Depois de PETR4, Bolsonaro promete mudanças na energia elétrica

Felipe Moreira
Especialista em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 8 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Certificações: CPA-10, CPA-20 e AAI. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro cumpriu o que prometeu e trocou o comando da Petrobras (PETR4 PETR3). Ele anunciou a demissão do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, e nomeou para o cargo o general Joaquim Silva e Luna, que estava na direção de Itaipu.

Agora, promete mais mudanças para a semana, tendo como novo foco o setor de energia elétrica. “Mudança comigo não é de bagrinho, é de tubarão”, afirmou a apoiadores. No sábado, afirmou que vai “meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”.

Além do alerta de ingerência para este setor específico, outro foi acionado no Banco do Brasil (BBAS3). Isto porque, em episódio recente, Bolsonaro ameaçou demitir o presidente do BB, André Brandão. Ele ficou insatisfeito com o plano de fechamento de agências e consequentes demissões do banco. Segundo o blog do Vicente, do Correio Braziliense, o BB segue atento a qualquer movimento presidencial.

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“Como governante, preciso trocar as peças que, porventura, não estão dando certo. Pior do que decisão mal tomada é uma indecisão. O que não falta para mim é coragem para decidir”, disse Bolsonaro.

Mudanças na Petrobras

Na quinta-feira (18), a Petrobras anunciou um novo aumento, o quarto no ano, nos preços da gasolina e do diesel. O valor do litro nas refinarias chegará a R$ 2,48 (gasolina) e R$ 2,58 (diesel). Os aumentos somam 15,2% para o diesel e de 10,2% para a gasolina.

Os aumentos têm o objetivo de contrabalancear as perdas obtidas durante 2020 por conta da pandemia e a consequente diminuição da demanda por combustível.

Na sexta (19), Bolsonaro afirmou que haveria mudanças na Petrobras, mas que jamais interferiria nas políticas de preços da empresa. Ele cobra previsibilidade nos reajustes dos preços dos combustíveis.

“Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobrás. Jamais vamos interferir nessa grande empresa na
sua política de preço, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes”, disse Bolsonaro durante
evento do governo sobre obras de transposição do Rio São Francisco em Sertânia (PE). “Faça-os (reajustes), mas com previsibilidade, é isso que nós queremos”.

No entanto, a indicação ainda depende de aprovação do Conselho de Administração da Petrobras, que, nesta tarde, ameaçava demissão em grupo, em demonstração de apoio ao atual presidente Castello Branco.

O mandato de Castello Branco termina em 20 de março e, na terça-feira, haverá reunião do conselho, já prevista, em que a recondução do executivo para mais um mandato seria examinada. Seria a última reunião ordinária do conselho antes do fim do mandato.

Com isso, o ADR ON da Petrobras recua 15,14% no after hours da Bolsa de Nova York.

Petrobras notificada

Em nota à imprensa, a Petrobras informou sobre recebimento de ofício do Ministério das Minas e Energia, convocando uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE), com “o objetivo de promover a substituição e eleição de membro do Conselho de Administração, e indicando Joaquim Silva e Luna, em substituição a Roberto da Cunha Castello Branco.”

Além disso, a União propõe que, por conta da última Assembleia Geral Ordinária ter sido adotado o voto múltiplo, que todos os membros do Conselho de Administração sejam, imediatamente, reconduzidos na própria AGE para cumprimento do restante dos respectivos mandatos.

“O ofício solicita ainda que Joaquim Silva e Luna seja, posteriormente, avaliado pelo Conselho de Administração da Petrobras para o cargo de Presidente.”

Por fim, a nota acrescenta que os diretores e o próprio Castello Branco tem mandato vigente até o dia 20 de março de 2021.

Ações da Petrobras fecham em baixa

As ações da Petrobras recuaram forte nesta sexta-feira (19), repercutindo a polêmica quanto à ingerência de Bolsonaro sobre a estatal.

As ações preferenciais (PETR4) recuaram 6,63%, cotadas a R$ 27,33; e as ordinárias (PETR3) caíram 7,92%, a R$ 27,10.

O valor de mercado da Petrobras passou de R$ 383 bilhões na quinta para R$ 354,8 bilhões nesta sessão, perda de R$ 28,2 bilhões em valor de mercado.

Aumentos dos preços dos combustíveis

A Petrobras anunciou na quinta-feira (18) um novo aumento, o quarto no ano, nos preços da gasolina e do diesel.

Com isso, o litro nas refinarias chegará a R$ 2,48 (gasolina) e R$ 2,58 (diesel). Os aumentos somam 15,2% para o diesel e de 10,2% para a gasolina.

Os aumentos têm o objetivo de contrabalancear as perdas obtidas durante 2020 por conta da pandemia e a consequente diminuição da demanda por combustível.

Composição dos preços

No comunicado sobre o aumento, a companhia afirmou que “o alinhamento dos preços ao mercado internacional é fundamental para garantir” que o mercado brasileiro “siga sendo suprido sem riscos de desabastecimento”.

Em seguida elenca os diferentes atores responsáveis pelo atendimento às diversas regiões brasileiras: distribuidores, importadores e outros refinadores, além da Petrobras.

“Este mesmo equilíbrio competitivo é responsável pelas reduções de preços quando a oferta cresce no mercado internacional, como ocorrido ao longo de 2020”, acrescentou.

Variações nos preços

De acordo com a petroleira, os preços praticados e suas variações para mais ou para menos são associadas ao mercado internacional e à taxa de câmbio – com influência limitada sobre os preços percebidos pelos consumidores finais.

Dessa forma, o preço da gasolina e do diesel vendidos na bomba do posto revendedor é diferente do valor cobrado nas refinarias da Petrobras.

Até chegar ao consumidor são acrescidos tributos federais e estaduais, custos para aquisição e mistura obrigatória de biocombustíveis, além das margens brutas das companhias distribuidoras e dos postos revendedores de combustíveis, acrescentou.

Veja a composição do preços dos combustíveis

Cálculo baseado nos preços médios da Petrobras e no levantamento de preços ao consumidor final em 13 capitais e regiões metropolitanas brasileiras publicado pela ANP para a semana de 07 a 13/02/2021.

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“Vale destacar ainda que as revisões de preços feitas pela Petrobras podem ou não se refletir no preço final ao consumidor”, acrescentou.

“Como a legislação brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, a mudança no preço final dependerá de repasses feitos por outros integrantes da cadeia de combustíveis.”

Preço final no Brasil e no mundo

A Globalpetrolprices.com pesquisou o preço médio de 167 países e o valor, em dólares, foi 17% inferior à média mundial.

Assim ocupando a 56ª posição do ranking – abaixo de 111 países.

No caso do diesel, com base no levantamento de 166 países, os valores cobrados no Brasil são 28% inferiores à média mundial, ocupando 43ª posição – inferior a 123 países.

Em ambos os casos, os preços médios no Brasil estão abaixo dos preços registrados no Chile, na Argentina, no Peru, no Canadá, na Alemanha, na França e na Itália, destaca a Petrobras no material enviado à imprensa.