Petróleo tem maior alta desde 2014, entenda a razão e como isto afeta no preço da gasolina

Osni Alves
Jornalista desde 2007. Passou por redações e empresas de comunicação em SC, RJ e MG. E-mail: oalvesj@gmail.com.
1

Crédito: Reprodução/Pixabay

O petróleo tem reportado altas seguidas de preços e isso faz com que a América Latina petrolífera consiga dar uma respirada e aliviar a pressão em relação à produção da commodity. Mas, ao mesmo tempo, os consumidores encaram a alta dos combustíveis.

Para se ter ideia, na última sexta-feira (15) o petróleo tipo Brent fechou em alta de 1%, e o WTI, de 1,50%. E ambos continuam com o barril custando acima dos US$ 80 dólares (Brent US$ 84,84; WTI US$ 82,53). Os valores são os mais altos para a commodity desde 2014 – confira no gráfico abaixo.

petróleo

Reprodução/Investing

O bom momento para a commodity decorre de um mercado de energia global “apertado”. A demanda por petróleo vem subindo enquanto uma crise de energia atinge as principais economias globais em meio a uma recuperação na atividade econômica e restrição no fornecimento de grandes produtores.

Já América Latina e Caribe aproveitam o cenário para manter as contas públicas no azul. Vale lembrar que a região passou sufoco recentemente, quando a pandemia do novo coronavírus chegou no continente, em meados de março de 2020. Isso porque naquele período o barril estava sendo negociado, em média, a US$ 20 dólares, e o preço era considerado muito inferior ao mínimo recomendável para operar com estabilidade.

ANP, petróleo, Petrobras

Petróleo beneficia países da América Latina e Caribe

De acordo com informações de mercado, com o preço nos níveis atuais, basicamente todos os campos de petróleo latino-americanos acabam sendo rentáveis.

Vale destacar que dos países latinos, Brasil, Colômbia, Argentina Guiana, México, Equador e Venezuela são produtores e exportadores de petróleo.

Ainda assim, o mercado olha com certa desconfiança, visto que os preços atuais são considerados altos na comparação histórica.

Na prática, significa dizer que o mercado está aguardando um reajuste de preços. Assim, caso se mantenham nesse patamar, funcionarão como um balão de oxigênio para o setor. Porém, caso haja uma correção com tendência de baixa, o cinto volta a apertar.

Brasil entre os países mais beneficiados

O Brasil está entre os países mais beneficiados com o atual preço do petróleo. Com a commodity nesse patamar, o país conseguiu estabilizar a balança comercial.

Vale destacar que em 2020 o Brasil levantou quase 20 bilhões de dólares (110 bilhões de reais) negociando o produto. A estimativa para este ano é ainda maior.

A Ásia tem sido um grande parceiro comercial do país na compra do petróleo. Em outras commodities também. Para especialistas, o Brasil é o país mais beneficiado do bloco latino, principalmente por conta da demanda da China.

Já a Argentina produz um tipo de petróleo não convencional chamado de shale. Entretanto, o país vizinho possui 30 mil quilômetros quadrados de solo repletos de gás e petróleo na Patagônia que, para que sua operação seja lucrativa, necessita de preços ainda mais elevados.

A Colômbia, por sua vez, deverá reportar um salto na arrecadação federal por conta do petróleo nesse patamar de preço. O governo elaborou uma série de contas levando em consideração o barril a 63 dólares, mas o produto está 20 dólares acima.

Segunda maior economia latino-americana, o México tem o vizinho Estados Unidos como principal parceiro comercial quando o assunto é petróleo.

Ainda assim, o preço da commodity registra efeito misto sobre o país, visto que sua demanda interna continua crescendo e isso faz encarecer o custo da operação.

A Venezuela, que sempre foi um grande produtor e exportador, vem sofrendo um colapso e hoje mal produz 450 mil barris diários, contra os três milhões de não muitos anos atrás. Nesse contexto, a alta do petróleo desperta hoje um interesse bem menor.

Ainda assim, o país se beneficiará do patamar dos preços atuais, mas não na mesma proporção que seus vizinhos produtores.

Já o Equador poderia se beneficiar muito mais da alta dos preços do petróleo, não fosse a falta de capacidade para refinar a gasolina necessária para atender a demanda interna.

Na prática, significa dizer que o país produz, mas também precisa importar a commodity para atender o mercado doméstico.

A Guiana, por fim, por ser o menor dentre todos os países listados, acaba sendo o mais beneficiado. Também foi o único país da América Latina e do Caribe que cresceu no ano do coronavírus. Sua população é estimada em 700 mil habitantes.

Quer saber mais sobre o boom das commodities e até quando vai o impulso que sustenta o mercado brasileiro? Então faça sua inscrição na Money Week, evento online e gratuito da EQI Investimentos, que acontece de 25 a 29 de outubro. Faça já o seu cadastro!

As ações preferidas do BTG Pactual (BPAC11)

Em nota divulgada no último dia 13 pela equipe de research, o BTG Pactual (BPAC11) reiterou preferência pelas empresas juniores em vez de Petrobras no setor petrolífero. A 3R Petroleum (RRRP3) é a favorita.

Uma semana atrás, a petroleira reportou dados parciais de produção referentes ao mês de setembro de 2021, ainda não auditados. O relatório destacou que a produção média total em três dos polos que atua (Macau, Pescada e Arabaiana e Rio Ventura) foi de 8.280 barris equivalentes por dia. A parcela referente à 3R ficou em 7.120 boe por dia no mês.

Já em relação ao terceiro trimestre, a produção média totalizou 8.007 boe por dia e 6.752 boe diários referentes à parcela da 3R, que é a operadora dos Polos Macau e Rio Ventura e detém participação de 35% no Polo Pescada, este último operado pela Petrobras.

Também disse que esta produção representa um aumento de 19,8% e 37,8% quando comparado com o trimestre anterior e com mesmo período de 2020, respectivamente.

Ação “fiscal” sobre o preço dos combustíveis teria efeito apenas imediato

Ao longo da semana, o investidor acompanhou muita movimentação em Brasília que diz respeito diretamente à alta do petróleo. É que os políticos procuram agir para barrar o preço dos combustíveis.

O presidente Jair Bolsonaro chegou a falar em privatização da Petrobras (PETR3 PETR4), sem no entanto dar mais detalhes. E a Câmara aprovou uma proposta de mudança de ICMS sobre os combustíveis – com taxação incidindo sobre o litro e não mais sobre o preço em bomba. O projeto agora está com o Senado.

Segundo os analistas do BTG, em caso de uma potencial aprovação da proposta, a Petrobras seria a principal beneficiária, já que qualquer fonte de alívio da inflação reduziria o ruído político em sua política de preços. No entanto, diz o banco, o impacto seria imediato e não suficiente no longo prazo.

Isto porque o preço dos combustíveis ainda seguiria dependendo da cotação internacional do petróleo e do comportamento do câmbio.

“Se os preços dos combustíveis continuarem, a pressão futura sobre os preços domésticos pode ser repassada diretamente para a Petrobras, com base em que tudo o que poderia ter sido feito no lado fiscal do combustível já foi feito”, diz o banco. Confira abaixo os cálculos do BTG em eventual aprovação da proposta.

petróleo

Reprodução/BTG

Leia também: Petrobras reajusta gasolina e GLP

E mais: Entenda a alta da gasolina.