Inflação nos EUA: PCE avança 0,6% em outubro, em linha com projeção

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução / Pixaby

Nesta quarta-feira (24) foi divulgado, pelo Bureau of Economic Analysis, o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA, cujo núcleo é o indicador de inflação usado pelo banco central americano (Federal Reserve, Fed).

O PCE subiu 0,6% em outubro, em linha com a expectativa do mercado e acima do 0,4% da leitura anterior.  Na comparação anual, a alta é de 5%.

O núcleo do PCE, que exclui combustíveis e alimentos, subiu 0,4%, também em linha com a projeção. Na comparação ano a ano, a alta é de 4,1%. A renda pessoal subiu 0,5%.  E os gastos pessoais, 1,3%.

Renda pessoal volta a subir

 

PCE

Reprodução/BEA

A alta anual de 5% é a maior para o indicador desde 1990.

O BTG Pactual Digital (BPAC11) avalia que a aceleração dos gastos pessoais sugere a continuidade da maior pressão pelo lado da demanda. Porém, diferentemente das leituras anteriores, houve menor rotação de bens para serviços, com o consumo atual concentrado principalmente em bens duráveis. Além disso, vale destacar que a alta da renda pessoal, apesar dos maiores gastos com a reabertura, decorre do significativo aumento das remunerações.

“A trajetória de inflação ao consumidor deve seguir alta ao longo de todo 2022. Além da continuidade da pressão de custos de salários e do mercado imobiliário, chama atenção também uma possível pressão no segmento de alimentação. A inflação implícita segue bastante pressionada nas curvas de juros, sustentando a elevação do patamar”, avalia o banco.

O resultado do PCE de hoje corrobora com a postura mais hawkish do Fed e levanta expectativa de uma aceleração na redução das compras de ativo (tapering). “Estas sinalizações têm promovido abertura da curva de juros americana, elevando os treasuries aos níveis observados no início do ano, já contratando a primeira alta de juros para o final do primeiro semestre de 2022. Entendemos que essa é uma temática do mercado que veio para ficar”.