Peter Lynch e o maior fundo de ações do mundo

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Twitter

Não dá para contar a história dos grandes investidores do mercado financeiro sem citar o nome de Peter Lynch. O norte-americano nascido em Newton, Massachusetts, nos EUA, em 1944, cravou seu nome entre os grandes do segmento.

Boa parte do sucesso deve-se ao trabalho executado à frente do Fidelity Magellan Fund, considerado o maior fundo de ações do mundo.

Nos 13 anos em que trabalhou como gestor do Fidelity, Peter Lynch conseguiu fazer com que o fundo rendesse, ano após ano, 29% acima do índice S&P 500.

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Isso significa dizer que, se você tivesse investido US$ 10 mil com Lynch em 1977, em 1990, quando ele se aposentou, retiraria do fundo Fidelity Magellan nada menos do que US$ 280 mil. Uma valorização e tanto, não é mesmo?

Sua estratégia passa por investir em empresas que conhece. Ele disse certa vez: “Antes de comprar qualquer ação, você precisa saber explicar o que está comprando”.

Lynch segue ao pé da letra o que prega, tanto que tem em seu portfolio empresas de peso, como Dunkin’ Donuts e Apple, por exemplo.

“Se você gosta da loja, há boas chances de se apaixonar pela ação”, comentou Lynch. “Tenho computadores [da Apple] em casa. E eu adoro o café do Dunkin’”, brincou.

Os primeiros passos de Peter Lynch

Peter Lynch começou cedo no mercado financeiro desde cedo, investindo suas economias em ações. As preferidas à época em que estudava História, Filosofia e Psicologia no Boston College eram as da Flying Tiger Airlines. Elas custava US$ 8 e chegaram a valer US$ 80 pouco depois.

Em 1966, 11 anos antes de entrar no maior fundo de ações do mundo, teve sua primeira experiência real no mercado, ao estagiar na Fidelity Investments.

Foi lá que aprendeu as artimanhas da área até que, em 1977, aos 33 anos, foi contratado para chefiar o Magellan Fund. O fundo mantinha US$ 18 milhões sob sua tutela.

O número, que já era representativo, foi se multiplicando até chegar a impressionantes US$ 14 bilhões em ativos em 1990, quando anunciou sua aposentadoria.

Entre as empresas que Lynch apostou e contribuíram para o sucesso do Magellan destacam-se Ford, Volvo, GE, Philip Morris e Lowe.

Da aposentadoria à filantropia

Peter Lynch se aposentou em 1990, mas seguiu exercendo a função de vice-presidente do braço de prestação de serviços do grupo Fidelity.

Com a aposentadoria, Lynch passou a se dedicar mais à filantropia. Por meio da Fundação Lynch, já doou mais de US$ 80 milhões para causas ligadas à Educação, Organizações Religiosas, Culturais, Centros Históricos, Hospitais e Centros de Pesquisas Médicas.

As estratégias vencedoras de Lynch

Peter Lynch escreveu o livro  “O Jeito Peter Lynch de Investir: As estratégias vencedoras de quem transformou Wall Street”, em parceria com John Rothchild.

Uma das estratégias reveladas no livro é essa: “O dinheiro não está na compra e venda, mas na espera”.

Lynch quer ensinar com isso o que vários outros investidores também recomendam: calma, frieza e paciência, ou o popular “comprar e sentar” em cima das ações, sem sair vendendo desesperadamente aos primeiros sinais de crise.

Regras de ouro

  • Estude antes de comprar. “Quanto mais se sabe sobre uma empresa, seus negócios e seus concorrentes, mais chances temos de encontrar um bom lugar para investir”;
  • Não compre apenas por comprar. “Se você não está encontrando nenhuma empresa que ache interessante, mantenha o dinheiro no banco até achar”;
  • Prepare-se para o “inverno”. “Quedas em mercados de ações são tão comuns quanto nevascas nos Estados Unidos, mas, se você se preparar, não há o que temer. Elas são ótimas oportunidades para encontrar barganhas”;
  • Estômago é fundamental. “Todo mundo tem cérebro para ganhar dinheiro com ações, mas poucos têm estômago. Se você acha que pode entrar em desespero e vender tudo em um momento de pânico, esse mercado não é para você”;
  • Não vá na onda dos outros. “Ignore previsões ruins do noticiário ou de conhecidos, e só venda ações de uma empresa se observar que a base dela está desmoronando, não porque viu algo na televisão”;
  • Não “blefe” ao escolher seus papéis. “Se você comprar uma ação sem saber tudo sobre ela, é melhor jogar pôquer sem olhar suas cartas. As chances de sucesso serão as mesmas”.
  • Sem futurologia. “Não dá para prever taxas de juros ou o próprio mercado de ações. Concentre-se apenas no que está acontecendo com as empresas nas quais você está investindo”.

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