Penny Stocks: o que são, como identificar e quando são oportunidades

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: EQI

Nem só de ações em crescimento e com valorização constante vive a Bolsa de Valores. Você já ouviu falar das penny stocks? Esses ativos são aqueles negociados a baixos valores – muitas vezes a centavos.

O termo ganhou notoriedade com o filme O Lobo de Wall Street (2014, Martin Scorsese), quando o personagem interpretado por Leonardo DiCaprio (inspirado no investidor Jordan Belfort) faturou milhões por meio de negociações de penny stocks.

Mas por que esses ativos atingem valores tão baixos? Podem ser boas oportunidade para investir? Quando exatamente uma ação é considerada uma penny stock?

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Vamos decifrar esse conceito do mercado financeiro?

O que são penny stocks?

Na tradução literal do inglês as penny stocks são “ações de centavos”. Nos Estados Unidos e na Inglaterra um penny é uma moedinha de um centavo. Assim, o termo foi trazido para o mercado financeiro brasileiro para se referir às ações negociadas em centavos de real.

Cada país tem um valor referência próximo para definir este tipo de ação. Por aqui um ativo é considerado penny stock quando o valor é inferior a R$ 1. Mas, nos Estados Unidos, o valor de referência é estar abaixo de US$ 5 (antes, era US$ 1). Já no Reino Unido, o termo é levado ao pé da letra e é usado para definir aquelas ações que realmente valem centavos de libra esterlina.

Porém, para ser caracterizada como penny stock a ação deve ter outros elementos além do preço. É preciso também que a capitalização do mercado, ou seja, o valor de todas as ações somadas, esteja abaixo de um determinado valor. O tempo também pode ser um fator determinante para definir uma penny stock.

Assim, no Brasil, por exemplo, quando uma ação começa a ser negociada abaixo de R$ 1 por 30 pregões consecutivos, a Bolsa de Valores notifica aquela empresa para que medidas possam ser tomadas para tentar reverter a situação. Quando a empresa é negociada por um ano abaixo de R$ 1, passa a ser considerada uma penny stock.

Mas é importante analisar o momento que a empresa vive. Em algumas situações, quando a empresa já pediu falência, está em processo de fechar as portas ou passou por problemas de gestão e/ou corrupção, suas ações podem “virar pó”, e serem negociadas a centavos. Em outros momentos, isso ocorre por períodos de crise e instabilidade.

Vale à pena comprar?

Como as penny stocks possuem valores muito baixos, o papel fica extremamente suscetível a mudanças de preços. Assim, por serem ativos de alta volatilidade, acabam atraindo investidores com maior tolerância ao risco.

Diferente de outras empresas, as companhias que são cotadas a centavos podem ter uma grande valorização no mesmo dia. Investidores que fazem Day Trade, por exemplo, costumam ficar de olho nas penny stocks para tentar lucrar no mesmo dia.

Por meio de análises do mercado o investidor tenta identificar os picos das penny stocks para se beneficiar com a alta do ativo. Assim, essas operações requerem um bom nível de conhecimento e de sangue frio – pode ser que você invista muito em um ativo e ele se desvalorize mais ainda.

Assim, como qualquer ativo, é preciso analisar, pesquisar e levar em conta seu perfil de investidor para decidir se vale a pena ou não comprar uma penny stock.

Por isso é importante analisar estas três principais características das penny stocks ao considerar investir em uma:

  • Baixa liquidez;
  • Alta volatilidade;
  • Possibilidade de ganhos em curtos prazos, mas também de grandes perdas.

Como deixar de ser penny stock?

Para as Bolsas de Valores as penny stocks não são vistas com bons olhos, pois não é vantajoso ter empresas desvalorizadas e que podem virar pó.

Se por 30 pregões seguidos uma empresa fechar suas ações abaixo de R$ 1, a B3 faz uma notificação àquela empresa. Desde 2015, uma normativa estabelece prazos para que as empresas nesta situação apresentem um plano de reversão.

A empresa tem 15 dias para apresentar o plano e informar ao mercado as medidas que serão tomadas, com detalhamento de ações e de prazos. Caso o plano não seja apresentado, a empresa poderá levar uma multa da B3.

O objetivo é claro: fazer com que as ações sejam negociadas acima do patamar de R$ 1. O plano deve prever que esse valor fique assim por seis meses ou até a data da primeira Assembleia Geral após a data do envio da notificação caso seja primeiro a ocorrer. Mas, se a empresa for incapaz de superar o valor de R$ 1, a negociação do papel pode ser suspensa pela B3, com possibilidade de exclusão do registro.

O que a empresa pode fazer então para reverter o cenário de penny stock?

O plano de ação pode consistir em um programa de recompra de ações, buscar um comprador ou então fazer um grupamento de ações (inplit). Assim, o investidor teria seu número de cotas reduzido, mas sem alterar o valor investido, e a volatilidade (espera-se) baixe.

Exemplos de penny stocks

A Bolsa de Valores endureceu as regras para penny stocks após os papéis da OGX (hoje Dommo, DMM03), a então petroleira do empresário Eike Batista, terem gerado muita volatilidade no mercado. Os ativos chegaram a variar 2.000% em apenas três pregões.

Em meio à euforia com a empresa (que queria superar a Petrobras), a OGX chegou a  fazer o maior IPO (Oferta Pública Inicial) da Bolsa de Valores em 2010. Mas havia um detalhe: a petroleira ainda não havia extraído uma gota de petróleo. Com baixo desempenho, a empresa acumulou resultados negativos e, após bater R$ 23 por ação, os papéis chegaram a centavos.

A história resumida da OGX é ainda recente e exemplifica como uma empresa chega ao patamar de uma penny stock.

Anos depois, a “febre do momento” são as ações da Oi (OIBR3). O ativo, que já chegou a ser negociado a R$ 127, atingiu a casa dos centavos em 2016, teve uma leve recuperação em 2017 (chegou ao máximo de R$ 5,91), e desde 2018 tem ficado abaixo de R$ 3, tendo sido negociada abaixo de R$ 1 no primeiro semestre de 2020.

Com prejuízo de R$ 9 bilhões em 2019, dívida bruta de R$ 26,1 bilhões (até junho de 2020) e acumulando uma série de polêmicas na gestão, a Oi está em recuperação judicial desde 2016 e tenta se desfazer de ativos para redirecionar o crescimento da empresa.

Outras penny stocks são a Dommo Energia (ex-OGX), Livraria Saraiva (SLED4), Tecnosolo Engenharia (TCNO4) e Triunfo Participações (TPIS3).

 

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