A popularidade do presidente Jair Bolsonaro caiu junto à população brasileira em meio à crise do coronavírus. Foi isso o que apontaram os dados da Pesquisa CNT/MDA, divulgados nesta terça-feira (12).
De acordo com o relatório publicado por volta das 11 horas no site oficial da Confederação Nacional do Transporte, o presidente da República tem avaliação positiva (boa ou ótima) para 39,2% dos entrevistados, enquanto seu desempenho é reprovado por 55,4% das pessoas ouvidas. Outros 5,4% não sabem ou não quiseram responder.
Os números apontam uma queda de quase 10% na popularidade de Bolsonaro em relação à pesquisa anterior da CNT, realizada entre os dias 15 e 18 de janeiro.
Na ocasião, antes da pandemia de coronavírus explodir no País, Bolsonaro tinha aprovação de 47,8% dos entrevistados e desaprovação similar, de 47%. Outros 5,4% dos ouvidos pela CNT/MDA não souberam ou não quiseram responder.
Desempenho do Governo também piorou
Jair Bolsonaro não perdeu popularidade sozinho de janeiro para maio. De acordo com os números recentes da CNT/MDA, a avaliação do Governo, como um todo, também caiu.
A avaliação positiva (boa ou ótima), que em janeiro era de 34,5%, retraiu para 32%. O percentual de pessoas que considerava o Governo regular despencou de 32,1% para 22,9%, enquanto a parcela da população que acha o desempenho ruim ou péssimo subiu de 31% para 43,4%. O índice dos que não quiseram opinar ou não souberam caiu de 2,4% para 1,7%.
Enfrentamento ao coronavírus
A pesquisa CNT/MDA abordou especificamente o que os entrevistados achavam do trabalho dos governos federal e estaduais no enfrentamento ao coronavírus.
Em janeiro, como a pandemia ainda não havia chegado ao Brasil (pelo menos oficialmente), a pergunta não foi realizada. No relatório desta terça-feira, no entanto, os números mostram mais uma vez que o Governo Federal está atrás dos Estaduais quando o assunto é a Covid-19.
Para 51,7% dos entrevistados, o governo federal vem fazendo um bom trabalho para tentar conter a pandemia, enquanto que, para 69,2%, os governos estaduais têm adotado medidas corretas na contenção.
O Governo Federal foi reprovado por 42,3% dos entrevistados, enquanto somente 26,8% se mostraram contrários às medidas adotadas pelos Estados na luta contra a disseminação do vírus.
Prefeitos e Governadores ganham pontos
Os dados da CNT/MDA apontaram uma convergência positiva na avaliação de prefeitos e governadores, que, em sua grande maioria, têm discordado do presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento do coronavírus e na adoção de medidas restritivas.
De acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira, a avaliação dos governadores passou de 5,7% para 10% entre os que consideram a gestão “ótima”, e 24,8% para 31,3% entre os que acham “boa”. A avaliação “regular” caiu de 35,7% para 32,7%, a “ruim” de 10,1% para 8,8%, e a “péssima” de 16,9% para 15,9%.
Entre os prefeitos, a situação é similar. Em janeiro, 8,8% consideravam as gestões “ótimas”, 25,6% “boas”, 28,3% “regulares”, 10,6% “ruins” e 22,8% péssimas.
Na pesquisa mais recente, os números subiram no quesito “ótimas” (13%), “boas” (27,1%) e regulares (29,7%), e caíram entre os que acham “ruins”(9%) e “péssimas” (18,7%).
Saída de Moro
Os entrevistados também foram questionados sobre a decisão de Jair Bolsonaro de substituir o Ministro da Justiça, exonerando Sérgio Moro do cargo.
Para uma parcela pequena dos ouvidos pela CNT (12,0%), o combate à corrupção no País vai melhorar sem a presença de Moro no Governo.
Outros 39,9% acreditam que a situação permanecerá como está, enquanto um percentual similar, de 39,7%, disseram acreditar que o combate à corrupção vai desandar sem o ex-juiz da Lava Jato no Ministério da Justiça.
Atos contra o STF
A pesquisa abordou também os recentes atos contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, que contaram com a participação do presidente Jair Bolsonaro entre os manifestantes.
Segundo a CNT, 51,8% dos entrevistados se manifestaram contrários aos atos, enquanto 28,8% se posicionaram a favor e 10,8% disseram não ser nem a favor e nem contra.
A presença de Bolsonaro nos atos levou a um pedido de investigação da Procuradoria-Geral da República, principalmente por se tratarem de manifestações contra a democracia.
Pessimismo para os próximos 6 meses
A CNT/MDA questionou seus mais de dois mil entrevistados sobre qual a expectativa deles para os próximos 6 meses no Brasil em relação a 5 itens: Emprego, Renda Mensal, Saúde, Educação e Segurança Pública.
O pessimismo foi o tom dos números atuais, quando comparados aos divulgados na mesma pesquisa realizada em janeiro. Compare abaixo o que disseram os brasileiros no início do ano e nesta terça, em pleno pico de pandemia.
- Emprego: vai melhorar (15,1%), vai piorar (68,1%), vai ficar igual (14,4%).Em janeiro, os números foram os seguintes: vai melhorar (43,2%), vai piorar (18,9%), vai ficar igual (35,4%);
- Renda Mensal: vai aumentar (8,8%), vai diminuir (46,7%), vai ficar igual (41,6%).Em janeiro, as respostas apontaram os seguintes percentuais: vai aumentar (34,3%), vai diminuir (11,0%), vai ficar igual (51,8%);
- Saúde: vai melhorar (23,3%), vai piorar (52,3%), vai ficar igual (22,7%).Em janeiro, a população confiava mais na Saúde: vai melhorar (30,5%), vai piorar (24,8%), vai ficar igual (42,6%);
- Educação: vai melhorar (14,1%), vai piorar (47,4%), vai ficar igual (36,5%).A situação sobre a Educação apontava na pesquisa anterior: vai melhorar (36,0%), vai piorar (21,4%), vai ficar igual (40,5%);
- Segurança Pública: vai melhorar (18,5%), vai piorar (34,9%), vai ficar igual (44,1%).A confiança na Segurança Pública em janeiro também era maior: vai melhorar (37,9%), vai piorar (22,0%), vai ficar igual (38,0%).
A pesquisa
A 146ª Pesquisa CNT de Opinião, realizada em parceria com o Instituto MDA, ouviu 2.002 pessoas por telefone em 494 municípios espalhados por 25 Unidades de Federação entre os dias 7 e 10 de maio, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais, para cima ou para baixo.
A pesquisa de janeiro também ouviu 2.002 pessoas, mas em entrevistas presenciais, realizadas em 137 municípios espalhados por 25 Unidades de Federação.
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