Petróleo americano opera em terreno negativo

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O petróleo americano (WTI) sofreu mais um golpe do coronavírus. O preço despencou nesta segunda e atingiu terreno negativo pela primeira vez na História.

A cotação dos contratos de maio do barril americano West Texas Intermediate foi negociado com desvalorização de 211,17%, a – US$ 20,31.

O barril de Brent, referência utilizada pelo mercado europeu, foi negociado na mesma hora a US$ 25,71, com recuo de 8% na cotação.

A diferença entre o WTI e o Brent, segundo declaração de Michael McCarthy, especialista da CMC Markets, ao portal G1, “atingiu o nível mais elevado em uma década”.

Pagando para se livrar do produto

Esse preço negativo significa, na prática, que os produtores estão pagando para que o produto deles seja estocado, tamanha a queda da demanda provocada pela pandemia da Covid-19, estimada em aproximadamente 30%.

O aumento das reservas de petróleo nos Estados Unidos nas últimas semanas (cerca de 19,25 milhões de barris) provocou os produtores a baixarem seus preços.

Segundo o G1, a queda desta segunda-feira também abriu a maior diferença da História entre o contrato atual e o próximo, causada justamente pela falta de armazenamento para o commodity.

O próximo vencimento do petróleo, contrato mais líquido atualmente, operava em queda de mais de 16,22% no WTI para junho, sendo vendido a US$ 20,91 o barril.

Petrobras anuncia nova redução

O terreno negativo do WTI não chega a afetar a posição da Petrobras (PETR3 PETR4) sobre os preços praticados no petróleo, já que a estatal usa como referência os barris tipo Brent em sua política.

Mesmo assim, a empresa anunciou novo corte no preço da gasolina e do diesel nas refinarias.

A gasolina será reduzida em 8% e o diesel, em 4%. Os valores passam a valer a partir de terça-feira (21).

A informação foi confirmada pela assessoria da empresa da estatal.

As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) apresentaram recuo de 2,60% até as 15h50 desta segunda-feira, enquanto as ordinárias (PETR3), retrocederam 1,68%.

Tendência de cortes

Com o petróleo em forte queda e com receio de perder competitividade no mercado interno, a Petrobras está sendo forçada a, constantemente, reduzir o valor dos combustíveis.

O ajuste que vale a partir de terça-feira será a segunda redução em menos de uma semana. No dia 14, a Petrobras reduziu o litro da gasolina nas refinarias em 8% e o diesel, em 6%.

Este será o 12º corte no preço da gasolina no ano. Do diesel, é o 10º no ano.

Razões para queda do petróleo

Desde a semana passada, o mercado dá sinais de que o corte na produção mundial de petróleo não foi suficiente para compensar a perda acentuada de demanda.

A crise do coronavírus e os bloqueios ao transporte aéreo e rodoviário como medida de isolamento social para conter o vírus impactaram fortemente na demanda pela commodity.

No início do mês, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais Rússia e outros produtores (Opep+) decidiram reduzir a produção em quase 10 milhões ao dia.

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