Petróleo: Arábia anuncia aumento nas exportações e Trump pede fim da “loucura”

Paulo Amaral
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Crédito: Imagem/reprodução/clockmacae

A Arábia Saudita anunciou que aumentará a exportação de petróleo do país para 10,6 milhões de barris por dia, colocando ainda mais fogo na guerra de preços com a Rússia.

“O reino pretende aumentar suas exportações de petróleo em 600 mil barris por dia a partir de maio, o que elevará suas exportações para 10,6 mbd”, informou um funcionário do ministério da Energia, em comunicado oficial.

O número estabelecerá um novo recorde nas exportações do produto a partir de maio, e faz o mercado temer por uma queda ainda maior nos preços, que já apresentam o nível mais baixo desde 2002 no Barril de Brent.

Segundo levantamento da AFP, o preço do barril do WTI, referência nos Estados Unidos, caiu para cerca de US$ 20 na segunda-feira, enquanto o do Brent, no Mar do Norte foi inferior a US$ 23, níveis nunca vistos desde o início dos anos 2000.

Saudi Aramco mantém posição

A decisão da Saudi em aumentar a produção aconteceu após o fracasso nas negociações entre a Opep, a Arábia Saudita e a Rússia, cujo objetivo era cortar a produção e apoiar os preços.

Amin Nasser, CEO da petroleira, garantiu nesta terça-feira que a companhia tem condições de manter a produção nesse nível pelos próximos 12 meses sem a necessidade de construir novas instalações.

O novo capítulo da guerra do petróleo foi a decisão de outra petroleira. A Adnoc, dos Emirados Árabes, divulgou que está disposta a expandir a produção diária de barris em um milhão por dia, alcançando quatro milhões diários.

Bank of America reduz mais as projeções

De acordo com as agências internacionais, o Bank of America Global Research reduziu ainda mais as projeções de preços do petróleo para 2020 e 2021.

Os novos números apontam US$ 37 e US$ 45 por barril para o Brent e US$ 32 e US$ 42 para o WTI.

Segundo o Bank of America, como Rússia e Arábia Saudita “têm pouco a ganhar pressionando os preços para abaixo de US$ 30 dólares por barril”, um acordo pode ser costurado ainda em 2020 para colocar um fim à guerra.

Trump pede fim da loucura

O temor por uma derrubada ainda maior nos preços do petróleo durante a pandemia do coronavírus e seu efeito na economia global atingiu Donald Trump.

O presidente norte-americano deu entrevista à Fox News, emissora de TV do país, e abordou o assunto com tom preocupado.

“Não queremos ter uma indústria do petróleo morta”, alertou. “É ruim para nós, é ruim para eles, ruim para todo mundo. Esta é uma luta entre a Arábia Saudita e a Rússia que tem a ver com quantos barris vão ser liberados. E os dois enlouqueceram, eles dois enlouqueceram”, completou.

A “guerra” com os russos

As consequências de um não acordo entre a Arábia Saudita e a Rússia é a possibilidade do início de uma guerra de preços, com futuros brutos a caminho de registrar sua maior queda diária desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Os preços do petróleo desabaram quase 30% no início das negociações em meio ao fracasso das negociações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para o corte da produção.

A turbulência ocorre após a implosão da aliança entre a OPEP e a Rússia na última sexta-feira (6), elevando as tensões nos mercados, que sofrem perdas com o avanço da epidemia do coronavírus.

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