Petrobras (PETR4): minoritários pedem à CVM investigação por “insider trading”

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação/Twitter

A Abradin, associação que representa investidores minoritários, pediu à CVM que investigue um operador por insider trading com ações da Petrobras (PETR4).

De acordo com informações passadas para a agência Reuters por Aurélio Valporto, presidente da Abradin, a operação ilícita teria acontecido entre uma reunião em Brasília, na qual foi definida a saída de Roberto Castello Branco da presidência da estatal, e a indicação de Bolsonaro para o general Joaquim Silva e Luna ser o novo responsável pela companhia.

Nessa data, um operador teria se aproveitado da posição privilegiada e comprado um volume expressivo de ações da Petrobras, apostando na queda futura, que acabou se consumando.

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A operação teria rendido cerca de R$ 18 milhões, um volume nunca antes registrado na bolsa paulista em casos como esse, segundo o economista.

“Já está muito claro que houve crime e tem evidências sobre isso tudo. A sociedade e o judiciário precisam entender que isso é roubo. São pessoas ganhando e, se não houver punição, a credibilidade do mercado é minada e nunca teremos nele uma fonte de financiamento do país”, disse Valporto.

“A operação com a opção tinha tudo para virar pó, mas quem fez isso, comprar 4 milhões de opções, sabia que ia cair mais ainda. Não há dúvidas que houve vazamento sobre a troca na Petrobras, crime de ‘insider trading’.”

A gangorra da Petrobras na bolsa

Desde o início da interferência do presidente Bolsonaro na Petrobras, as ações preferenciais da empresa já recuaram 22,7%.

Nesta quarta-feira, dia em que mais um escândalo foi revelado, as ações chegaram a apresentar baixa de 4% até o meio da tarde.

Ao fim do pregão, a Petrobras ON (PETR3) caiu 4,29% e PN (PETR4) teve queda de 3,64%.

As ações estavam entre as cinco maiores baixas do Ibovespa. Na terça (3), cinco conselheiros recusaram manter seus cargos após AGE, após a troca de comando na estatal.

Apuração

A Abradin, responsável pela ação, agora espera que as denúncias sejam apuradas com rigor e o processo encaminhado ao Ministério Público.

“A CVM é o primeiro passo, até porque ela sabe de todas as operações que ocorrem na B3. Esperamos que a CVM dê uma satisfação e, se ela e o MP não fizerem nada, nós faremos na Justiça, como fizemos com o Eike”, disse Valporto.

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários, as denúncias serão apuradas. Procurada pela Reuters, a CVM se posicionou.

“A CVM acompanha e analisa informações e movimentações envolvendo companhias abertas, tomando as medidas cabíveis, sempre que necessário.”

CVM já tem três processos em análise

A ação da Abradin não é a única movida contra a Petrobras em análise pela CVM. Na terça (03), ela confirmou a abertura do 3º processo administrativo para investigar informações sobre a Petrobras (PETR4) desde que o presidente Jair Bolsonaro iniciou uma queda de braço com a estatal.

No sábado, 20 de fevereiro, um dia após indicar o general Joaquim Silva e Luna para substituir Roberto Castello Branco, Bolsonaro deu sua primeira cartada. Três dias depois, a CVM abriu mais um procedimento e, na segunda (1), o terceiro.

Segundo o Estadão/Brodcast, todos constam em pesquisa no sistema da Petrobras, com a informação de que tratam de supervisão de “notícias, fatos relevantes e comunicados”, sem maiores detalhes.

A Superintendência de Relações com Empresas (SEP) é a responsável pelas apurações em duas frentes.

A área técnica fica com a missão de coordenar, supervisionar e fiscalizar os registros de companhias abertas e de outros emissores, além de fiscalizar a observância de normas sobre registros e a divulgação de informações pelas companhias.