Preço do Brent impulsiona balanços das petroleiras, mas perspectivas divergem

José Azevedo
Jornalista especializado em economia.

Crédito: https://pixabay.com/pt/photos/r%C3%BAssia-plataforma-de-petr%C3%B3leo-112445/

As petroleiras brasileiras registraram no segundo trimestre de 2021, de maneira geral, resultados superando o consenso do mercado. Nesse ponto, o grande destaque foi a Petrobras (PETR4) que viu seus números virem acima, por longe, das expectativas de bancos e casas de research.

O lucro líquido da estatal de R$ 42,8 bilhões, por exemplo, foi 30,9% maior do que aquilo que era esperado pelo BTG Pactual. Para a Eleven, a surpresa foi ainda maior, pois, segundo a casa, o consenso do mercado era algo até 90% menor do que o registrado. 

Simule seus investimentos com um especialista e confira as melhores opções de acordo com seu perfil

“Os resultados foram outra prova do cenário favorável do setor, já que os preços do Brent melhoraram 13% na base trimestral, as vendas e os volumes de produção se recuperaram e o real permaneceu relativamente fraco” afirmaram os analistas Thiago Duarte, Pedro Soares e Bruno Lima, do BTG.

O motivo para a melhora da performance foi unanimidade. Os analistas do BB BI, braço de investimentos do Banco do Brasil, foram no mesmo caminho. “O resultado operacional foi robusto e as condições macro (petróleo e câmbio) foram muito favoráveis, o que alinhou distintas condições para os bons números do trimestre”, disse o especialista da casa Daniel Cobucci.

Outro ponto destacado por todos foi a redução de 31,7% da dívida líquida da Petrobras, que ficou em R$ 266,4 bilhões. “Com esse número, é provável que a companhia atinja sua meta de endividamento bruto, abaixo de US$ 60 bilhões. Além disso, a empresa se coloca em condição muito mais favorável com o atual patamar”, comentou Cobucci. 

Passado da Petrobras agrada, mas futuro nem tanto

A distribuição de R$ 31,6 bilhões em dividendos, ou US$ 6 bilhões (um yield de 9,1%) também foi apontada pela maioria dos analistas como positiva. “Os dividendos são um vislumbre do poder de geração de caixa da Petrobras”, afirmou o BTG.

Para o BB BI, porém, a decisão pode não ter sido tão sábia. Para o analista da casa, a companhia poderia utilizar os recursos de maneira mais estratégica, deixando de vender alguns ativos importantes ou investindo em energias renováveis. “A empresa poderia focar na perenidade e na diversificação de receitas futuras ao invés de privilegiar o curto prazo”, expôs. 

Apesar do bom resultado, o analista contesta a performance futura da companhia, uma vez que a Petrobras está, no momento, tentando vender metade das suas refinarias: a receita deste braço foi destaque no último trimestre, responsável por R$ 63,8 bilhões dos R$ 110 bilhões totais. 

“Isso nos leva a questionar o potencial de rentabilidade com apenas metade do parque de refino caso todas as refinarias anunciadas sejam vendidas”, contestou. 

O BTG não comentou esse caso, mas se manteve com o pé atrás com as ações da empresa, apontando para o risco político. “O ruído envolvendo a interferência no preço do combustível (e agora também o GLP), bem como a extensão do prazo de venda das refinarias, ainda nos deixa céticos de que os investidores pagarão pelo re-rating que um operador totalmente independente mereceria”, finalizaram. 

PetroRio e 3R Petroleum veem com resultado em linha com o consenso e têm horizonte calmo à frente

As duas outras companhias de petróleo listadas na B3 – essas bem menores que a Petrobras – também trouxeram resultados positivos, mas sem surpreender tanto na comparação com aquilo que era esperado pelo mercado.

A PetroRio (PRIO3), que lucrou R$ 402,9 milhões de forma líquida, teve uma receita recorde, crescendo 56,1% no trimestre e superando, pela primeira vez, a marca de R$ 1 bilhão. “Bons resultados de produção e boa execução dos projetos propostos pela companhia”, pontuaram Felipe Ruppenthal e Lucas Chaves, da Eleven.

Tanto o BTG quanto a Eleven, apesar do bom resultado, apontaram, porém, para o aumento dos custos dos produtos vendidos da PetroRio. A alta é explicada de maneira, majoritariamente, positiva: pelo crescimento do volume extraído e com mais despesas gerais e administrativas envolvendo geologia e geofísica para projetos futuros. Mas houve, também, imprevistos, com paradas não esperadas nos campos de Tubarão Martelo. 

Diferentemente da Petrobras, porém, mesmo com esse leve avanço dos gastos, não há neblina nos horizontes da PetroRio. “A companhia espera reduzir ainda mais os custos. Projetos de recuperação e desenvolvimento dos campos contribuirão ainda mais para o aumento da produção”, afirmou a Eleven. “Esperamos que os custos despenquem a partir do segundo semestre devido ao tieback recém-concluído de Polvo e Tubarão Martelo”, disse o BTG.

Além disso, a PetroRio, para as duas casas, está com uma posição boa de caixa, que a coloca em excelente posição para agir enquanto a Petrobras realiza desinvestimentos. 

Posição de caixa abre espaço para aquisições em meio a desinvestimentos da Petrobras

A 3R Petroleum (RRRP3), para a Eleven, teve a receita de R$ 152,8 milhões – crescendo 15,1% no trimestre, vindo em linha com a estimativa, com, além do Brent e do dólar, um bom resultado no Polo Macau. 

A companhia está com sua margem Ebitda, entretanto, um pouco abaixo das expectativas, com maiores gastos operacionais, devido a uma maior estruturação corporativa e maiores gastos com energia elétrica.

O único polo da companhia viu sua produção crescer 3,6% na base trimestral e já em julho bater um novo recorde de produção diária. “Isso mostra que a gestão da companhia tem surtido resultados na revitalização do Macau”, afirmaram os analistas. 

E o esperado é que isso seja visto também nos polos que a companhia está para assumir, como no caso do Pescada e Arabaiana, que devem sair da asa da Petrobras para o da 3R no quarto trimestre deste ano. 

O closing do Polo Rio Ventura, finalizado no dia 15 de julho, e a boa posição de caixa no final de junho (de R$ 1,4 bilhão), deixa a 3R Petroleum também, para a Eleven, bem posicionada para o futuro. 

3R e PetroRio com recomendação de compra, Petrobras nem tanto

Com isso tudo, as caras mantiveram suas recomendações de compra para a 3R Petroleum e para a PetroRio. Para a primeira, a Eleven definiu o preço-alvo em R$ 22,50 e o BTG em R$ 23. Para a 3R, a Eleven ficou a meta em R$ 65.

A Petrobras, porém, gera diferentes sentimentos entre as casas. BB Bi e Eleven mantiveram recomendação de compra, enquanto o BTG se manteve neutro.

Quer saber mais sobre investimentos? Converse com um assessor. Basta preencher o formulário abaixo!

Cases da Bolsa

Aprenda análise fundamentalista de ações na prática, com maiores cases já criados na B3