Petrobras (PETR4) questiona governo após críticas de Bolsonaro ao aumento do gás

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Agência Brasil/Petrobras

A Petrobras (PETR4) divulgou nota, nesta quarta (7), em que indaga o governo após a declaração do presidente Jair Bolsonaro. Mais cedo, ele afirmou que é “inadmissível” reajustar gás em 39%.

No comunicado, a Petrobras diz que, “sem relação às notícias veiculadas na mídia que atribuem ao Presidente da República afirmações a respeito do reajuste de gás e possíveis mudanças na política de preço da companhia, informa que indagou o seu acionista controlador, por meio do Ministério de Minas e Energia (MME), ao qual a companhia está vinculada, sobre a existência de informações relevantes que deveriam ser divulgadas ao mercado.”

Bolsonaro demonstrou irritação com o reajuste de 39% no preço do gás natural. Em discurso na solenidade de posse do novo diretor-geral da Itaipu Binacional, nesta quarta-feira (7), Bolsonaro considerou “inadmissível” a decisão da Petrobras, anunciada na segunda-feira (5).

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Bolsonaro fez referência ao atual presidente da estatal

“É inadmissível se anunciar agora, o velho presidente [da Petrobras] ainda, um reajuste de 39% no gás. É inadmissível. Que contratos são esses? Que acordos foram esses? Foram feitos pensando no Brasil, num período de três meses? Não vou interferir, a imprensa vai dizer o contrário”, criticou.

O presidente fez referência ao presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que deixará o cargo nos próximos dias, passando o comando da empresa para o ex-presidente de Itaipu Joaquim Silva e Luna, que acompanhou o discurso de Bolsonaro.

Ele deverá ser confirmado como novo presidente da Petrobras na assembleia do Conselho Administrativo da empresa, prevista para o próximo dia 12.

O novo valor do gás natural valerá a partir do dia 1º de maio.

Ao contrário de outros combustíveis, como gasolina e diesel, o gás natural é corrigido em intervalos regulares, a cada três meses.

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Petrobras explica o aumento

De acordo com a Petrobras, o aumento se deve à aplicação das fórmulas dos contratos de fornecimento, que vinculam o preço à cotação do petróleo e à taxa de câmbio, nos meses anteriores.

Logo, o preço que será praticado em maio, junho e julho, tem como referência as variações verificadas em janeiro, fevereiro e março.

Durante esse período, o petróleo subiu 38%, seguindo a tendência de alta das commodities globais. Além disso, os preços domésticos das commodities também subiram com a desvalorização do real.

Gás natural

O gás natural é destinado principalmente para a indústria, geração de energia elétrica e veículos movidos a gás, com as residências respondendo por apenas 2% do consumo desse combustível no país, conforme dados de 2020 da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).

gás natural é diferente, portanto, do gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, usado na grande maioria das residências brasileiras. Em 2020, o botijão de GLP acumula aumento de 17% nas refinarias.

*Com Agência Brasil