Petrobras (PETR3): plano de investimentos continua intacto

Osni Alves
Jornalista | osni.alves@euqueroinvestir.com
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Crédito: Sergio Moraes

Presidente da Petrobras (PETR3), Roberto Castello Branco disse que o plano de investimento da companhia continua intacto.

A afirmação do executivo é um contraponto às especulações do mercado que se questiona como a petroleira enfrentará a crise econômica e a crise recente do preço do petróleo.

“A Petrobras tem musculatura para sobreviver com o preço do barril a 15 dólares, mas acreditamos que com a aceleração da estratégia traçada em janeiro de 2019 e a aceleração da transformação digital da companhia, seremos capazes de gerar muito valor no futuro”, frisou.

E reforçou: “nenhum plano estratégico mudou na Petrobras, continuamos com a mesma visão, apenas tendo que ir mais fundo, acelerando os processos para chegar mais rápido ao destino.”

Castello Branco e demais diretores participaram de uma coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira (15) por meio de um canal digital. A companhia teve prejuízo de R$ 48,5 bilhões no primeiro trimestre de 2020.

PETR3: demissão

O executivo também ressaltou que não existe por parte da empresa nenhum plano de demissão em massa. “Não existiam, não existem, e não existirão.”

Com relação à pandemia, ele frisou que a petroleira traçou vários cenários e o mais provável é o de recuperação lenta.

Para ele, tanto a quarentena quanto o desemprego mundial, em elevação, bem como a alavancagem do endividamento das empresas e famílias irá mudar o hábito das pessoas.

No entendimento do presidente, as companhias poderão ter menos necessidade de deslocamento, por conta do home office e dos meios digitais, cada vez mais difundidos no ambiente de trabalho.

Isso poderá afetar o consumo e a demanda do commoditie. No curto prazo, existe ainda a possibilidade da chamada segunda onda do coronavírus.

Trata-se da possibilidade de um novo pico de contaminação. Apesar do cenário adverso, a companhia, segundo ele, está focada em continuar gerando valor.

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PETR3: o plano de saúde e a Lava Jato

Roberto Castello Branco disse que a petroleira identificou 18 ex-funcionários condenados na Lava Jato usufruindo do plano de saúde da companhia.

“Somente um deles gastou R$ 400 mil no ano passado”, frisou. A Petrobras estuda o cancelamento do AMS (Assistência Multidisciplinar de Saúde) por considerar ineficiente e caro.

Segundo ele, também foi constatada uma inadimplência de R$ 79 milhões por conta de segurados que não pagam as mensalidades.

A auditoria da petroleira recebeu 2.595 reclamações contra o plano de saúde recentemente.

O Conselho de Administração da Petrobras já aprovou novo modelo de gestão para o AMS prevendo economia de pelo menos R$ 6,2 bilhões em dez anos.

A petroleira deve agora estruturar o plano de implantação e transição pelos próximos meses para uma nova aprovação interna.

Em nota, a empresa disse que o modelo de assistência à saúde visa dar maior segurança empresarial com tecnologia, governança e compliance, por meio de gestão profissional.

Também com expertise em saúde suplementar, possibilitando a melhoria da qualidade dos serviços e do atendimento aos beneficiários.

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PETR3: o plano estratégico

O Plano Estratégico da Petrobras para o período 2020-2024, divulgado em 28 de novembro do ano passado, prevê investimentos totais US$ 75,7 bilhões.

Também impõe um corte de 10% em relação ao montante de US$ 84,1 bilhões do plano anterior (2019-2023).

O valor do primeiro plano da gestão de Castello Branco coloca a petroleira de volta ao patamar das premissas definidas em 2017 e 2016 para os planejamentos de 2018-2022 e 2017-2021.

À época do anúncio, o mercado estimava que a petroleira mantivesse o patamar de investimentos inalterado, ou pelo menos acima do montante de US$ 80 milhões.

Entre os fornecedores, não havia expectativa de aumento, mas também não era esperado um corte de US$ 8,4 bilhões, até por conta da estratégia de se comprometer com cifras bilionárias ao adquirir as áreas de Búzios, Itapu e Aram nos leilões recentes.

Quanto às atividades de E&P, sobretudo no pré-sal, a Petrobras destinará US$ 64,3 bilhões ao segmento, o que representa 85% do montante total.

O investimento impõe um corte de quase 5%, ante o valor de US$ 68,8 bilhões do plano de 2019-2023.

A Petrobras previa, à época, a entrada em operação de um total de 13 novos sistemas de produção no período de 2020 a 2024.

A meta de produção para 2020 é atingir 2,7 milhões de boepd, volume igual ao programado para ser alcançado no final de 2019.

A projeção é que o volume de óleo extraído pela petroleira em 2024 atinja a marca de 3,5 milhões de boepd.

Os outros US$ 11,4 bilhões de investimentos serão divididos entre os demais segmentos de atuação da companhia, como Refino, Gás e Energia e Tecnologia.

Veja o desempenho da PETR3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.