Petrobras (PETR4): produção cresce 14,6% no primeiro trimestre

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com

Crédito: TERMINAL AQUAVIARIO DE ILHA D'AGUA, REDONDA DE PETROLEO E COMBUSTIVEL NA BAHIA DA GUANABARA DA TRANSPETROFOTO: GERMANO LUDERS 12/05/2010

A Petrobras (PETR4) anunciou aumento de produção em 14,6% no primeiro trimestre de 2020 ao atingir 2,909 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed).

Em igual período do ano passado, a estatal havia atingido 2,538 milhões de boed. Já na comparação com o quarto trimestre de 2019, houve queda de 3,8%.

De acordo com a companhia, a queda trimestral refletiu o desinvestimento de 50% do campo de Tartaruga Verde e da venda da participação societária que detinha na Petrobras Oil & Gas B.V., encerrando integralmente as atividades operacionais na África.

O impacto dos desinvestimentos na produção do trimestre foi de, aproximadamente, 84 milhões de barris por dia.

Conforme o relatório, os efeitos negativos da recessão global provocada pela crise de saúde pública com o coronavírus não chegaram a impactar de forma substancial a performance da produção e vendas no período entre janeiro e março deste ano.

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Produção comercial

A Petrobras informou ainda que nos três primeiros meses do ano, a produção comercial foi de 2,606 milhões de boed, com produção de petróleo de 2,320 milhões de barris por dia.

“É um avanço de 13,3% na produção comercial e de 17,7% na produção de óleo frente ao mesmo período de 2019”, informou em relatório.

Já o desempenho, segundo a empresa, se deve “ao ramp-up das plataformas que entraram em produção em 2018 e 2019 (P-74, P-75, P-76 e P-77 no campo de Búzios, P-67 e P-69 no campo de Lula e P-68 nos campos de Berbigão e Sururu).”

A companhia destacou ainda que a plataforma P-77, no campo de Búzios, atingiu em janeiro de 2020 a capacidade de produção de 150 milhões de barris por dia em apenas 10,4 meses.

No entanto, sobre o quarto trimestre de 2019, a produção comercial da empresa caiu 4,5%, enquanto a produção de petróleo sofreu uma baixa de 3,1%.

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Pré-sal

A produção nos campos do pré-sal se manteve no mesmo patamar que no trimestre anterior por conta da entrada de novos poços, que compensou o maior número de paradas de manutenção nos campos de Lula e Búzios.

Quando comparado ao primeiro trimestre de 2019, houve aumento de 48,9%, o que reflete “o expressivo ramp-up dos sete sistemas que entraram em produção em 2018 e 2019 e a estratégia da companhia em focar suas atividades em ativos de classe mundial em águas profundas e ultra-profundas”.

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Já a produção de óleo do pós-sal em águas profundas e ultraprofundas foi 8,8% inferior ao trimestre anterior, devido, principalmente, à conclusão da venda de 50% do campo de Tartaruga Verde. Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução de 15,1%.

Derivados

As produções de diesel e gasolina foram menores quando comparadas com o primeiro e quarto trimestres de 2019, devido às menores vendas no mercado interno, com destaque para o período a partir do final de março, refletindo as ações de contenção e isolamento social devido à pandemia da Covid-19.

Conforme a companhia, o volume de produção de diesel caiu 2,1% na comparação anual e recuou 2,5% na comparação trimestral. Já o volume de vendas de diesel para o mercado interno teve quedas de 12,6% e 12,5%, respectivamente, na mesma base de comparação.

O volume de produção de gasolina caiu 7,9% na comparação anual e recuou 5,3% na comparação trimestral. O volume de vendas de gasolina para o mercado interno teve baixas de 14,3% e 13,8%, nesta ordem.

Já a produção de querosene de aviação no primeiro trimestre de 2020 foi 8% maior quando comparada com o trimestre anterior, com o volume de vendas caindo 7,4% na comparação com o mesmo período.

Em relação ao primeiro trimestre de 2019, a produção foi 4,4% menor, acompanhando também as menores vendas (-11,1%).

A queda nas vendas ocorreu de modo acentuado a partir do final do trimestre, com a redução expressiva do mercado de transporte aéreo associado aos efeitos do coronavírus.

China petroleo

Queda na demanda global

E acordo com a petroleira, o petróleo tem sido e será ainda por muito tempo essencial para o funcionamento da economia moderna.

“Estamos fortemente comprometidos em promover a resiliência da Petrobras ao cenário global extremamente hostil à indústria do petróleo”, disse o presidente Roberto Castello Branco.

E acrescentou: “apesar dos enormes desafios, estamos confiantes que com a dedicação e o talento de nossos colaboradores concretizaremos esse objetivo. As lições aprendidas nesta crise contribuirão para nos transformar numa companhia mais forte e geradora de valor.”

Veja a petroleira na Bolsa:

petr4

Fonte: tradingview.

Demanda global

Segundo o executivo, para lidar com a dramática contração da demanda global de petróleo, estimada em 25-30 milhões de barris por dia no segundo trimestre de 2020, a Petrobras reduziu a produção de óleo em abril para 2,07 milhões de bpd.

Também reduziu e o fator de utilização de suas refinarias de 79% para 60%, ao mesmo tempo em que reforçou a capacidade logística de exportação de petróleo cru, diesel e óleo combustível.

“Tais medidas têm contribuído para a geração de caixa e o declínio de estoques, permitindo a manutenção de folga razoável na capacidade de estocagem, evitando consequentemente a adoção de medidas custosas como o afretamento de navios para armazenar líquidos”, afirmou.

E disse mais: “o ambiente de incertezas se reflete numa dinâmica bastante fluida dos mercados o que nos exige seu monitoramento contínuo visando à otimização da gestão da capacidade produtiva.”