Petróleo: em meio a incertezas, preços das referências seguem caindo

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Divulgação / MSN

Os preços do petróleo mudaram pouco nesta sexta-feira (11). Do primeiro dia útil de agosto até aqui, as duas referências, o WTI e o Brent, acumularam perdas, embora pequenas, de 7,37% e 7,44%, respectivamente.

Ambas as referências partem agora para a segunda semana consecutiva de queda.

Os investidores acreditam que haverá mais uma vez sobra da commodity globalmente.

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Isso porque a demanda segue enfraquecendo ainda mais com o aumento dos casos de Covid-19 em alguns países.

Ontem, pela primeira vez desde o início da pandemia, o mundo contou mais de 300 mil novos casos de Covid-19.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, a China, onde o surto começou e para onde o mundo virou os olhos em preocupação em janeiro, contou até agora pouco mais de 85 mil casos – e desses, apenas 150 ainda estão ativos.

Mercado de ações puxa o petróleo

Enquanto o mundo chega a inacreditáveis 28 milhões de casos confirmados (7 milhões ainda ativos) e sem previsão de diminuição, os investidores se preocupam com as consequências.

Os mercados de ações dos Estados Unidos, especialmente em Nova York, também emplacam a segunda semana negativa.

A preocupação, nesse caso, é uma suposta “bolha” (assim mesmo, entre aspas) dos grandes nomes de tecnologia.

Entretanto, não só. Os indicadores econômicos recentes sugerem uma recuperação longa e difícil da pandemia.

“Os mercados financeiros continuam dando o tom, inclusive no mercado de petróleo… temores sobre um excesso de oferta aumentaram o sentimento geral de incerteza”, disseram analistas do Commerzbank em nota replicada pela Reuters.

A tendência é que o investidor se acostume a ver altas e baixas constantes, nas próximas semanas.

Muitas vezes, altas e baixas no mesmo dia, como aconteceu nesta sexta.

Contudo, há mais incerteza e imprevisibilidade à vista.

Outros problemas

Segundo a agência de notícias, outro fator rebaixa o sentimento do mercado.

O Senado dos EUA barrou projeto que teria fornecido cerca de US$ 300 bilhões em nova ajuda contra o coronavírus.

Menos dinheiro na praça, em momentos como esse, não é bem visto.

Estoques de petróleo

Nada tem contribuído para o equilíbrio do petróleo.

Nos Estados Unidos, os estoques aumentaram na semana passada.

A expectativa dos agentes de mercado era que eles diminuíssem.

O problema é que as refinarias voltaram lentamente às operações depois que foram fechadas pelas tempestades no Golfo do México.

Os estoques de petróleo aumentaram 2 milhões de barris, em comparação com as previsões de uma redução de 1,3 milhão de barris em uma pesquisa da Reuters.

Em um outro sinal de baixa, os investidores estavam começando a reservar navios-tanque novamente para armazenar petróleo bruto e diesel, em meio a uma recuperação econômica estagnada.

Isso sinaliza ao mercado que há produto sobrando, os produtores não estão vendendo e precisam armazenar o excesso.

Opep acionada

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, incluindo a Rússia, vão se reunir na semana que vem, dia 17.

Os estoques estarão na pauta.

Vale lembrar que a organização já havia cortado a produção no início da pandemia, em março, quando os preços se tornaram negativos.

Ninguém espera ou aposta em cortes ainda mais profundos.

Segundo a Reuters, depois da Arábia Saudita, o Kuwait também baixou seu preço oficial de venda para a Ásia em outubro, para conter a demanda mais lenta.

“O declínio é desencadeado por uma série de eventos infelizes: um aumento nos casos de Covid-19 em todo o mundo, o fim da alta temporada de verão, a desaceleração da máquina chinesa de importação de petróleo e grandes produtores reduzindo os preços”, disse à Reuters Paola Rodriguez-Masiu, analista sênior de mercados de petróleo da Rystad Energy.