Petrobras (PETR3 PETR4) tem prejuízo de R$ 48,5 bi no 1TRI20

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: Agência Petrobras

A Petrobras (PETR3 PETR4) reportou um prejuízo líquido de R$ 48,523 bilhões no primeiro trimestre deste ano.

Dessa forma, a empresa reverte lucros de R$ 8,153 bilhão de outubro a dezembro e de R$ 4,031 bilhões de janeiro a março, ambos do ano passado.

Já o lucro antes juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 37,504 bilhões, alta de 36,% na comparação anual e de 2,7% na trimestral.

Enquanto isso, o Ebtida ajustado recorrente atingiu R$ 36,925 bilhões, alta de 27% no ano, mas queda de 0,9% na comparação com quarto trimestre.

Causas do prejuízo da Petrobras

Conforme a petroleira, o prejuízo acontece principalmente devido ao impairment (perdas por desvalorização de ativos)de R$ 65,3 bilhões, e proveniente da revisão das premissas de longo prazo para o Brent frente ao novo cenário mundial.

“Nossos resultados também foram impactados pela queda do Brent e pelas perdas com variação cambial decorrentes da forte desvalorização do real frente ao dólar”, acrescentou.

De acordo com a petroleira, estes fatores foram atenuados por maiores volumes de exportação, maiores margens nos derivados, menores despesas, incluindo gastos gerais e administrativos, exploratórios e tributários, bem como ganhos com hedge.

Adicionalmente, a empresa informou que, desconsiderando os efeitos especiais, como impairment e ágio na recompra de bonds, o prejuízo seria menor.

Assim, o prejuízo líquido recorrente dos acionistas da Petrobras atingiu R$ 4,637 bilhões, ante lucros de R$ 12,9 bilhões do quarto trimestre e de R$ 5,113 bilhões do primeiro trimestre de 2019.

Resultado financeiro

O resultado financeiro negativo somou R$ 21,178 bilhões, alta de 221% ante o quarto trimestre e aumento de 151% frente o primeiro trimestre do ano passado.

Segundo a empresa, o aumento é oriundo, principalmente, da maior despesa com variação cambial e monetária.  Destacam-se:

  • Maior despesa com variação cambial real x dólar, devido ao aumento da exposição passiva média; e
  • Maior realização de hedge accounting, refletindo principalmente as exportações cujas variações cambiais foram designadas em relações de hedge para os meses de abril a dezembro/2020 e que foram menores que o previsto devido às novas projeções do Brent como resultado do novo contexto pós-Covid-19, sendo reclassificadas do patrimônio líquido para o resultado do primeiro trimestre.

Veja os principais números do balanço:

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Receita

Entre as razões para a retração da receita, sobretudo ante o quarto trimestre do ano passado, estão a desvalização da cotação do Brent e ao menor volume de venda de derivados no mercado interno.

No Brasil, puxaram a queda o diesel, a gasolina e a QAV.

“Estes produtos foram os mais afetados pelos impactos das medidas de isolamento social implementadas devido à Covid-19 a partir do mês de março”, explicou.

Adicionalmente, o diesel, a gasolina e o GLP também sofrem efeitos sazonais no período, já que o quarto trimestre apresenta maior atividade industrial e temperaturas menores.

Por outro lado, houve um aumento significativo no volume exportado, principalmente de petróleo, com recordes registrados em janeiro e fevereiro.

Nos dois primeiros meses do ano, a queda do Brent ainda não era tão acentuada quando comparada a março, resultando em um aumento de 10,5% nas receitas com exportação.

Mais despesas

De janeiro a março, a empresa registrou um aumento expressivo das despesas operacionais, que subiram 243% em relação ao quarto trimestre.

Isto ocorreu, principalmente, pelo reconhecimento de R$ 65,3 bilhões em impairments.

“A queda abrupta do Brent a partir do mês de março e o novo cenário do mercado de petróleo nos levou a revisar projeções de preços da commodity, com redução significativa dos preços de petróleo e gás natural projetados”, informou.

Dessa forma, a empresa passou a assumir que o preço do Brent de longo prazo será em média US$ 50/bbl, contra US$ 65/bbl anteriormente.

Em vista disso, os ativos de exploração e produção (E&P) apresentaram perdas principalmente em decorrência dos menores fluxos de caixa projetados.

Houve ainda a hibernação de 62 plataformas de produção em águas rasas, as quais também contribuíram para o aumento do impairment.

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Dívida

Sobre o endividamento, a empresa ressaltou a crise do novo coronavírus forçou a empresa a tomar várias medidas conservadoras para preservar nossa posição de caixa.

Entre elas a retirada de linhas de crédito compromissadas, assinadas com vários bancos.

Além disso, acrescentou, o gerenciamento da dívida ajudou na redução da taxa de juros média para 5,6% em 31 de março ante 5,9% do final de 2019 e de 6,0% ante março de 2019.

Mesmo assim, a dívida líquida avançou 36% a R$ 346,7 bilhões ao final do primeiro trimestre.

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