PETR4: com risco de interferência política, ação é a maior baixa na bolsa

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Agência Brasil/Petrobras

Os papéis da Petrobras (PETR4) têm a maior baixa da bolsa de valores nesta segunda-feira (8), resultado das suspeitas de interferência do governo na política de preços da estatal. Às 11h, a ação tem queda de 1,40%.

Diante do receio do mercado de que petroleira modificaria sua política de preços de combustíveis sob pressão política, a Petrobras emitiu um comunicado na tentativa de acalmar os ânimos.

Para tanto, desmentiu qualquer alteração atual ou futura. “Em janeiro de 2021, a companhia manteve inalterada a periodicidade adotada a partir de junho de 2020 para aferição da aderência do alinhamento entre o preço realizado e o preço internacional, sem quaisquer outras mudanças”, disse a companhia.

A periodicidade citada da aferição entre o preço praticado no Brasil e o internacional foi alterada de trimestral para anual e segue assim desde junho do ano passado, alega a estatal.

No entanto, a informação só foi tornada pública na última sexta-feira (5), oito meses depois da alteração. Isto levantou suspeitas de ingerência política na estatal. No momento, o presidente Jair Bolsonaro sofre pressão dos caminhoneiros para reduzir o preço do diesel.

O presidente da Associação dos Acionistas Minoritários (Aidmin), Aurélio Valporto, afirmou ao Estadão que a informação da alteração na política de preços deveria ter sido divulgada em fato relevante à época da mudança e não agora.

Como defesa, a Petrobras alega que não divulga os detalhes de sua política de preços em razão de “sensibilidade comercial”.

Preço-alvo cai com risco de ingerência

Apesar disso, como consequência do risco de ingerência, algumas casas já vêm rebaixando suas recomendações para os papéis da Petrobras. O Bradesco BBI, por exemplo, cortou a recomendação da Petrobras para neutra. E o preço-alvo caiu de R$ 37 para R$ 34.

Já para Pedro Galdi, da Mirae Asset, mesmo tendo sido pego de surpresa, o mercado irá reagir bem à novidade da Petrobras. Isto porque a empresa deve seguir em bom momento, dado o aumento de produção no pré-sal e a alta do preço do petróleo.

“O pessoal pode ficar desconfiado, já que a mudança veio em cima da hora de ameaça de greve de caminhoneiros. Mas o anúncio é uma forma de acalmar o mercado”, afirma.

Lei também: Estatais na Bolsa: como a interferência do governo afeta o mercado

BTG mantém recomendação inalterada

O BTG manteve inalterada sua avaliação das ações da Petrobras, acreditando que a empresa manterá sua independência na definição de preços.

Mas reconhece que a divulgação da alteração na política de preços ter acontecido em momento em que sua independência é questionada torna a situação mais difícil. A recomendação é de compra para as ações preferenciais da estatal, com preço-alvo a R$ 34.

Aumento de preços a partir de terça-feira

Hoje a Petrobras divulgou aumentos dos preços médios de venda às distribuidores da gasolina, diesel e GLP, que deverá vigorar a partir de terça-feira (9).

O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras passará a ser de R$ 2,25 por litro. Já o preço médio de venda de diesel passará a ser de R$ 2,24 por litro.

É a terceira alta do ano nos preços da gasolina, e a segunda no valor do litro do diesel. Isto pode ajudar a controlar os receios do mercado.

Petrobras finaliza venda de refinaria por US$ 1,65 bilhão

Um outro ponto ainda pode pesar positivamente nas ações da Petrobras ao longo do dia. A estatal anunciou hoje que concluiu a rodada final vinculante de venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), na Bahia.

A Mubadala Capital apresentou a melhor oferta final, no valor de US$ 1,65 bilhão. A assinatura do contrato de compra e venda ainda está sujeita à aprovação dos órgãos competentes.

A Petrobras informou ainda que recebeu propostas vinculantes para venda da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR),  no Paraná. No entanto, decidiu  pelo  encerramento do  processo,  uma  vez  que as condições das propostas apresentadas ficaram aquém da avaliação. E dará início a novo processo competitivo para essa refinaria.