Petrobras (PETR3 PETR4) manteve competitividade em meio à crise

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Wikipedia

As recentes quedas nos preços do petróleo causadas pela pandemia do coronavírus, que reduziu drasticamente a demanda pela commodity, resultou em queda de receita das maiores petroleiras do mundo no primeiro trimestre.

De acordo com levantamento feito pelo Valor Data, do jornal Valor, companhias como Shell, SaudiAramco e Total registraram recuo na receita de 28,8%, 15,9% e 14,5% respectivamente.

Nesse cenário, a Petrobras se destacou, com uma redução menor das vendas em dólares, de 8,8%.

A reportagem afirma que, apesar do prejuízo de R$ 48,5 bilhões, pior que o das concorrentes globais, a estatal brasileira conseguiu se mostrar competitiva na disputa por mercado no cenário internacional e os resultados de uma forma geral foram bem recebidos pelo mercado.

O lucro antes juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado somou R$ 37,504 bilhões, alta de 36,% na comparação anual e de 2,7% na trimestral.

Enquanto isso, o Ebitda ajustado recorrente atingiu R$ 36,925 bilhões, alta de 27% no ano, mas queda de 0,9% na comparação com quarto trimestre.

A Petrobras argumentou que o prejuízo se deu principalmente devido ao impairment (perdas por desvalorização de ativos)de R$ 65,3 bilhões, e proveniente da revisão das premissas de longo prazo para o petróleo tipo Brent frente ao novo cenário mundial.

Surpresa positiva

Para o banco Credit Suisse, a estatal surpreendeu positivamente, diante do cenário difícil. E o UBS destacou que o ano será difícil para as petroleiras, mas a Petrobras possui uma estrutura mais enxuta e uma alocação mais inteligente de capital, o que a deixa mais preparada para enfrentar a crise.

O Itaú BBA chamou a atenção para a queda do custo de extração de US$ 6,60 para US$ 5,90 e para o desconto pequeno no preço de venda do petróleo em relação ao Brent.

Esses dois aspectos mostram a competitividade do produto brasileiro e explicam o aumento das exportações mesmo no complexo contexto da crise.

Dividendos

Considerando o resultado financeiro na comparação com as concorrentes, o jornal afirma que a perda em dólar da Petrobras de US$ 9,7 bilhões foi 1,7 vez maior que os prejuízos da BP, Equinor, ExxonMobil e Shell juntas.

Essas empresas, apesar dos prejuízos, conseguiram manter o pagamento de dividendos aos acionistas, ao contrário da Petrobras que com o resultado do primeiro trimestre praticamente eliminou a possibilidade de remuneração neste ano.

A diretora financeira da estatal, Andrea de Almeida, chegou a afirmar que será difícil recuperar as perdas ao longo de 2020.