG) no ano de 2019, os embarques já tinham caído para cerca de 335 milhões de toneladas.

Alta no minério de ferro

Em receita, contudo, houve uma alta de 14,3% nas exportações de minério de ferro, com o preço médio subindo 16,7% na comparação anual, também por efeito da menor produção da mineradora brasileira, assim como pela forte demanda chinesa.

A Reuters explica que as exportações brasileiras de petróleo no ano passado atingiram 70,6 milhões de toneladas, alta de 18,5% na comparação com 2019, com países como a China tirando proveito para adquirir grandes quantidades a preços mais baixos.

Em faturamento, os embarques caíram quase 19%, para 19,5 bilhões de dólares.

Os embarques de óleos combustíveis também somaram máximas históricas de 15,5 milhões de toneladas, à medida que cresce a produção do pré-sal.

Máxima da soja

Ainda sobre as agrícolas, se os embarques de soja em 2020 ficaram apenas 200 mil toneladas inferiores ao volume de 2018, as exportações de farelo de soja tiveram máximas históricas no ano passado, somando 17,5 milhões de toneladas.

O café não torrado fechou o ano com embarques históricos de 2,373 milhões de toneladas (ou 39,55 milhões de sacas de 60 kg), com alta de 7,2% no volume embarcado e 9,6% no faturamento, para quase 5 bilhões de dólares.

Também foi recorde o embarque de algodão, cujas exportações brasileiras chegaram a ser postergadas em algum momento no ano em função de incertezas geradas pelo coronavírus.

Pluma com recordes

As exportações da pluma ainda atingiram máximas históricas em valor, com 3,2 bilhões de dólares e um total de 2,12 milhões de toneladas, contando com a demanda da China, que também ajudou o país a alcançar os maiores exportações já vistas de carnes bovina e suína.

O açúcar foi outro produto que teve recorde, muito na esteira das compras dos chineses, que conseguiram sair mais rápido da pandemia, embora o coronavírus tenha tido origem no país asiático.

Os embarques totais do adoçante atingiram 31 milhões de toneladas, somando quase 9 bilhões de dólares.

No caso do milho, as exportações caíram cerca de 18% ante o recorde de 42,7 milhões de toneladas de 2019.

Produtos agropecuários

Em todo o ano de 2020, houve um aumento de 6% na exportação de produtos agropecuários.

As vendas da indústria extrativa, no entanto, caíram 11,3% e as exportações de produtos da indústria de transformação diminuíram 2,7%.

Com relação às importações, houve queda na compra de produtos de todos os setores.

As importações da indústria extrativa caíram 41,2%, a compra de produtos da indústria de transformação caiu 7,7% e as importações agropecuárias diminuíram 3,9%.

Para 2021

Lucas Ferraz, secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, afirma que há boas expectativas sobre nova alta no saldo superavitário da balança comercial em 2021.

A previsão é de um superávit de US$ 53 bilhões em 2021.

Atualizada a cada três meses pela Secex, a estimativa oficial veio abaixo do esperado pelas instituições financeiras.

Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado divulgada pelo Banco Central, a projeção de superávit comercial para 2021 estava em US$ 55,1 bilhões.

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