Permissão do CMN para grandes bancos adquirirem DPGEs dos menores alivia tensão

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou, na última semana, a liberação para que os grandes bancos possam adquirir Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs) das instituições menores.

Segundo reportagem do Estadão/Broadcast, uma boa parte destas instituições menores carrega apostas de que a crise pode durar muito mais do que se fala publicamente e, por isso, considerou que essa liberação do CMN “chegou em boa hora”.

Pelo acordo firmado há poucos dias, o CMN autorizou o Banco Central (BC) a conceder empréstimos com lastro em Letras Financeiras Garantidas, e estimou em R$ 650 bilhões o impacto potencial dessa medida no mercado de crédito.

Em relação aos DPGES, as gestoras, seu público alvo, vinham pedindo prêmios superiores aos CDBs, sufocando esse canal de captação dos menores.

Os bancos médios vinham usando plataformas próprias e de terceiros para levantar recursos por meio de CDBs, majoritariamente comprados por pessoas físicas.

Captar por meio de letras financeiras é uma opção restrita a um grupo seleto e, normalmente, o mercado fica fechado, já que as assets, gestoras independentes, pedem prêmios muito altos para comprar esses papéis.

Alguns bancos estão no limite

O Banco Cruzeiro do Sul já captou mais de R$ 2 bilhões em depósitos especiais, próximo do teto, segundo material divulgado site JusBrasil.

Panamericano (R$ 1,896 bilhão), BMG (R$ 1,329 bilhão), Sofisa (R$ 385 milhões) e ParanáBanco (R$ 133 milhões), entre outros, também usam com mais frequência o papel, de acordo com dados dos balanços dessas instituições.

Por outro lado, BicBanco, ABC Brasil e Daycoval preferem os depósitos a prazo tradicionais e não emitiram DPGE em 2020.

DPGE foi excelente em 2008

Na crise de 2008, já considerada até menos grave do que a atual, causada pela pandemia de coronavírus, o DPGE ajudou a levar liquidez empoçada nos grandes bancos para os menores.

Agora, com a possibilidade dada pelo CMN de os grandes adquirirem os DPGES de bancos menores, a ideia é de que os reflexos na economia sejam semelhantes aos ocorridos há 12 anos.

As fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast explicaram que a compra desses papéis pelas instituições maiores “era uma demanda antiga e que já se viu necessária na crise anterior pela qual os bancos de médio porte passaram”.

“Temos acompanhado bem de perto os bancos e, de modo geral, todos têm feito campanhas intensas de cobrança com desconto de pagamento antecipado, para trazer caixa o quanto antes e acessar os recursos dos devedores o quanto antes”, observou a analista de bancos da XP, Camilla Dolle.

Mirian Abe, também analista de bancos da XP, acrescentou que as captações mais caras para os bancos considerados médios são uma espécie de seguro.

“No patamar para o qual caiu a Selic, o aumento visto no custo total é pequeno”, afirmou. “O incremento é marginal perto da segurança que esse caixa proporciona para esses bancos que estão preocupados no momento em ter recursos para fazer frente a desafios ainda desconhecidos como a inadimplência”.

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