Pesquisa CNT/MDA mostra queda de popularidade do presidente Bolsonaro

Paulo Amaral
Jornalismo é meu sobrenome: 20 anos de estrada, com passagens por grandes veículos da mídia nacional: Portal R7, UOL Carros, HuffPost Brasil, Gazeta Esportiva.com, Agora São Paulo, PSN.com e Editora Escala, entre outros.
1

Crédito: Twitter

A popularidade do presidente Jair Bolsonaro caiu junto à população brasileira em meio à crise do coronavírus. Foi isso o que apontaram os dados da Pesquisa CNT/MDA, divulgados nesta terça-feira (12).

De acordo com o relatório publicado por volta das 11 horas no site oficial da Confederação Nacional do Transporte, o presidente da República tem avaliação positiva (boa ou ótima) para 39,2% dos entrevistados, enquanto seu desempenho é reprovado por 55,4% das pessoas ouvidas. Outros 5,4% não sabem ou não quiseram responder.

Os números apontam uma queda de quase 10% na popularidade de Bolsonaro em relação à pesquisa anterior da CNT, realizada entre os dias 15 e 18 de janeiro.

Conheça planilha que irá te ajudar em análises para escolha do melhor Fundo Imobiliário em 2021

Na ocasião, antes da pandemia de coronavírus explodir no País, Bolsonaro tinha aprovação de 47,8% dos entrevistados e desaprovação similar, de 47%. Outros 5,4% dos ouvidos pela CNT/MDA não souberam ou não quiseram responder.

Desempenho do Governo também piorou

pib-bolsonaro-guedes

Jair Bolsonaro não perdeu popularidade sozinho de janeiro para maio. De acordo com os números recentes da CNT/MDA, a avaliação do Governo, como um todo, também caiu.

A avaliação positiva (boa ou ótima), que em janeiro era de 34,5%, retraiu para 32%. O percentual de pessoas que considerava o Governo regular despencou de 32,1% para 22,9%, enquanto a parcela da população que acha o desempenho ruim ou péssimo subiu de 31% para 43,4%. O índice dos que não quiseram opinar ou não souberam caiu de 2,4% para 1,7%.

Enfrentamento ao coronavírus

A pesquisa CNT/MDA abordou especificamente o que os entrevistados achavam do trabalho dos governos federal e estaduais no enfrentamento ao coronavírus.

Em janeiro, como a pandemia ainda não havia chegado ao Brasil (pelo menos oficialmente), a pergunta não foi realizada. No relatório desta terça-feira, no entanto, os números mostram mais uma vez que o Governo Federal está atrás dos Estaduais quando o assunto é a Covid-19.

Para 51,7% dos entrevistados, o governo federal vem fazendo um bom trabalho para tentar conter a pandemia, enquanto que, para 69,2%, os governos estaduais têm adotado medidas corretas na contenção.

O Governo Federal foi reprovado por 42,3% dos entrevistados, enquanto somente 26,8% se mostraram contrários às medidas adotadas pelos Estados na luta contra a disseminação do vírus.

Prefeitos e Governadores ganham pontos

São Paulo, coronavírus, João Doria

Os dados da CNT/MDA apontaram uma convergência positiva na avaliação de prefeitos e governadores, que, em sua grande maioria, têm discordado do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento do coronavírus e na adoção de medidas restritivas.

De acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira, a avaliação dos governadores passou de 5,7% para 10% entre os que consideram a gestão “ótima”, e 24,8% para 31,3% entre os que acham “boa”. A avaliação “regular” caiu de 35,7% para 32,7%, a “ruim” de 10,1% para 8,8%, e a “péssima” de 16,9% para 15,9%.

Entre os prefeitos, a situação é similar. Em janeiro, 8,8% consideravam as gestões “ótimas”, 25,6% “boas”, 28,3% “regulares”, 10,6% “ruins” e 22,8% péssimas.

Na pesquisa mais recente, os números subiram no quesito “ótimas” (13%), “boas” (27,1%) e regulares (29,7%), e caíram entre os que acham “ruins”(9%) e “péssimas” (18,7%).

Saída de Moro

Moro

Os entrevistados também foram questionados sobre a decisão de Jair Bolsonaro de substituir o Ministro da Justiça, exonerando Sérgio Moro do cargo.

Para uma parcela pequena dos ouvidos pela CNT (12,0%), o combate à corrupção no País vai melhorar sem a presença de Moro no Governo.

Outros 39,9% acreditam que a situação permanecerá como está, enquanto um percentual similar, de 39,7%, disseram acreditar que o combate à corrupção vai desandar sem o ex-juiz da Lava Jato no Ministério da Justiça.

Atos contra o STF

A pesquisa abordou também os recentes atos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, que contaram com a participação do presidente Jair Bolsonaro entre os manifestantes.

Segundo a CNT, 51,8% dos entrevistados se manifestaram contrários aos atos, enquanto 28,8% se posicionaram a favor e 10,8% disseram não ser nem a favor e nem contra.

A presença de Bolsonaro nos atos levou a um pedido de investigação da Procuradoria-Geral da República, principalmente por se tratarem de manifestações contra a democracia.

Pessimismo para os próximos 6 meses

A CNT/MDA questionou seus mais de dois mil entrevistados sobre qual a expectativa deles para os próximos 6 meses no Brasil em relação a 5 itens: Emprego, Renda Mensal, Saúde, Educação e Segurança Pública.

O pessimismo foi o tom dos números atuais, quando comparados aos divulgados na mesma pesquisa realizada em janeiro. Compare abaixo o que disseram os brasileiros no início do ano e nesta terça, em pleno pico de pandemia.

  • Emprego: vai melhorar (15,1%), vai piorar (68,1%), vai ficar igual (14,4%).Em janeiro, os números foram os seguintes: vai melhorar (43,2%), vai piorar (18,9%), vai ficar igual (35,4%);
  • Renda Mensal: vai aumentar (8,8%), vai diminuir (46,7%), vai ficar igual (41,6%).Em janeiro, as respostas apontaram os seguintes percentuais: vai aumentar (34,3%), vai diminuir (11,0%), vai ficar igual (51,8%);
  • Saúde: vai melhorar (23,3%), vai piorar (52,3%), vai ficar igual (22,7%).Em janeiro, a população confiava mais na Saúde: vai melhorar (30,5%), vai piorar (24,8%), vai ficar igual (42,6%);
  • Educação:  vai melhorar (14,1%), vai piorar (47,4%), vai ficar igual (36,5%).A situação sobre a Educação apontava na pesquisa anterior: vai melhorar (36,0%), vai piorar (21,4%), vai ficar igual (40,5%);
  • Segurança Pública: vai melhorar (18,5%), vai piorar (34,9%), vai ficar igual (44,1%).A confiança na Segurança Pública em janeiro também era maior: vai melhorar (37,9%), vai piorar (22,0%), vai ficar igual (38,0%).

A pesquisa

Bolsonaro, CNT, pesquisa

A 146ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada em parceria com o Instituto MDA, ouviu 2.002 pessoas por telefone em 494 municípios espalhados por 25 Unidades de Federação entre os dias 7 e 10 de maio, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.

A pesquisa de janeiro também ouviu 2.002 pessoas, mas em entrevistas presenciais, realizadas em 137 municípios espalhados por 25 Unidades de Federação.

Planilha de Ações: Baixe e faça sua análise para investir