Petrobras (PETR4) e parceiros pensam em IPO de empresa de gasodutos

Paulo Amaral
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Crédito: Arquivo Agência Brasil

O presidente da Petrobras (PETR4) confirmou que está articulando, junto de alguns parceiros, uma oferta inicial de ações (IPO) de uma empresa de gasodutos.

Roberto Castello Branco afirmou, nesta quinta-feira, que está em conversas com outras companhias, como a anglo-holandesa Shell, para fazer a oferta da empresa criada para operar infraestruturas de escoamento e processamento de gás.

Os contratos para compartilhamento de ativos de escoamento de gás do pré-sal com a Shell Brasil, Petrogal Brasil e Repsol Sinopec Brasil foram assinados pela Petrobras no fim de setembro.

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“É uma oportunidade de criação de uma empresa de ‘midstream’, fazer um ‘spin-off’ (cisão) e a criação de uma empresa de ‘midstream’ cujas ações poderão ser lançadas no mercado, pode ser alvo de um IPO”, analisou o presidente da Petrobras.

“(A empresa) se transformaria em um veículo de ‘midstream’ para construção de novos gasodutos no Brasil com recursos da iniciativa privada, dispensando recursos públicos para isso”, completou.

Os acordos entre as empresas preveem que haja uma interligação física e compartilhada nas chamadas rotas 1, 2 e 3 de gasodutos para escoamento da produção do pré-sal.

O executivo afirmou, no entanto, que a possível IPO não tem data para ocorrer e nem quantas empresas parceiras seriam “convidadas” a participar do processo com a Petrobras.

Presidente da Petrobras nega pressão por dividendos

Castello Branco aproveitou a chance para negar que a Petrobras tenha sofrido qualquer pressão do governo para pagamento de dividendos.

A estatal anunciou, recentemente, uma revisão na política de remuneração aos acionistas, mas justificou que a decisão foi tomada “porque o fluxo de caixa tem maior peso para a companhia do que os resultados contábeis”.

“Há uma especulação maldosa sobre a decisão da companhia. Alguns levantaram a suspeita de que a Petrobras está mudando as regras, e não está mudando regra nenhuma, para beneficiar a União, porque a União precisa de recursos para cobrir seu déficit… seria muito pouco inteligente tentar fazer isso”, discursou o presidente.

Segundo Castello Branco, o Governo Federal tem direito de receber R$ 360 mil a cada R$ 1 milhão em dividendos distribuídos pela companhia, por conta da participação acionária no capital da estatal.

Mesmo assim, garantiu o executivo, “em nenhum momento houve interferência na gestão da Petrobras”.

Refinaria no Paraná

O presidente da Petrobras jogou para dezembro o prazo para receber ofertas vinculantes pela refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), que fica no Paraná.

“Está tudo prosseguindo como esperado, exceto pelo fato, como mencionei, de um atraso devido à Covid-19”, afirmou, quando questionado sobre a venda de ativos.

A estatal já tem algumas ofertas em mãos pela Repar, mas deixou claro que abriria uma nova rodada de negociações. Segundo a Agência Reuters, tal atitude foi tomada porque a empresa considerou os valores oferecidos muito baixos.

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