Petrobras (PETR3 PETR4) reduz em 15% o preço da gasolina

Marcello Sigwalt
null

Crédito: SIte Veja

Como resposta à redução das cotações internacionais, em queda expressiva devido à pandemia COVID-19 (novo coronavírus), a Petrobras (PETR3 PETR4) anunciou, nessa terça-feira (24), um corte de 15% no preço da gasolina. A redução vale a partir dessa quarta-feira (25).

Não há previsão de alteração no preço do diesel, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

Com a medida, o preço médio do combustível vendido pelas refinarias da estatal passa a custar R$ 1,1458 por litro.  Esse é considerado o menor valor, desde outubro de 2011, conforme levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Oitavo corte

O corte é o oitavo aplicado pela estatal este ano e o terceiro no período de 12 dias. Em 2020, o preço de venda do  petróleo nas refinarias já recuou cerca de 40%. O diesel, por sua vez, soma 29% de queda.

A Petrobras estima que o preço de refinaria representa 27% do valor de venda da gasolina nos postos, acrescenta o jornal paulista.

Tendência

O viés de baixa da commodity já vinha se acentuando desde a semana passada, devido à retração de demanda causada, entre outros fatores, pelas medidas de isolamento para enfrentar o vírus.

Sinal nessa direção  é o fato de que o petróleo Brent –  uma referência global  – vem sendo negociado em Londres  em patamares semelhantes aos dos anos 2000.

Em 30 dias, cotação do Brent despencou

2403-brent

Fonte: TradingView

Repasse

O consumidor,  no entanto, vai ter de esperar um pouco. Isso porque o repasse do corte está sujeito, pelas leis de mercado, às estratégias comerciais dos postos e distribuidoras, sem contar com a estrutura tributária específica de cada estado.

O restante da carga tributária, incidente no combustível, refere-se a margens de lucro e impostos federais e estaduais. Somente o ICMS pago corresponde a 30% do preço final do combustível, com revisão períodica a cada 15 dias.

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

Você já fez seu teste de perfil? Descubra qual seu perfil de investidor! Teste de Perfil

Toda essa maratona fiscalista contribui para retardar a percepção do reajuste pelo cliente final.

Estudo ANP

Desde o início do ano, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), o valor da gasolina na bomba caiu somente 1,5% (preço médio) – de R$ 4,555 na última semana de dezembro para R$ 4,486 por litro na semana passada.

O diesel, por seu turno, vem acompanhando a tendência e também apura queda. No período que vai do fim de 2019 e a semana passada, seu preço médio sofreu uma redução acumulada de 4,4% – de R$ 3,751 para R$ 3,586 por litro.

Retração

Ao jornal O Estado de S.Paulo, o presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, prevê, “em uma visão otimista”, que as vendas do segmento recuem pelo menos 50%.

Conforme o dirigente, em vídeo a associados, iniciativas foram solicitadas ao governo para amenizar as perdas. Entre elas, a redução da taxa paga pelos postos ao Ibama e a possibilidade de decretar férias coletivas.

Além disso, defende o parcelamento da multa de 40% em casos de demissão e a suspensão temporária dos contratos de trabalho, visando acionar o seguro-desemprego para os frentistas pelo período de cinco meses.

A Fecombustíveis quer também que o Banco Central reduza o tempo que demora para repassar o dinheiro das vendas feitas com cartão de crédito.