Pesquisa CNC: percentual de famílias com dívidas está em queda

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / Fecomércio SC

Nova pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nessa quinta-feira (6), mostra que o percentual de famílias com dívidas diminuiu em janeiro de 2020, alcançando 65,3% do total. Com relação a janeiro de 2019, houve um aumento.

O percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso também recuou, na comparação mensal, de dezembro de 2019 a janeiro de 2020, para 24,5%, mas permaneceu acima do patamar observado no mesmo período do ano anterior. O percentual que relatou não ter condições de pagar suas contas em atraso também caiu em relação a dezembro, totalizando 9,6%, aumentando, contudo, na comparação anual.

Após alcançar o maior patamar da série histórica em dezembro de 2019 e dois meses consecutivos de alta, o percentual de famílias com dívidas iniciou o ano em queda. Mas os dados mostram que mais famílias se endividaram com relação a um ano.

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Comparação mensal

Do último mês de 2019 ao fim do primeiro mês de 2020, o total de endividados caiu de 65,6% para 65,3%. Em janeiro de 2019, esse percentual era de 60,1%, configurando-se aí um aumento de mais de cinco pontos percentuais.

O total de famílias com dívidas ou contas em atraso passou de 24,5% em dezembro para 23,8% em janeiro. Mas também houve aumento na comparação com janeiro de 2019, que estava em 22,9%.

O percentual de pessoas que declararam não ter condições de pagar suas dívidas saiu de 10% em dezembro para 9,6% em janeiro. Entretanto, na relação com janeiro de 2019, quando o índice era de 9,1%, houve também uma alta.

As dívidas incluem cartão de crédito, cheque especial, cheque pré-datado, crédito consignado, crédito pessoal, carnê de loja, prestação de carro e prestação da casa.

Faixas de renda

O número de famílias endividadas apresentou tendências semelhantes entre as faixas de renda pesquisadas pela CNC, tanto na comparação mensal, quanto na anual.

Para as famílias que ganham até dez salários mínimos, o percentual de famílias com dívidas alcançou 66,4% em janeiro de 2020, uma queda de dois potos com relação aos 66,6% de dezembro de 2019, e superior aos 60,9% de janeiro de 2019.

Para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o percentual de endividadas diminuiu, entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, de 61,4% para 60,9%. Mas aumentou com relação a janeiro de 2019, quando era de 57,1%.

No caso de famílias com contas ou dívidas em atraso, as de menor renda passaram de 27,7% em dezembro para 26,9% no mês seguinte. Em janeiro de 2019, 25,5% das famílias nessa faixa de renda haviam declarado ter contas em atraso, de modo que houve um aumento.

No grupo com renda superior a dez salários mínimos, o percentual de inadimplentes ficou estável na comparação mensal, em
10,8% em janeiro de 2020, porém acima dos 11,2% de janeiro de 2019.

Nível do endividamento

Em janeiro de 2020, as famílias que declararam estar “muito endividadas” chegaram a 14,5%, mesmo percentual do mês anterior, mas acima dos 12% observados em janeiro de 2019.

Tal característica se repete nos demais níveis de endividamento. “Mais ou menos endividado”: 23,2% (janeiro de 20), 23,3% (dezembro) e 23,2% (janeiro de 2019). “Pouco endividado”: 27,6% (janeiro 20), 27,8% (dezembro) e 24,9% (janeiro 19). “Não tem dívidas desse tipo”: 34,6% (janeiro 20), 34,2% (dezembro) e 39,6% (janeiro 19).

Segundo relatório da CNC, “o Cartão de Crédito foi apontado em primeiro lugar como um dos principais tipos de dívida por 79,8% das famílias endividadas, seguido por Carnês, para 15,9%, e, em terceiro, por Financiamento de Carro, para 10,9%. Para as famílias com renda até dez salários mínimos, o Cartão de Crédito, por 80,1%, Carnês, por 16,7%, e Financiamento de Carro, por 9,0%, foram os principais tipos de dívida apontados”.

“Já para famílias com renda acima de dez salários mínimos”, segue o relatório, “os principais tipos de dívida apontados em janeiro de 2020 foram: Cartão de Crédito, para 78,7%, Financiamento de Carro, para 19,0%, e Financiamento de Casa, para 16,5%”.

Apesar do arrefecimento das dívidas das família nos últimos dois meses, a tendência de alta do endividamento está associada à ampliação do mercado de crédito ao consumidor, impulsionada por fatores como a melhora recente do mercado de trabalho, e à redução significativa das taxas de juros, o que permitiu a redução do custo do crédito.

A Pesquisa

A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic Nacional) é apurada mensalmente pela CNC desde janeiro de 2010. Os dados são coletados em todas as capitais dos estados e no Distrito Federal, com cerca de 18 mil consumidores.

O aspecto mais importante da pesquisa é que, além de traçar um perfil do endividamento, permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação a sua capacidade de pagamento.