Petrobras (PETR3 PETR4): Bolsonaro diz que empresa terá mudanças e ações recuam

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Arquivo Agência Brasil

As ações da Petrobras (PETR4) fecharam o pregão de sexta-feira (19) em queda, repercutindo a polêmica quanto à ingerência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a estatal.

As ações preferenciais (PETR4) recuaram 6,63%, cotadas a R$ 27,33; e as ordinárias (PETR3) caíram 7,92%, a R$ 27,10.

Com isso, o valor de mercado da Petrobras passou de R$ 383 bilhões na quinta para R$ 354,8 bilhões nesta sessão, perda de R$ 28,2 bilhões em valor de mercado.

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Ontem, a Petrobras anunciou um novo aumento, o quarto no ano, nos preços da gasolina e do diesel. O valor do litro nas refinarias chegará a R$ 2,48 (gasolina) e R$ 2,58 (diesel). Os aumentos somam 15,2% para o diesel e de 10,2% para a gasolina.

Os aumentos têm o objetivo de contrabalancear as perdas obtidas durante 2020 por conta da pandemia e a consequente diminuição da demanda por combustível.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que haverá mudanças na Petrobras, mas que jamais interferiria nas políticas de preços da empresa. Ele cobra previsibilidade nos reajustes dos preços dos combustíveis.

“Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobrás. Jamais vamos interferir nessa grande empresa na
sua política de preço, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes”, disse Bolsonaro durante
evento do governo sobre obras de transposição do Rio São Francisco em Sertânia (PE). “Faça-os (reajustes), mas com previsibilidade, é isso que nós queremos”.

Reação do presidente

O presidente reagiu na noite de ontem, via redes sociais. Pelo Facebook, anunciou que irá zerar impostos federais sobre o diesel e o gás de cozinha por dois meses, a partir de 1 de março.

E durante sua live, classificou o novo reajuste da Petrobras de excessivo e ameaçou que “alguma coisa” vai acontecer na companhia em breve, aumentando as suspeitas de ingerência política na estatal.

Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, não pretende pedir demissão da companhia, apesar de pressões do presidente.

O Conselho da Petrobras também não deve tomar nenhuma medida neste sentido. “Já houve um tempo em que o conselho era pró-governo, e agora é independente”, disse a fonte à reportagem.

Bolsonaro criticou também a atuação da Receita Federal e da Agência Nacional do Petróleo, afirmando que “ninguém dá bola para nada”.

Para a Guide Investimentos, o impacto do caso é negativo sobre as ações da Petrobras. “Gera um certo grau de incerteza dos investidores com relação a possíveis mudanças na governança da empresa”.