Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), IPCA-15 e Livro Bege agitam a semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Divulgação

A agenda da semana destaca dois anúncios aguardados. Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) divulgam relatórios de produção do terceiro trimestre.

Ainda no setor corporativo,o calendário reserva resultados do período entre julho e setembro.

Após a CSN (CSNA3) revelar seu balanço do terceiro trimestre, inaugurandoa safra do período, será a vez de Weg (WEG3), Neoenergia (NEOE3),  Hypera (HYPE3) e Romi (ROMI3) detalharem o desempenho operacional.

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Entre os indicadores, a principal divulgação será o IPCA-15, tido como prévia da inflação oficial do país.

A agenda externa inclui as informações relatadas no Livro Bege, documento elaborado pelos dirigentes do Federal Reserve que analisa os rumos da economia americana.

O Livro, que observa indicadores que vão da atividade industrial às taxas de desemprego, sairá num momento crucial do ano.

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Faltam duas semanas para as eleições presidenciais americanas, em 3 de novembro.

No meio da disputa entre Donald Trump e Joe Biden, o pais aguarda a definição do um debate no Congresso sobre um pacote de estímulo à economia afetada pela pandemia da Covid-19 — que voltou, aliás, a registrar picos de contaminações.

Democratas e republicanos não conseguem se entender a respeito de um acordo — indecisão que impacta e vem conferindo ainda mais volatilidade ao mercado já faz algumas semanas.

Bolsa de Valores perto dos 100 mil

O Ibovespa resvalou esta semana nos 100 mil pontos — mas estacionou na faixa dos 99 mil, entre grandes oscilações diárias.

A bolsa encerrou a última semana com avanço de 0,85%. O resultado confirmou a tendência do início de outubro.

Nesta sexta-feira (16), o índice teve queda 0,75%, na casa dos 98.309 pontos.

No mês a alta acumula 3,92%. No ano, as perdas totalizam 14,99%.

O dólar terminou a sexta valorizado. A divisa norte-americana subiu 0,32%, a R$ 5,642, mas encerrou a semana com perdas de 2,55%.

No cenário doméstico, as eleições municipais vão empurrando reformas tributárias e administrativas para depois do pleito.

Equilíbrio fiscal

A discussão sobre o teto de gastos e equilíbrio fiscal, no entanto, deve ainda pautar o noticiário e repercutir no mercado – junto com o debate sobre o anúncio ou não de programas sociais do governo contra a crise.

Nesta semana, após o ministro da Economia Paulo Guedes anunciar que desistiria do novo imposto sobre transações financeiros, ele voltou atrás na sexta.

Segundo Guedes, a criação do tributo, que cobriria uma desoneração parcial da folha de pagamentos, é essencial para a criação de empregos formais.

“Não me importo se o tributo é feio, desde que ele funcione criando novos empregos”, argumentou.

Espera-se que a divulgação de balanços impulsione a bolsa até novembro, quando ainda sairão resultados.

Trump X Biden: quase na reta final

Em Wall Street, as bolsa fecharam a sexta mistas. Dow Jones avançou 0,39%, aos 28.606,31 pontos; o S&P 500 encerrou a sessão na estabilidade (+0,01%), a 3.483,81 pontos. Nasdaq teve queda de 0,36%, aos 11.671,56 pontos.

Os números altos de coronavírus na Europa e EUA têm provocado cautela e algum pessimismo diante de um horizonte inseguro.

Prossegue, além disso, a indefinição do anúncio de uma vacina eficaz contra a Covid-19 .

Investidores nos Estados Unidos ficarão de olho na batelada de centenas de balanços que saem esta semana por lá — entre os quais os dos bancos, o que deverá animar o mercado.

Mas as eleições seguem firmes no radar, sobretudo com o tom exasperado que deve tomar conta do próximo debate entre Biden e Trump.

O encontro vai ocorrer na próxima quinta (22), após o cancelamento do ultimo, marcado para a quinta (15) e substituído por entrevistas individuais dos presidenciáveis – após, como se sabe, a contaminação de Trump com o coronavírus.

Petrobras e Vale: relatório de produção do terceiro trimestre

As duas gigantes vão divulgar esta semana seu desempenho de produção e vendas entre julho e setembro.

O da Petrobras sai na terça (20), após o fechamento.

O da Vale está previsto para ser anunciado um dia antes, na segunda (19), também depois da sessão na B3.

