Petróleo cresce 88,38% em maio, no melhor mês já registrado

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Imagem/reprodução/clockmacae

A referência West Texas Intermediate (WTI) do petróleo nos Estados Unidos subiu em maio 88,38%, o que faz do mês o melhor da história, passando em muito setembro de 1990, quando o barril WTI havia se elevado em 44,62%. As informações são da CNBC.

O WTI fechou a sexta-feira (29) com alta de 5,02%, a US$ 35,49, mas, de fato, não tanto o que se comemorar, já que a referência custava na primeira semana de janeiro, quando a crise do novo coronavírus começou a ser desenhada na China, US$ 59,04.

No ano, portanto, o petróleo ainda acumula perdas significativas, de 41,88%.

Em maio de 2019, o barril WTI custava US$ 53,50, de modo que a depreciação em um ano é de 33,66%.

Mundo parado

A pandemia do novo coronavírus é, por certo, a grande causadora da derrocada do petróleo. O mundo parou. A demanda pela commodity simplesmente despencou.

O Brent, comercializado em Londres, também depreciou fortemente. Na primeira semana de janeiro, estava a U$ 64,98, o que representa uma diferença de 41,76% em relação aos atuais US$ 37,84 fechados em maio.

Mas em maio, o Brent ganhou 39,81%, o que fez desse o melhor mês desde 1999.

Os especialistas são rápidos em observar que o aumento dos preços visto agora, com este recorde do WTI, tem como base de comparação a maior desaceleração já registrada, e que o petróleo ainda tem um longo caminho a percorrer antes de recuperar os preços anteriores.

“Certamente não parece que foi o melhor mês do petróleo de todos os tempos”, disse Regina Mayor, chefe global de energia da KPM, à reportagem da CNBC. “Baixos US$ 30 para o WTI são claramente melhores do que estávamos no final de abril, mas não é suficiente”, acrescentou.

Em abril, com mais da metade das pessoas em todo o mundo sob algum tipo de restrição de circulação, em um esforço para retardar a expansão do Covid-19, a demanda por petróleo caiu abruptamente, elevando os estoques e derrubando os preços.

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O WTI, vale lembrar, caiu abaixo de zero, em território negativo pela primeira vez na história. Ninguém queria receber a entrega física do petróleo enquanto a demanda permanecia deprimida.

Reabrindo a economia

Desde então, as coisas começaram a melhorar, lembra a CNBC.

As grandes economias mundiais, como China, Japão, Alemanha, Itália, Espanha e França, estão engatando a primeira marcha na reabertura, o que fatalmente vai puxar a demanda para cima e elevar gradualmente os preços.

Os dados divulgados pelo governo dos EUA na quinta-feira (28) mostraram que, na semana que terminou em 22 de maio, a demanda de gasolina aumentou para 7,3 milhões de barris por dia (bpd) em relação à semana anterior. Isso marcou uma melhoria, embora ainda estivesse abaixo do número de 2019 antes do fim de semana do Memorial Day, que era de 9,4 milhões de bpd.

O armazenamento em Cushing, Oklahoma, que é o principal ponto de entrega do WTI, diminuiu 3,4 milhões de barris, e a utilização das refinarias também aumentou de 69% para 71%. O inventário geral aumentou 7,928 milhões de barris, em comparação com os 1,3 milhão de analistas que os analistas esperavam, de acordo com o FactSet.

Produção de petróleo novamente reestruturada

Do outro lado do balcão, os produtores reduziram a produção em um ritmo recorde, à medida que os preços em queda tornavam a operação antieconômica.

“A OPEP e seus aliados produtores de petróleo concordaram com o maior corte de produção da história durante uma reunião extraordinária de vários dias em abril”, lembra a reportagem da CNBC. “Então, no início de maio, a Arábia Saudita disse que, a partir de 1º de junho, cortaria voluntariamente um milhão de bpd adicionais, além da parte dos cortes acordados pela OPEP+. O Kuwait e os Emirados Árabes Unidos estavam entre os outros membros do cartel que seguiram o exemplo e disseram que também exerceriam cortes adicionais”.

Nos EUA, a produção caiu para 11,4 milhões de bpd, 1,9 milhão de bpd abaixo da alta recorde de 13,1 milhões de bpd de março. A Noruega e o Canadá estão entre os outros países que reduziram a produção.

A Rússia, que entrou em atrito com a Arábia Saudita, por conta dos cortes da produção, também cedeu.

O grupo de países da OPEP+ deverão rever a política de cortes em breve, na reunião, por videoconferência, de 9 e 10 de junho, reestruturando novamente a produção.

Otimismo precoce

Obviamente, o mês recorde do petróleo pro WTI e pro Brent, deve-se parcialmente ao fato de que, depois de cair para níveis tão baixos, um movimento menor de preço agora representa um movimento percentual muito maior.

Além disso, ressalta a CNBC, os contratos de petróleo rolam mensalmente, mas não se alinha ao calendário padrão, o que significa que avaliar o preço mensalmente – em vez da duração do contrato de um mês – pode ser um tanto arbitrário.

Regina Mayor, que mora em Houston, afirma “que é muito cedo para o nível de otimismo que estamos vendo no mercado e, para ser franca, acho que é um pouco inexplicável”.

“Não acho que os fundamentos da demanda sejam os principais fatores do otimismo. Eu acho que é mais rápido o fornecimento, o que significa para mim que há um risco negativo no atual preço elevado”, analisou.