Pelosi vê chance de acordo sobre pacote de estímulo à economia

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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Crédito: AFP

A presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse nesta quarta-feira (21) que ainda há a perspectiva de um acordo sobre mais auxílio em resposta à Covid-19, apesar da resistência dos republicanos do Senado.

Além disso, acrescentou estar otimista de que um consenso será alcançado, embora não esteja claro se o projeto será aprovado antes da eleição.

As informações são da Agência Reuters.

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As cifras sugeridas pelos democratas sugerem um pacote de US$ 2,2 trilhões. Os republicanos falam em US$ 1,9 tri — montante que, segundo sites de notícias nos EUA, teria apoio da Casa Branca.

De acordo com Pelosi, houve retomada das negociações com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, às 15h30 (horário de Brasília).

Ela afirmou à MSNBC querer que o projeto fosse aprovado antes das eleições de 3 de novembro.

Entretanto, sugeriu que o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, pode estar disposto a implementá-lo depois. Caso isso ocorresse, informou Pelosi, iria incluir no projeto ajuda retroativa.

“Estou otimista”, disse Pelosi. “Queremos isso antes, mas, novamente, quero que as pessoas saibam, a ajuda está a caminho”.

Resistência no Senado

Por outro lado, o presidente Trump tem encontrado resistência entre republicanos no Senado para criar uma proposta de alívio abrangente.

Pelosi e Mnuchin estão acertando detalhes do pacote de alívio, podendo ficar na casa dos 2,2 trilhões de dólares. Esse montante está sendo pressionado por meses pelos democratas.

Os conservadores no Senado, de maioria republicana, se opõem ao custo de mais de 1 trilhão de dólares em discussão. McConnell não quer apresentar ao Senado um grande projeto de alívio a Covid-19 antes das eleições, disse um assessor republicano.

Tenta, ainda, confirmar a nomeação da indicada de Trump para a Suprema Corte, Amy Coney Barrett.

Em abril, o congresso americano aprovou o pacote mais recente, com 3 trilhões de dólares. Desde o início da pandemia, morreram mais de 221 mil norte-americanos.

Conforme a Casa Branca, um acordo bipartidário entre Pelosi e Mnuchin receberia o número de votos necessário para a aprovação. Os republicanos detém uma maioria de 53 a 47 no Senado.

“Acredito que haveria votos suficientes para garantir que isso cruze a linha de chegada e chegue à mesa do presidente. Mais uma vez, o foco nos republicanos do Senado agora, se os votos estariam lá ou não, está errado”, disse o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, em coletiva.

Contudo, não havia sinais de que esses parlamentares concordariam com algo próximo da marca de 2 trilhões de dólares.

Partido em risco

Os republicanos do Senado estão preocupados com o impacto do valor do montante no déficit federal. Dessa forma, propuseram uma quantia menor e direcionada para a economia afetada pelo coronavírus.

As pesquisas de opinião apontam que eleitores culpam Trump por sua forma de lidar com a pandemia. Por consequência, os republicanos também correm o risco de perder a maioria no Senado. Isso fez com que alguns membros se voltassem para as tradicionais preocupações republicanas sobre a disciplina fiscal.

Além disso, está programada para esta quarta-feira uma votação no Senado de um plano republicano de ajuda de 500 bilhões de dólares que os democratas já rejeitaram. Entretanto, a expectativa é que de novo o texto seja barrado.

McConnell também está se empenhando para que a indicada à Suprema Corte, Barrett, seja confirmada pelo Senado na próxima semana. Acredita-se que a ação ajudaria os membros da campanha de Trump. 

O jornal americano Washington Post noticiou que McConnell disse aos republicanos que um acordo sobre um pacote agora poderia ameaçar esse plano.

Enquanto isso, a renovação dos pagamentos diretos às famílias e a expansão do seguro-desemprego estavam entre as disposições sendo discutidas entre Pelosi e Mnuchin.