No último relatório, divulgado em 21 de julho, a Petrobras informou que a produção média de óleo, LGN e gás natural da Petrobras foi de 2.856 Mboed (milhões de barris de óleo equivalente), representando uma alta de 10,4%.

Já a produção comercial atingiu 2.540 Mboed, com avanço de 8,6%.

Já no trimestre, a produção média da Petrobras atingiu 2.802 Mboed, significando aumento de 6,4% sobre o mesmo intervalo de 2019, mas recuo de 3,7% ante o primeiro trimestre deste ano.

Enquanto isso, o total comercial foi de 2.474 Mboed, aumento de 4,1% no ano e queda de 5,1% na comparação trimestral.

De acordo com a Petrobras, a retração na comparação com os três primeiros meses ocorreu pelos seguintes fatores, oriundos da pandemia do Covid-19:

  • Hibernação das plataformas que operam em águas rasas e não são resilientes a baixos preços de petróleo;
  • interrupção temporária de produção nos FPSOs Cidade de Santos, Cidade de Angra dos Reis e Cidade de Mangaratiba, na Bacia de Santos, e no FPSO Capixaba, na Bacia de Campos; e
  • queda na demanda, mais acentuada no mês de abril, com recuperação nos meses de maio e junho

Vale: crescimento na produção do minério de ferro no 2TRI

A Vale reportou, em 20 de julho, crescimento de 5,5% na produção de minério de ferro no segundo trimestre frente igual período de 2019.

Dessa forma, a produção de minério de ferro atingiu 67,598 milhões de toneladas métricas (Mt).

Em comparação ao primeiro trimestre deste ano, a alta foi de 13,4%.

Entretanto, no acumulado do semestre, houve queda de 7,1%.

Assim, a produção no primeiro semestre atingiu 127,203 Mt.

Segundo a empresa, a produção em junho foi de 25 Mt, “apresentando forte aceleração em relação aos níveis de abril e maio, e entrando em um período sazonalmente forte, com níveis mais baixos de chuva”.

A Vale destacou ainda que o seu guidance (projeção) para a produção de finos de minério de ferro em 2020 permanece inalterado em 310-330 Mt, “assumindo que a extremidade inferior do guidance é o cenário mais provável”.

Sobre o segundo trimestre, a empresa afirmou que, apesar dos impactos do Covid-19 e dos desafios operacionais enfrentados, o desempenho melhorou no final do período, com o fim da estação chuvosa.

WEG3, NEOE3, HYPE3 e ROMI3

A temporada de balanços do terceiro trimestre começa a engatar esta semana com os resultados de Weg (WEG3), Neoenergia (NEOE3),  Hypera (HYPE3) e Romi (ROMI3).

O da Weg sairá na quarta (21), antes da abertura da B3.

A fabricante de motores elétricos WEG (WEGE3) está no seleto grupo das nove companhias brasileiras que valem mais de R$ 100 bilhões.

Quem acreditava que as ações da multinacional brasileira já tinham atingido o ápice se surpreendeu na pandemia.

Desde o início da crise do coronavírus, os papéis se valorizaram mais de 100%.

Nos últimos 10 anos, sua valorização na bolsa foi de 930%, enquanto o principal índice da bolsa evoluiu 40% no mesmo período.

A empresa somou, no segundo trimestre, lucro líquido de R$ 526,5 milhões, um desempenho 33,2% superior ao mesmo período de 2019.

Variação cambial e rentabilidade

Segundo a Weg, os principais responsáveis pelo desempenho foram as movimentações do Ebtida, a maior variação cambial e menor rentabilidade sobre as aplicações financeiras.

A Neoenergia solta seus resultados na terça (20), após o fechamento.

A empresa reportou, no segundo trimestre, lucro líquido foi de R$ 423 milhões, desempenho 18% inferior ao registrado em igual período de 2019.

O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebtida, na sigla em inglês) somou R$ 1,106 bilhão, queda de 19%.

A Hypera, que divulga seus resultados na sexta (23), registrou lucro líquido totalizou R$ 396,4 milhões, performance 17,6% superior ao registrado no mesmo período de 2019.

A Romi anuncia o desempenho operacional do terceiro trimestre na terça (20).

No período anterior, numa contramão da crise, a companhia apresentou um lucro líquido de R$ 11,3 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 4,3 milhões de abril, maio e junho de 2019.

IPCA-15

Considerado um prévia da inflação oficial, o IPCA-15 de outubro será divulgado na sexta (23).

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, apurado pelo IBGE, ficou em 0,45% em setembro.

