Petróleo: mesmo com acordo, preços seguem em baixa

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Foto: Petróleo: mesmo com acordo, por que os preços seguem em baixa

Demanda caindo, preços em baixa e desconfiança generalizada. Esse é o cenário atual do petróleo no mundo. O desnivelamento atinge a cadeia produtiva, os papeis atrelados ao commoditie e deixa o mercado em polvorosa.

De acordo com o Relatório do Mercado de Petróleo da Agência de Informações de Energia (AIE), a demanda global deverá cair a um recorde de 9,3 milhões de barris por dia no comparativo anual. Isso porque as medidas de contenção em 187 países e territórios têm sido o de interromper a mobilidade.

Estima-se que a demanda em abril seja 29 milhões de barris por dia menor um ano atrás, abaixo do nível observado em 1995. Para o segundo trimestre de 2020 a demanda deve ser 23,1 milhões de barris por dia abaixo dos níveis do ano anterior.

Conforme o documento, a recuperação no segundo semestre deste ano será gradual. Mesmo assim, em dezembro projeta-se uma queda de 2,7 milhões de barris por dia frente a dezembro de 2019.

Para a XP Investimentos, é momento de cautela em todas as carteiras, em especial, também no setor de energia. Isso porque fica difícil prever quando o segmento irá voltar à normalidade.

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Suprimento

Seguindo o relatório, o suprimento global de petróleo deve ter queda recorde de 12 milhões de barris por dia em maio, por conta do acordo histórico de produção promovido pela Opep para reduzir a produção em 9,7 milhões de barris por dia.

Vale ressaltar que como a produção de abril foi alta, o corte efetivo é de 10,7 milhões de barris por dia.

Novas resoluções deverão ser encaminhadas por outros países visto que EUA o Canadá apresentaram quedas expressivas na produção e no consumo.

O mercado prevê, ainda, que a produção de refino em 2020 caia 7,6 milhões de barris por dia no comparativo anual, para 74,3 milhões de barris por dia com demanda bastante reduzida de combustíveis.

O consumo global de refinarias deverá despencar 16 milhões de barris por dia no segundo trimestre deste ano, com cortes e paralisações generalizadas em todas as regiões.

Embora as operações nas refinarias estejam caindo, ainda é esperado que os estoques de produtos aumentem seis milhões de barris por dia no segundo semestre de 2020.

Isso porque, estima-se, a atividade de refino se recuperará lentamente à medida que o mercado global entrar em déficit.

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Novas quedas, hoje

Nesta quarta-feira o mercado registrou quedas de petróleo devido a preocupações com excesso de oferta e demanda em colapso devido a bloqueios globais relacionados ao coronavírus.

O petróleo Brent caiu US$ 1,18, ou 4%, para US$ 28,41 por barril, desistindo de um ganho anterior. O petróleo intermediário do oeste dos EUA caiu 52 centavos, ou 2,6%, para US$ 19,59.

De acordo com o relarório, “não há acordo viável que possa reduzir a oferta o suficiente para compensar essas perdas de demanda no curto prazo.”

O American Petroleum Institute disse ontem que os estoques de petróleo dos EUA subiram 13,1 milhões de barris, mais do que os analistas esperavam.

Preço do ativo

Esta semana a Planner diminui o preço da Petrobras de R$ 36 para R$ 26. Há uma semana a petroleira abriu PDV (Pedido de Demissão Voluntária) visando adesão de 3,800 funcionários com impacto de cerca de R$ 7,6 bilhões até 2025.

Também sete dias atrás a agência classificadora Standard & Poor’s alterou a nota da Petrobras que passou de positiva para estável, uma leve queda na avaliação.

Veja o desempenho da Petrobras X Bovespa:

Fonte: tradingview

Desinvestimento?

Embora não tenha anunciado desinvestimento, por enquanto, a companhia pretende paralisar as operações em 45 plataformas no Brasil.

Conforme analistas, as medidas contribuem pouco para a meta de corte de 200 mil barris por dia (bpd) anunciados para enfrentar a crise.

O mercado estima ainda que mais plataformas entrem em hibernação resultando no desligamento de centenas de funcionários, o que, na prática, é um desinvestimento não oficial.

Conforme a companhia, esses cortes de produção fazem parte da série de medidas que estão sendo tomadas para fazer frente à crise do petróleo.

Isso porque o barril baixou ao patamar dos US$ 20. Assim, com essa cotação, muitos dos seus ativos passaram a ser inviáveis e agora o foco da companhia passou a ser o pré-sal.

Também hoje a Petrobras reduzirá – pela décima vez – o preço da gasolina (8%) em suas refinarias, num movimento que acompanha a queda das cotações internacionais do produto por conta do isolamento social. Em 2020, a queda acumulada já chega a 50%.

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