Petrobras (PETR4), inflação, IPOs e payroll agitam semana

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)
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Crédito: Reprodução/Agência Petrobras

A semana promete pautas e indicadores de peso. Na agenda estão a decisão do Supremo Tribunal Federal a respeito da venda de refinarias da Petrobras (PETR4) e termômetros da inflação como a divulgação do IGP-M.

No setor corporativo, destaque para mais estreias na bolsa: Compass e a Boa Vista começam a negociar seus papéis na B3 após uma semana em que a onda de IPOs deu mostras de desaceleração.

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Na agenda externa, investidores estarão de olho em anúncios como o do payroll, o relatório americano de emprego, números do PIB dos EUA e o da confiança do consumidor.

Os EUA terão numa semana de temperatura política especialmente alta.

Faltando pouco mais de um mês para as eleições americanas, o republicano Donald Trunp e o rival democrata Joe Biden protagonizam o primeiro debate da corrida pela presidência na terça (29).

Bolsas entre perdas e ganhos

Em dias de apreensão e aguda volatilidade no mercado, a bolsa completou a quarta semana consecutiva em queda: 1,31% –contra 0,07% na semana encerrada na sexta (18).

A sexta-feira (25) fechou a semana com estabilidade: menos 0,01%, ficando com 96.999,38 pontos.

Em Nova York, os índices terminaram a sexta no positivo, com as ações de tecnologia recuperando terreno depois de baixas insistentes no mês.

Gerou algum otimismo. Contudo, a toada das bolsas americanas continua travada, como ocorre em São Paulo: Wall Street chegou à quarta semana consecutiva em queda perdas, exceto Nasdaq.

Riscos

No Brasil, debates e possíveis decisões em torno de questões fiscais, a possível “nova CPMF” e a desconfiança com ações do governo e Congresso puxaram o índice para o negativo, na faixa dos 97 mil pontos.

No mês a queda acumulada está em 2,38%. No ano, as perdas somadas chegam a 16,12%.

O dólar fechou a sexta com alta. A moeda norte-americana se elevou em 0,81%, indo a R$ 5,5553, e fechou a semana com mais 3,36%.

Vão pesar nos altos e baixos da bolsa temas que vão da discussão de vetos presidenciais – abrangendo o Marco Legal do Saneamento –, ao novo imposto digital (CPMF) e a nova proposta do Renda Cidadã.

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A pauta é decisiva para mensurar riscos fiscais, que vêm preocupando os investidores.

Lá fora e aqui, se mantêm no radar do mercado assuntos das últimas semanas: os números altos de coronavírus — na Europa, EUA e Brasil — e o desempenho das big techs.

E, nesta semana, o primeiro debate presidencial nos EUA acirra a disputa eleitoral em uma campanha no meio da pandemia.

A pandemia e a abordagem do governo para combatê-la, além os rumos da economia impactada pela crise sanitária, estarão no centro do debate.

O quadro geral, portanto, no mercado sugere incertezas e mais dias de descidas e subidas bruscas nas bolsas.

Petrobras: STF julga venda de refinarias

O STF volta a discutir essa semana se a Petrobras poderá ou não vender suas refinarias.

O ministro Luiz Fux, presidente do STF, pautou para a quarta (30), o julgamento que vai decidir pelo impedimento ou não da venda das refinarias da Petrobras.

Já são três os votos a favor do impedimento. A tendência é de que as vendas sejam impossibilitadas.

Os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski votaram contra a continuidade de processos em curso para venda das refinarias da Petrobras.

O placar atual do plenário virtual está em 3 a 0 pela paralisação dos processos de venda, após o ministro Edson Fachin ter iniciado  a análise do caso com um voto contrário às intenções da Petrobras.

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Petrobras: venda de ativos

A  votação acontece porque o Senado encaminhou ao STF uma suspeita de que o governo estaria fazendo uma manobra para vender estatais sem necessidade de aval do Congresso ou licitação.

O argumento foi que a  venda das refinarias iria contra uma decisão anterior da própria corte no ano passado, segundo a qual seria necessário aval do Congresso para a venda de ativos de uma empresa matriz.

O julgamento está em andamento enquanto a estatal conversa sobre a venda de suas unidades de refino na Bahia e no Paraná.

A intenção é se desfazer de oito refinarias em meio a seu programa de desinvestimentos.

IPOs

A fase de estreias na bolsa — que este ano já movimentou em torno de R$ 14 bi — prossegue esta semana com mais duas ofertas.
Embora os últimos dias tenham dado sinais de que o movimento intenso de IPOs possa estar arrefecendo, a expectativa pelas novas empresas na bolsa é alta.

