Petrobras (PETR3 PETR4) adia dividendos e reduz produção

Rodrigo Petry
Editor-chefe, com 18 anos de atuação em veículos, como Estadão/Broadcast, InfoMoney, Capital Aberto e DCI; e na área de comunicação corporativa, consultoria e setor público; e-mail: rodrigo.petry@euqueroinvestir.com.
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Crédito: ANDRÉ MOTTA DE SOUZA/AGÊNCIA/ PETROBRAS/Divulgação

A Petrobras informou nesta manhã de quinta-feira (26) o adiamento do pagamento de dividendos relativos ao exercício de 2019, que somam R$ 1,7 bilhões.

Conforme o comunicado, a Assembleia Geral Ordinária (AGO) que iria deliberar a aprovação da remuneração relativa a 2019 passou de 20/05/2020 para 15/12/2020.

O Conselho também aprovou a alteração da data da realização da AGO do dia 22/04/2020 para o dia 27/04/2020.

Segundo fato relevante, a postergação do pagamento dos dividendos é uma das medidas adotadas pela companhia para preservação de seu caixa, em função da pandemia do Covid-19 e do choque de preços de petróleo.

Conforme divulgado no dia 20 de fevereiro, o montante total a ser pago é de R$ 1,7 bilhão para as ações ordinárias (PETR3), equivalentes a R$ 0,233649 por ação.

Já às preferenciais (PETR4), o montante soma R$ 2,5 milhões, equivalente a R$ 0,000449 por ação em circulação, com base no resultado anual de 2019.

Os acionistas terão direito a esta remuneração na seguinte forma:

  • A data de corte para os detentores de ações de emissão da Petrobras negociadas na B3 será o dia da Assembleia Geral Ordinária, ou seja, 27/04/2020, e o record date para os detentores de American Depositary Receipts (ADRs) negociadas na New York Stock Exchange – NYSE será o dia 29/04/2020.
  • As ações da Petrobras serão negociadas ex-direitos na B3 e na NYSE a partir do dia 28/04/2020. Todos os valores serão atualizados pela variação da taxa Selic de 31/12/2019 até a data do pagamento.

Demanda interna e externa

Em relação à comercialização de petróleo e derivados, a empresa informou que está “continuamente monitorando o
mercado interno e externo, bem como fazendo a gestão dos estoques e processamento em suas refinarias, em alinhamento com as variações das demandas do mercado.”

Segundo a Petrobras, a crise do Covid-19 tem provocado “reduções significativas de demandas de derivados, especialmente de diesel, gasolina e QAV no Brasil e no mundo”.

Redução produção

Nesse sentido, a companhia informou que decidiu reduzir um total de 100 mil bpd da sua produção de óleo até o final de março, “em função da sobreoferta”.

“A companhia avaliará as condições do mercado e, em caso de necessidade, realizará novos ajustes na produção de petróleo”, afirmou.

Projeções

Dado o alto grau de incerteza prevalecente na economia global, a Petrobras afirmou ainda “ser prematuro fazer previsões do cenário base e projeções de preços de petróleo”.

“Tais revisões serão feitas quando as incertezas e a consequente volatilidade de preços diminuírem”, acrescentou.

Petrobras adota ações para reforçar resiliência

A Petrobras atualizou ainda ao mercado as medidas que vêm sendo adotadas, tendo em vista os impactos da pandemia do coronavírus e do choque de preços do petróleo.

Segundo a companhia, as medidas para redução de desembolso e preservação de caixa neste cenário de incertezas visam “reforçar a solidez financeira e a resiliência dos seus negócios”.

Veja as ações:

  • Desembolso das linhas de crédito compromissadas (Revolving Credit Lines), no montante de cerca de US$ 8 bilhões, conforme anunciado em 20/03/2020, que entraram no caixa essa semana;
  • Desembolso de duas novas linhas que somam R$ 3,5 bilhões;
  • Postergação para 15/12/2020 do pagamento de dividendos anunciado em 19/02/2020 com base no resultado anual de 2019, no valor de R$ 1,7 bilhão.
  • Redução e postergação de gastos com recursos humanos, no valor total de R$ 2,4 bilhões (adiamento de do pagamento de horas-extras; de recolhimento de FGTS  e do pagamento de gratificação de férias; do pagamento de 30% da remuneração mensal total do presidente, diretores, gerentes executivos e gerentes gerais;  cancelamento dos processos de avanço de nível e promoção; e redução de 50% no número de empregados em sobreaviso parcial nos próximos três meses e suspensão temporária de todos os treinamentos.
  • Otimizações do capital de giro
  • Redução dos investimentos programados para 2020 de US$ 12 bilhões para US$ 8,5 bilhões (sendo
    US$ 7 bilhões na visão caixa).
  • As reduções virão principalmente de postergações de atividades exploratórias, interligação de poços e construção de instalações de produção e refino, e da desvalorização do real frente ao dólar americano.
  • Aceleração da redução dos gastos operacionais, com uma diminuição adicional de US$ 2 bilhões.
  • Destaque nas reduções para a hibernação das plataformas em operação em campos de águas rasas, com custo de extração por barril mais elevado, que em virtude da queda dos preços do petróleo passaram a ter fluxo de caixa negativo. A produção atual de óleo desses campos é de 23 mil bpd e os desinvestimentos nesses ativos continuam em andamento.

“Como resultado da implementação das medidas descritas, a companhia estima que equilibrará seu fluxo de caixa no ano de 2020”, destacou.

 


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