Mercados mundiais operam em queda após racha na OPEP

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

Os mercados futuros de Nova York estão em forte queda de quase 5% na manhã desta segunda-feira, 9, repercutindo o racha na Opep+. Às 5h23, S&P marcando -4,9%; Nasdaq, -4,82%; e Dow Jones, -4,87%.

Mercados globais na mesma tendência. Na Europa, Alemanha com -8,11%. Reino Unido, -8,41%; e França, -4,43%. Na Ásia, Japão com -5,07%; Xangai, -3,01%; Hong Kong, -4,23%; Austrália, -7,33% e Coreia, -4,19%.

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Ninguém esperava por esta, mas o mercado despencou na segunda-feira devido à queda brusca no preço do petróleo. Sem sucesso nas reuniões da semana passada da Opep+ (países exportadores de petróleo mais aliados) pelos novos cortes na produção, a Arábia Saudita surpreendeu. Resolveu, por si só, anunciar um aumento na produção. Isto desabou o preço da commodity e fez as bolsas também despencarem. Os preços do petróleo caíram mais de 30%.

Mercados aguardam agora uma guerra de preços

E o novo cenário que se pinta é de guerra total de preços. Na quinta-feira, a Opep recomendou cortes adicionais de 1,5 milhão de barris ao dia a partir de abril. Mas a Rússia, aliada da Opep, rejeitou a proposta. Isto quer dizer que, sem acordo, a partir do final do mês, cada produtor passa a cobrar o que quiser pela sua produção de petróleo.

Apesar de ser uma consequência da queda de preços provocada pelo surto de coronavírus, a implosão da Opep promete derreter os mercados de maneira mais drástica que a epidemia. “O petróleo se tornou um problema maior para os mercados do que o coronavírus”, disse Adam Crisafulli, fundador da Vital Knowledge, à CNBC.

“A aliança da Opep+ parece morta depois que não conseguiu chegar a um acordo com a Rússia sobre novos cortes na produção”, afirmaram Daniel Hynes e Soni Kumari, estrategistas de commodities do Australia and New Zealand Banking Group, também à CNBC. Hynes e Kumari disseram que os atuais cortes de produção “conseguiram suportar os preços, mantendo o mercado relativamente equilibrado durante um período tumultuado no mercado de petróleo”. Mas que, agora, haverá aumento de produção grande. E mesmo antes do contrato atual expirar.

Corte do Fed é expectativa dos mercados

Em meio à turbulência do mercado, os investidores continuaram a buscar ativos mais seguros em meio a temores adicionais de que o coronavírus interrompa as cadeias de suprimentos globais e leve a economia a uma recessão.

O rendimento dos títulos do Tesouro a 10 anos dos EUA caiu abaixo de 0.5%, sendo a última negociação a 0.4992%.

O mercado aguarda ansioso novos cortes do Federal Reserve. E as apostas estão subindo: não são mais de corte de 0,5%, mas de 0,75%. Segundo o rastreador FedWatch, os traders esperam que o Fed reduza as taxas de juros em mais 75 pontos base. A próxima reunião do banco deve acontecer entre os dias 17 e 18 e março. As chances de um corte de 75 pontos base haviam superado 80% na noite de domingo, 8. Na sexta-feira, 6, indicavam 65% de chances.

Preços do petróleo

O contrato futuro do Brent está em queda de quase 20% na manhã desta segunda-feira, marcando US$ 36,38 por barril. Os futuros de petróleo bruto do oeste dos EUA (WTI) tem queda de 21,85%, sendo negociado a US$ 32,28.

Atualização sobre o coronavírus

Hoje renegado a segundo plano, o coronavírus continua se alastrando. Mais de 106 mil pessoas já foram infectadas pelo vírus e mais de 3,6 mil morreram em todo o mundo. Os dados são da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos nos EUA já superaram 500 e pelo menos 21 mortes foram relatadas.

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