Petrobras (PETR3 PETR4) tem prejuízo de R$ 2,7 bi no balanço do 2TRI

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: Divulgação

A Petrobras (PETR3 PETR4) registrou prejuízo líquido de R$ 2,713 bilhões no balanços do segundo trimestre, revertendo lucro de R$ 18,866 bilhões de um ano antes.

Já o resultado líquido recorrente dos acionistas apontou prejuízo de R$ 13,732 bilhões, ante lucro de R$ 8,942 bilhões de igual período de 2019.

No acumulado do primeiro semestre, o prejuízo da Petrobras, no critério recorrente, somou R$ 18,369 bilhões, ante lucro de R$ 14,055 bilhões.

Enquanto isso, o prejuízo acumulado de janeiro a junho dos acionistas atingiu R$ 51,236 bilhões, revertendo lucro de R$ 22,897 bilhões.

Petrobras prejuízo

Sobre o prejuízo de R$ 2,7 bilhões do segundo trimestre, a empresa destacou, porém, a melhora na comparação com o primeiro trimestre, quando a perda foi de R$ 48,5 bilhões.

Isso aconteceu, principalmente, pela ausência de impairments no trimestre e ao ganho proveniente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS após decisão judicial favorável, que teve um efeito de R$ 10,9 bilhões no resultado.

“Excluindo esses fatores, o resultado teria sido pior devido aos impactos da Covid-19 em nossas operações, com reflexo nos preços, margens e volumes”, escreveu.

A Petrobras acrescentou que ocorreram maiores despesas operacionais relacionadas à hedge e à implementação dos planos de demissão voluntária.

O PDV gerou despesas de R$ 4,834 bilhões no balanço do segundo trimestre.

“Esses fatores foram parcialmente compensados pelo ganho com a equalização relativa aos AIPs da área de Tupi e dos campos de Sépia e Atapu e por menores gastos gerais e administrativos.”

Por outro lado, a atualização monetária de PIS e Cofins – exclusão do ICMS da base de cálculo gerou um ganho de R$ 9,250 bilhões.

Ebtida

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 24,986 bilhões no segundo trimestre deste ano.

Isso significa uma redução de 23,5% em relação ao resultado de um ano antes. Já na comparação com primeiro trimestre de 2020, houve uma retração de 33,4%.

No semestre, o Ebtida ajustado foi de R$ 62,490 bilhões, um aumento de 3,9% em relação ao primeiro semestre de 2019.

De acordo com a Petrobras, o desempenho foi impactado pela queda de 29% no Brent em reais, a alta volatilidade do mercado de óleo e gás e a contração da demanda global levou à redução nas margens de óleo e derivados.

O volume de vendas também foi impactado negativamente.

Além disso, influenciaram negativamente o provisionamento dos planos de demissão voluntárias (R$ 4,8 bilhões) e despesas com hedge (R$ 2,7 bilhões).

Na base recorrente, o Ebtida ajustado totalizou R$ 17,703 bilhões, queda de 47% na comparação com igual período do ano anterior.

O resultado financeiro foi um despesa de R$ 12,3 bilhões no período, uma elevação de 43,5% sobre as perdas financeiras registradas no mesmo período de 2019.

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Balanços Petrobras: plataformas de petróleo

Receita cai quase 30%

A receita líquida da Petrobras atingiu R$ 50,898 bilhões no trimestre, um recuo de 29,9% na comparação com igual período do ano anterior.

Em relação ao primeiro trimestre deste ano houve um recuo de 32,6%.

Já no primeiro semestre de 2020, a receita líquida caiu 11,9%, atingindo R$ 126,367 bilhões.

Conforme a Petrobras, a queda da receita foi em função dos impactos advindos da Covid-19 e do colapso dos preços de petróleo resultantes das negociações da OPEC+.  O Brent em reais caiu 29% em relação, intensificando a tendência que começou em março.

As medidas de distanciamento social refletiram uma redução no volume de vendas de 8%. Praticamente todos os produtos foram fortemente afetados.

Investimentos

A Petrobras investiu US$ 1,9 bilhão no segundo trimestre de 2020, queda de 20% em relação ao primeiro trimestre deste ano.

A estatal explica que baixa foi devida à desvalorização do real e ao ajuste feito no ano por conta da pandemia.

Os aportes foram destinados principalmente para o crescimento (70%).

De acordo com a Petrobras, os investimentos em crescimento são aqueles com o objetivo principal de aumentar a capacidade de ativos existentes, implantar novos ativos de produção, escoamento e armazenagem, aumentar eficiência ou rentabilidade do ativo e implantar infraestrutura essencial para viabilizar outros projetos de crescimento.

Além disso, inclui aquisições de ativos/empresas e investimentos remanescentes em sistemas que entraram a partir de 2018, investimentos exploratórios, e investimentos em P&D.

Dívida Petrobras

A dívida líquida da estatal encerrou o segundo trimestre em US$ 71,222 bilhões.

A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida/ Ebtida, ficou em 2,34 vezes no final de junho, ante 2,71 no mesmo período de 2019.

“Apesar da crise, a desalavancagem ainda é uma prioridade para a Petrobras”, disse a estatal.

Dessa forma, a Petrobras destaca que a empresa continua buscando a redução da dívida bruta para US$ 60 bilhões, em linha com a sua política de dividendos. No final de junho, a dívida bruta era de US$ 91,227 bilhões.

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Veja os destaques do balanço da Petrobras (PETR4 PETR3):

Tá, e aí?

Na opinião do analista Pedro Galdi, da Mirae, o resultado da Petrobras confirmou o forte impacto da pandemia do covid-19 no período.

“A pandemia e o isolamento geraram uma redução de demanda sem comparação de combustíveis, principalmente gasolina e querosene de aviação”, avaliou.

Isso contribuiu, ressaltou, para que a queda de 30% da receita.

Segundo ele, se por um lado o mercado interno foi fraco, as exportações para a China cresceram substancialmente, já que aquele país retomou sua economia em “V” e mostra forte apetite por energia.

“A empresa administrou fortemente seus custos e despesas operacionais, minimizando o impacto da redução do faturamento na sua geração operacional de caixa”, acrescentou, o que contribuiu para que o Ebitda recuasse em menor magnitude.

Por fim, Galdi analisou que o resultado veio melhor que o esperado.

Conforme ele, se na teleconferência com analistas o discurso for de otimismo, isso “pode até ajudar no desempenho da ação no curto prazo”.

“Seguimos otimistas com a recuperação da empresa nos próximos trimestres e principalmente em 2021.”