O resultado veio acima da projeção de 0,39% do mercado. E acima da leitura de 0,23% de agosto.

Segundo o IBGE, este é o maior resultado do IPCA-15 para o mês de setembro desde 2012. No ano, a alta é de 1,35%. Em 12 meses, de 2,65%.

 

Alimentos puxam alta do IPCA-15 em setembro

Os preços dos alimentos e bebidas pressionaram o IPCA-15 com a maior alta (1,48%) e o maior impacto (0,30 ponto percentual).

A alta no setor foi impulsionada não só pelas carnes – cujos preços subiram 3,42% e tiveram o maior impacto entre os alimentos, de 0,09 p.p,

Também o tomate (22,53%), óleo de soja (20,33%), arroz (9,96%) e leite longa vida (5,59%) registraram altas.

Os três últimos itens acumularam altas de 34,94%, 28,05% e 27,33% no ano, respectivamente.

Inflação no radar

Segundo o Estadão, o aumento da inflação na reta final do ano deve causar problemas para a equipe econômica cumprir o teto de gastos em 2021.

Isso porque a expansão do limite das despesas já está fixada em 2,13%.

A alta recente da inflação servirá de referência para corrigir o salário mínimo no início de 2021, que representa mais da metade dos gastos da União – em benefícios previdenciários e assistenciais.

De acordo com o BTG, esse descasamento gera a necessidade de reduzir R$ 20 bilhões em despesas para evitar estourar o teto de gastos.

A regra do teto limita o crescimento das despesas do governo à inflação medida pelo IPCA em 12 meses até junho do ano anterior.

Essa variação ficou em 2,13% em 2020. Mas a inflação só ganhou força e chegou a 3,14% até setembro.

A agenda doméstica terá ainda outros indicadores para focar de olho.

A  Fundação Getúlio Vargas divulga a Sondagem do Consumidor de outubro também na sexta.

Na quarta (21), a FGV anuncia a Sondagem do Consumidor.

Livro bege e os rumos da economia americana

A agenda do exterior tem como um dos principais pontos da semana a divulgação do Livro Bege.

Consolidado pelos dirigentes do Fed, o documento aponta o caminho da economia e analisa os principais indicadores do país — entre os quais, desemprego, atividade industrial e inflação.

Lembrando: no último dia 7 de outubro, a ata das últimas reuniões do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), realizadas em 15 e 16 de setembro últimos, veio em tom de apreensão.

O documento apontava uma preocupação dos dirigentes do Fed a respeito da falta de um apoio fiscal do governo e do Congresso para a recuperar a economia do país em meio à crise causada pelo novo coronovírus.

Temem que a falta de estímulo fiscal prejudique a retomada econômica.

Num cenário de incertezas sobre um pacote de estímulo em meio a altas de contaminações da pandemia — sem contar as eleições — pode ser que o Livro Bege contenha essas ressalvas e faça ponderações do gênero.

Já em setembro, no dia 2, o Fed destacava aumento do emprego de modo geral nos distritos, assim como melhora na atividade econômica. Mas lembrava que a demanda na indústria de serviços permanecia fraca.

A atividade seguia em nível bem abaixo do que antes da pandemia, reforçava o Fed. E a recuperação continuava lenta, com pouca perspectiva de virada no curto prazo.

As informações foram coletadas, explicava o Fed, até o último dia 24 de agosto de 2020 em doze distritos do país.

“A atividade econômica aumentou entre a maioria dos distritos, mas os ganhos foram geralmente modestos e a atividade permaneceu bem abaixo dos níveis anteriores à pandemia de Covid-19”, observava o documento do Fed.

PIB da China

Numa semana com menos indicadores, investidores estarão atentos ao anúncio do governo chinês sobre duas amostras de peso da economia do país.

Na terça pela manhã (segunda à noite no Brasil), saem a produção industrial de setembro e o PIB do país.

O mercado espera por uma alta de 5,5% na comparação anual e de 3,2% ante o segundo trimestre.

Os índices podem revelar se o país está mesmo em recuperação estável e gradual após o choque causado pelo coronavírus nos primeiros meses de 2020.

Na sexta saem dados apontados pelos Índices dos Gerentes de Compras (PMI na sigla em inglês) calculados pelo IHS Markit da indústria de transformação e composto na zona do euro.

Esses indicadores vêm indicando recuos — que podem aumentar num quadro de novas medidas de restrição e distanciamento em meio à segunda onda de contaminação do coronavírus na maioria dos países da Europa.

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