Petrobras (PETR4) prorroga prazos com Sete Brasil e assume operações no AP

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Divulgação/Petrobras

A Petrobras (PETR3 PETR4) informou nesta segunda-feira (28) que aprovou uma segunda alteração da data limite para que certas condições precedentes previstas no acordo celebrado com a Sete Brasil sejam implementadas.

Em 24 de junho, a estatal tinha estendido o prazo para 30 de setembro e agora alterou para 14 de novembro. Segundo a companhia, a eficácia do acordo e dos demais contratos correlatos ainda depende do atendimento de certas condições

Em setembro de 2019, a Petrobras tinha firmado acordo com a Sete, que estabeleceu a manutenção dos contratos de afretamento e de operação referentes a quatro sondas, com vigência de 10 anos e taxa diária de US$ 299 mil.

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Além disso, previa o encerramento dos contratos celebrados em relação às demais 24 sondas e a saída da Petrobras e de suas controladas do quadro societário das empresas do Grupo Sete Brasil e do FIP Sondas, além do distrato de contratos não compatíveis com os termos do acordo.

Petrobras assumirá participação da Total em blocos no AP

A Petrobras informou também nesta segunda-feira que irá assumir a operação e a integralidade das participações da empresa Total E&P do Brasil em blocos localizados em águas ultra profundas no norte do Brasil, a aproximadamente 120 km do estado do Amapá, em fronteira exploratória de alto potencial na margem equatorial brasileira.

O acordo foi fechado na última sexta-feira e envolve os blocos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127.

Esses ativos foram adquiridos na 11ª Rodada de Licitação de Blocos da Agência Nacional do Petróleo (ANP) pelo consórcio operado pela Total, com 40% de participação, tendo como parceiras a Petrobras (30%) e a BPEnergy do Brasil  (30%).

Segundo a estatal, com este acordo e conforme previsto nas regras do consórcio, a Petrobras poderá aumentar a sua participação de 30% para pelo menos 50%, podendo chegar a 70%, caso a BP não manifeste interesse em incrementar a sua participação. A transação está sujeita a aprovações dos órgãos reguladores.

Em comunicado, a Petrobras reitera que o negócio está em linha com o processo de gestão de portfólio, que visa a maximização de valor para os seus acionistas, priorizando investimentos em ativos de classe mundial em águas profundas e ultraprofundas.

Produção em Tupi alcançou 2 bilhões de barris em julho

A estatal também informou a produção acumulada do campo Tupi, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, a aproximadamente 230 km da costa do estado do Rio de Janeiro

Segundo dados da ANP, Tupi atingiu 2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe) em julho de 2020. O campo é hoje o maior produtor em águas profundas do mundo, com produção de aproximadamente 1 milhão de barris por dia (bpd).

A Petrobras destaca que a produção acumulada ocorre apenas dez anos após a entrada do primeiro sistema de produção definitivo, Floating Production Storage and Offloading (FPSO) Cidade Angra dos Reis, e quatorze anos após a descoberta, em 2006.

A assinatura do contrato de concessão do bloco BM-S-11 está completando 20 anos. Entre 2010 e 2019, o consórcio, formado pela Petrobras, operadora com 65% de participação, em parceria com a Shell Brasil Petróleo (25%) e Petrogal Brasil (10%), colocou em operação nove sistemas de produção, uma média de um por ano.

Em comunicado, a estatal afirma que em conjunto com os seus parceiros do bloco BM-S-11 já desenvolve diversas iniciativas com o objetivo de revitalizar o campo ainda antes do início do seu declínio, buscando aumentar o fator de recuperação de óleo e gás que pode ser extraído do campo e, assim, maximizar o valor do ativo.

Linhas de crédito compromissadas

Por fim, a Petrobras também afirmou que realizou o pré-pagamento total do saldo devedor remanescente das suas linhas de crédito compromissadas (revolving credit lines) de US$ 2,0 bilhões.

Desta forma, a companhia pode recorrer a novos saques nas linhas compromissadas denominadas em dólares, de US$ 7,6 bilhões, e de R$ 4 bilhões, nas linhas em reais.