Petróleo deve se manter em US$ 50 em 2021, com aumento da demanda

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pixabay

O ano de 2020, especialmente a primeira metade dele, foi uma verdadeira montanha-russa para o petróleo. A commodity atravessou o conflito entre Estados Unidos e Irã, as disputas na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e teve um tombo especialmente violento no início da pandemia de coronavírus, que demandou cortes na produção devido à demanda reprimida pelas medidas de distanciamento social.

O tipo Brent, principal referência, que é extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres, oscilou bastante. Começou na casa dos US$ 67, chegou na mínima de US$ 15, em 22 de abril. Opera, neste final de ano, próximo a US$ 50. A queda, de janeiro a dezembro, ultrapassa os 23%, mas chegou a 70% nos meses mais críticos da pandemia mundial.

petróleo

Reprodução/EIA

Já o WTI, de menor relevância para o mercado mundial, teve problemas mais sérios ainda.

Os contratos futuros que venceram ao longo do ano incluíam a retirada do produto. O que ocasionou uma questão logística de armazenagem. Isso fez o preço do petróleo ficar negativo pela primeira vez na história. Em outras palavras, ao invés de vender, o dono do contrato estava pagando para quem ficasse com o barril de petróleo. A cotação chegou a ficar negativa em US$ 37.

No entanto, veio a retomada gradual da economia e as perspectivas positivas quanto à eficácia das vacinas contra o coronavírus. Com isso, o petróleo iniciou uma trajetória de recuperação.

Colaborou um ciclo favorável para as commodities, para dar sustentação ao crescimento global pós-pandemia. E também as injeções de dinheiro na economia, via pacotes de auxílio.

Projeções para 2021

Em relatório, o Morgan Stanley afirma que o a projeção para o preço do petróleo no primeiro semestre de 2021 é de US$ 50 a US$ 55.

Há expectativas de aumento da demanda da commodity para níveis pré-coronavírus. E isso impactaria no aumento de preços.

Mas, por outro lado, deve haver uma retomada de produção pela Opep, o que dará equilíbrio às cotações. Sendo assim, o preço deve se manter próximo aos patamares atuais.

Esta é a opinião também do analista Henrique Esteter, da Guide. “Com a retomada do fluxo de veículos e pessoas, haverá aumento da demanda. Mas, à medida que ela for se elevando, deve haver aumento de oferta também. Acredito que o patamar de preço esperado é mais ou menos o de US$ 50 o barril”, afirma.

Pontos que podem interferir nas projeções

Um ponto destacado pelo Morgan Stanley é que o Irã pode retomar suas exportações, caso as sanções impostas pelos EUA sejam derrubadas. Isto aumentaria a oferta global.

Salienta ainda que a Opep não é um bloco coeso, depende muito de contexto político, e vem dando muitos sinais de que está se deteriorando, o que significa que pode haver mais percalços não projetados pelo caminho.

Destaque para Petrobras (PETR4)

Com a recuperação de preço do petróleo, o Bradesco BBI aponta uma recuperação para as empresas de óleo e gás, com destaque para as da América Latina. Estas, diz o banco, teriam mais espaço para crescimento do que as demais do globo.

“Ainda vemos os participantes de E&P (exploração e produção) da América Latina apresentando desempenho inferior ao de seus pares internacionais no acumulado do ano, o que pode indicar mais espaço para recuperação”, afirma em relatório.

O Brasil, e em especial a Petrobras (PETR3 PETR4), seriam beneficiados pelo ciclo positivo das commodities.

“Continuamos classificando a Petrobras como nossa principal escolha entre os óleos integrados”, destaca. Em seu plano de negócios de 2021/25, a empresa prevê uma distribuição entre US$ 30 bilhões a US$ 35 bilhões em dividendos, o que o banco aponta como favorável.

“Acreditamos que fatores como a venda de refinarias e outras vendas de ativos devem diminuir o risco da nova política de dividendos da empresa ao longo de 2021, proporcionando impulso para o estoque. Em nossa opinião, as empresas que comprovam ser capazes de sustentar dividendos saudáveis ​​sem esgotar a produção devem ter um desempenho estruturalmente superior”.

Além da Petrobras, as empresas do setor com ações na Bolsa são: Enauta (ENAT3), 3R Petroleum (RRRP3), que abriu capital esse ano, BR Distribuidora (BRDT3), PetroRio (PRIO3) e Dommo Energia (DMMO3).

Retrospectiva 2020

No início do ano, o conflito entre EUA e Irã pressionou o preço do barril do petróleo para cima. O assassinato do general iraniano Qassem Soleimani por soldados norte-americanos alimentou rumores de que os americanos entrariam em conflito no Oriente Médio, importante produtor de petróleo, o que poderia comprometer a produção mundial.

Depois vieram a Covid-19 e as medidas de isolamento social para conter o vírus, que fizeram com que a demanda por petróleo caísse fortemente no mundo todo.

Para conter a queda, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiu reduzir a produção em 10%. A medida foi proposta pela Arábia Saudita, que é o maior produtor, mas teve forte rejeição da Rússia.

Em determinado momento, por conta dos desentendimentos do bloco, tanto os sauditas quanto os russos aumentaram as produções. E isso derrubou ainda mais a cotação da commodity – a demanda já estava baixa e a oferta aumentava.

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Otimismo com vacina e retomada da economia

A retomada da economia pós-primeira onda de pandemia e os avanços relacionados às vacinas vêm melhorando as projeções.

Em diversos países, já vêm sendo aplicadas em uso emergencial algumas vacinas, como da Pfeizer e da Moderna.

Com uma visão de normalidade a médio prazo, o petróleo tipo Brent para fevereiro está sendo negociado na casa dos US$ 50. Enquanto o WTI para janeiro oscila em torno de US$ 47.

 

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