O freio na onda dos IPOs começou com a suspensão de empresas como You Inc, Riva 9 e do banco BR Partners.

A Caixa Seguridade, que realizaria o maior IPO do ano, informou no último dia 24 que vai adiar sua estreia.

Outras cinco empresas interromperam o processo: Vamos, Allided, Canopus, BBM Logística e Almeida Junior.

Além disso, algumas ofertas vieram com o preço abaixo da faixa indicativa de preço.

Desse grupo fazem parte três subsidiárias da Cyrela (CYRE3), a Cury, a Plano & Plano e a Lavvi. As ações da Pague Menos também saíram abaixo da faixa indicativa de preço.

Já entre as precificações mais recentes, a Hidrovias Brasil e a Melnick tiveram suas ações precificadas no piso da faixa indicativa de preço.

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Ainda assim, espera-se um alento com as ofertas da Compass (PASS3) e a Boa Vista na quarta (30).

A Melnick (MELK3), subsidiária da Even (EVEN3), levantou R$ 713,58 milhões em sua oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês), conforme fato relevante publicado nesta quinta-feira (25).

Segundo o documento, na tranche primária foram captados R$ 620,5 milhões, mediante a emissão de 73 milhões de novas ações.

Já com a venda do lote adicional movimentou R$ 93,1 milhões.

Inflação: IGP-M

Em meio a um período de alta de preços, as atenções se voltam para divulgação de índices inflacionários.

Na próxima terça (29), será a vez do IGP-M, que reportará o resultado de setembro.

O O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ajusta os aluguéis, é composto por três indicadores.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) representa 60% do IGP-M. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) responde por 30%.

E o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), pelos outros 10%.

O IGP-M variou 2,74% em agosto, com avanço em relação ao apurado em julho. No mês anterior, o indicador ficou em 2,23%.

Com isto, o IGP-M acumula alta de 9,64% no ano e de 13,02% em 12 meses até agosto. No mesmo mês de 2019, o índice havia caído 0,67% e acumulava alta de 4,95% em 12 meses.

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Pnad e Caged

A agenda doméstica terá ainda a divulgação de outros dois índices.

Na terça será anunciado o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de agosto. O mês de julho fechou com evolução positiva do emprego formal.

De acordo com o órgão ligado ao Ministério da Economia, o saldo líquido de empregos com carteira assinada no período somou 131.010 vagas abertas.

Entre 1 e 31 de julho de 2020, foram contratados 1.043.650 trabalhadores formais, e demitidos 912.640.

Segundo o Caged, os números de julho colocaram um ponto final em uma série de quatro meses consecutivos de queda – março, abril, maio e junho.

A Pnad sai na quarta (30).

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) revelou que o número de pessoas ocupadas no Brasil teve redução recorde de 9,6% no trimestre encerrado em junho, frente ao trimestre anterior.

A queda foi de 8,9 milhões de ocupados.

Dessa forma, a taxa de desocupação subiu de 12,2% para 13,3%, pouco acima da projeção de 13,2% do mercado.

Os desocupados ficaram estáveis em 12,8 milhões.

Payroll

A agenda externa tem principais pontos a divulgação do payroll de setembro, na próxima sexta (2).

O payroll, folha de pagamento oficial não-agrícola dos Estados Unidos, apontou a criação de 1,371 milhão de vagas de emprego em agosto, pouco abaixo dos 1,4 milhão projetados pelo mercado.

Em julho, o payroll apontou a abertura de 1,763 milhão de postos de trabalho.

O número veio acima dos 1,5 milhão aguardados pelo mercado. Mas bem abaixo dos 4,791 milhões de junho.

A taxa de desemprego de caiu de 10,2% em julho para 8,4, segundo o Bureau of Labor Statistics, do Departamento de Trabalho dos EUA.

PIB dos EUA

O PIB dos EUA do segundo trimestre, em sua terceira revisão, dará números finais ao indicador na quarta (30).

A segunda leitura prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos Estados Unidos veio melhor do que o mercado aguardava.

Apontou queda de 31,7%, ante 32,9% da primeira leitura.

O resultado é o mais baixo desde os anos 1940, de acordo com o Bureau of Economic Analysis, do Departamento do Comércio dos EUA.

Índices como o da Confiança do Consumidor do EUA em setembro, divulgado na terça, completam a agenda.

O indicador voltou a cair em agosto.

É o que aponta o Índice de Confiança do Consumidor auferido pelo Conference Board.

A leitura deste mês ficou em 84,8 pontos, ante 91,7 de julho (ajustado de 92,6 anunciados anteriormente).

Dois meses antes, em junho, a leitura era de 98,3 pontos.

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