Petrobras (PETR4) sofreu baque em abril, mas venda de ativos segue firme

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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A crise deste ano fez a Petrobras (PETR4) sofrer com a retração da demanda e queda dos preços. No entanto, a empresa está confiante de que a pandemia não vai atrapalhar seu plano de desinvestimentos, e que a estratégia redução de custos ajudará a empresa a sair da crise mais eficiente.

“Não podemos mais confiar em preços crescentes do petróleo para nos beneficiar. Temos que contar com nossos próprios esforços para gerar valor”, afirmou o presidente da empresa, Roberto Castello Branco, em teleconferência com analistas realizada hoje.

De acordo com o executivo, os últimos meses foram um dos períodos mais desafiadores da história da empresa.

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“Abril de 2020 é o mês que a indústria de petróleo jamais vai esquecer. Além da retração da demanda sem precedentes e o colapso dos preços, houve uma elevação nos preços dos fretes marítimos”, afirmou.

Agora, o cenário está mais positivo, com a recuperação dos preços e da demanda. De acordo com o presidente, a boa notícia do balanço do segundo trimestre foi a redução da dívida líquida e o fato de que não houve queima de caixa.

Pandemia não atrapalha venda de ativos

Um dos pilares da estratégia da Petrobras é a venda de ativos. Embora a pandemia tenha gerado alguns atrasos, a empresa afirmou que permanece confiante em atingir suas metas de desinvestimentos até o final de 2021.

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Segundo o porta-voz, a Covid-19 atrasou algumas visitas presenciais de due diligence às empresas que serão vendidas. Além disso,  algumas empresas precisam de novas aprovações junto a seus conselhos de administração e arranjos com financiadores e fundos de private equity para fazer negócios.

No entanto, a empresa mantém suas expectativas positivas para os processos de vendas de ativos.

Em 2020, foram lançados 20 processos de desinvestimentos. Até o momento, foram concluídas transações que geram caixa de R$ 1 bilhão.

Sobre a venda RLAM, o executivo afirmou que a operação está adiantada, e pode ser concluída até o final do terceiro trimestre de 2020.

Programa de Demissão Voluntária

A companhia informou que mais de 10 mil empregados (22% do total) aderiram ao Programa de Demissão Voluntária (PDV). Até agora, 2,9 mil já deixaram a empresa.

Entre agosto e dezembro de 2020, 5 mil funcionários serão desligados. Para 2021, a previsão é de 2,3 mil a 2,4 mil desligamentos.

A medida faz parte do esforço da Petrobras para enxugar os custos. De acordo com o presidente, 25% dos cargos comissionados da empresa já foram eliminados. Junto com o PDV, esta medida vai gerar uma economia anual de US$ 1 bilhão.

A estrutura física da empresa também está sendo revista. Os 17 prédios administrativos serão reduzidos para oito.

Ao mesmo tempo, o número de expatriados será reduzido ao máximo. Isso porque este tipo de funcionário custa mais caro, segundo Castello Branco.

Além disso, a área de logística ganhou uma diretoria própria para reduzir as ineficiências. Os estoques e armazéns, que atualemente somam 45 unidades, serão reduzidos para 25.

Demanda estável a crescente

A Petrobras afirmou que a demanda por derivados de petróleo está passando por uma recuperação constante. “Acreditamos que a pior fase já passou e a demanda deve seguir de estável a crescente”, disse a diretora de refino e gás da empresa, Anelise Lara.

Ela destacou que isso vale principalmente para o diesel e para a gasolina. No entanto, o segmento de querosene de aviação ainda sofre com a pandemia devido à restrição de voos.

Desempenho financeiro

A empresa afirmou que está com o nível de caixa muito alto atualmente para sobreviver à volatilidade do mercado. No entanto, o objetivo é voltar aos níveis pré-crise, de US$ 5,5 bilhões, até o final do ano.

Segundo a diretora financeira e de relações com investidores, Andrea Marques de Almeida, as taxas médias de financiamento já estão voltando aos níveis anteriores à crise, na casa dos 5%.

O objetivo da empresa é atingir uma dívida bruta de US$ 6o bilhões no médio e longo prazo. “Talvez em 2022 seja possível atingir este objetivo”, afirmou. Isso vai depender do sucesso do plano de desinvestimentos e do preço do petróleo.

Mercado gostou do resultado

O resultado da Petrobras foi bem recebido pelo mercado. De acordo com relatório do BTG, a resiliência da empresa foi colocada à prova neste trimestre, e o resultado foi fluxo de caixa positivo.

Sobre o programa de vendas de ativos, o BTG afirmou que a empresa está no caminho certo, mesmo com um atraso de seis a 12 meses. O banco reiterou recomendação de compra para a ação e afirmou que espera uma política de dividendos forte para 2022.

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