EUA perdem 20 milhões de vagas e desemprego sobe para 14,7% em abril

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

Uma década de crescimento do emprego nos Estados Unidos aniquilada em um mês. Assim pode ser resumido o resultado do payroll divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Bureau of Labor Statistics.

De acordo com a folha de pagamentos dos EUA, que contabiliza os empregos não-agrícolas no país, foram 20,5 milhões de vagas a menos em abril.

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Taxa de desemprego é a maior já registrada

A taxa de desemprego subiu para 14,7%. Isto representa um aumento de 10,3 pontos porcentuais em relação a março.

Esta é a taxa de desemprego mais alta da série histórica – a pesquisa é feita desde 1948. Ainda assim, ela ficou abaixo do que aguardava o mercado, que projetava uma taxa mais pessimista, de 16%.

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O total de desempregados chegou a 23,1 milhões. Em termos comparativos, foram gerados 22,442 milhões postos de trabalho desde novembro de 2009. Época em que o país começou a se recuperar da crise do subprime (chamada de Grande Recessão).

Para o presidente do Federal Reserve de Minneapolis, Neel Kashkari, o total de desempregados pode ser uma subconta. Conforme afirmou em entrevista à Bloomberg, ele acredita que muitos que perderam seus empregos não puderam buscar ativamente um novo posto de trabalho devido à quarentena.

A taxa de desemprego real, que inclui trabalhadores que não procuram emprego e subempregados, subiu para 22,8%. Esta pode ser uma imagem mais precisa da situação atual.

Coronavírus: 14,3 milhões perderam emprego há menos de cinco semanas

Os dados divulgados hoje confirmam o impacto da crise do coronavírus no mercado de trabalho norte-americano.

O número de desempregados há menos de cinco semanas subiu de 10,7 milhões para 14,3 milhões. Os EUA enfrentam desde março as consequências da pandemia e das medidas de isolamento social adotadas para controlar a proliferação do vírus, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O número de pessoas desempregadas há mais de cinco semanas e há no máximo 14 semanas aumentou de 5,2 para 7 milhões.

Pedidos de seguro-desemprego

Os números do payroll, apesar de altos, ficaram abaixo dos novos pedidos de seguro-desemprego registrados pelo Departamento de Trabalho dos EUA.

Na quinta (7), o governo revelou que novos 3,169 milhões de pedidos de seguro-desemprego foram feitos no país na semana finalizada em 2 de maio.

Com isso, o acumulado desde o início das medidas restritivas para conter o coronavírus, que contabiliza sete semanas, é de 33,483 milhões de desempregados.

Payroll confirma relatório ADP/Moody’s

Na quarta (6), o Relatório Nacional de Emprego feito pela ADP e pela Moody’s Analytics, que é considerado uma prévia do payroll, já havia anunciado que o setor privado dos Estados Unidos perdeu 20,236 milhões de vagas de março para abril.

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A diferença entre o relatório da ADP e o payroll é que o primeiro contabiliza vagas no setor privado não-agrícola. Já o segundo também inclui na contagem os funcionários públicos.

“O resultado é sem precedentes. O número total de perdas apenas no mês de abril foi mais do que o dobro do total de empregos perdidos durante a Grande Recessão”, afirmou Ahu Yildirmaz, diretor da ADP.