Pesquisa mostra que o governo Bolsonaro tem 46% de reprovação

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O site DataPoder360 divulgou nesta quinta-feira (23) sua mais recente pesquisa sobre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido, eleito pelo PSL). O resultado foi 43% de aprovação e 46% de reprovação – outros 11% não responderam ou não souberam opinar. A pesquisa foi realizada de 20 a 22 de julho.

Com relação à última pesquisa, feita há 15 dias, de 6 a 8 de julho, quando havia 40% de aprovação, a respostas deram aumento de 3 pontos percentuais no novo levantamento.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

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Ou seja, o aumento está além da margem de erro.

Já a rejeição caiu. Naquela última pesquisa, o governo era rejeitado por 50%. A percepção caiu 4 pontos percentuais.

Aprovação foi ajudada pela infecção do presidente

De acordo com o site Poder360, coordenador da pesquisa, “a alta na aprovação do presidente ocorre no período em que Bolsonaro evita falar à imprensa e fazer ataques a adversários e a integrantes dos outros Poderes da República”.

“Evirar”, porém, não é o verbo correto.

Jair Bolsonaro está em isolamento forçado por conta da Covid-19. O presidente, pela terceira vez, teve o teste resultado como positivo.

A pesquisa

A pesquisa foi realizada por telefone, por causa da pandemia, evitando, assim, o contato pessoal com os entrevistados.

Segundo o DataPoder360, foram 2.500 entrevistas em 560 municípios, nos 27 estados do país, contando aí o Distrito Federal.

Por região

De acordo com o site, a “estratégia” de Bolsonaro de “se manter reservado e distante da mídia tem sido positiva para o governo”.

“Apesar do número de mortos por Covid-19 estar ainda em alta diária, parte dos brasileiros parece ter desinflamado certa irritação com o chefe do Executivo”, diz o site.

O Brasil tem batidos recordes diários de novos casos do novo coronavírus. Tem identificado uma média de 100 mil novos infectados a cada dois ou três dias.

Os números de mortes estão entre 950 e 1.300 há pelo menos 10 semanas.

Isso tudo não importou para a região Sul do país.

Ali, houve alta de 7 pontos percentuais na aprovação nos últimos 15 dias. Passou de 39% para 46%. A desaprovação caiu de 52% para 33% em duas semanas.

“A região é onde Bolsonaro conquistou mais votos proporcionalmente contra Fernando Haddad (PT) na disputa do 2º turno em 2018 (foram 68,3% contra 31,7%)”, lembra o texto do site.

Contudo, “o governo federal não é aprovado por 54% no Nordeste e por 51% no Sudeste. Chama a atenção, entretanto, que a taxa geral de rejeição à administração de Bolsonaro tenha recuado de 50% na pesquisa 8 a 10 de junho para 46% agora”.

Por renda

Homens aprovam mais o governo do que mulheres. No sexo masculino, são 49% que aprovam e 42 que reprovam.

No sexo feminino, 37% de aprovação e 51% de reprovação. A diferença para os 100% nesses dois casos são de pessoas que não souberam responder.

Quanto maior a renda, maior a reprovação do governo. Entre quem ganha mais de 10 salários mínimos, 61% reprovam o governo Bolsonaro e 37% aprovam.

Já entre os que não têm renda fixa, a aprovação é de 48% contra 39% de reprovação, a única faixa de renda que aprova mais do que reprova.

Isso mostra o motivo do governo estar tentando forçar a aprovação do Renda Brasil, para apagar dos registros o Bolsa Família, o bem-sucedido programa petista de distribuição de renda.

Trabalho pessoal de Bolsonaro

Uma coisa é o governo. Outra coisa é o trabalho pessoal do presidente.

Nesse sentido, 43% acham o trabalho dele ruim ou péssimo, cou outros 23% achando regular e 30%, ótimo ou bom.

Centro-Oeste (36%), Sul (35%) e Norte (35%) são as regiões que consideram ótimo ou bom o trabalho de Bolsonaro.

Nordeste (47%) e Sudeste (50%) consideram o trabalho deles ruim ou péssimo.

Entre os que possuem ensino superior, 62% acham o trabalho ruim ou péssimo; mas em todas as escolaridades, fundamental (37%) e médio (39%), a avaliação do trabalho de Bolsonaro é ruim.

O mesmo acontece entre todas as faixas de renda, incluindo os que não possuem renda fixa.

Acima de 10 salários mínimos, 60% acham ruim ou péssimo o trabalho do presidente. Até dois salários mínimos, 44%. Sem renda fixa, 38%. Todos batem os que acham bom ou ótimo.