Paulo Guedes: “Existe muita confiança do presidente em mim”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes, está no meio de uma onda de especulações sobre se fica o sai do cargo. Nesta segunda-feira (17), porém, afirmou que a confiança entre ele e o presidente Jair Bolsonaro é recíproca.

“Existe muita confiança do presidente em mim. E existe muita confiança minha no presidente”, disse ele à imprensa.

Ele tem sido constantemente questionado sobre a permanência ou não às frente do ministério.

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“Eu não tive, ainda, nenhum ato que me indicasse, que me sugerisse, que eu não devesse confiar no presidente, e eu acho, da mesma forma, (que) eu não faltei em nenhum momento a confiança que ele depositou em mim”, acrescentou.

Paulo Guedes: “Pouco à vontade”

Os repórteres perguntaram se ele se sentia à vontade no cargo.

“À vontade, neste cargo, eu acho difícil você encontrar alguém que vá estar sempre à vontade. É um cargo difícil”, afirmou.

O ministro alegou que, “em momentos decisivos”, Bolsonaro sempre o apoiou.

Ele afirmou ter passado por “dois ou três” momentos de dificuldade.

Fura-teto

Sua saída vem sendo discutida pelo mercado por dois motivos.

Primeiro, é a força que ministros do governo, capitaneado pelo Chefe da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, fazem para furar o teto de gastos.

Além dele, o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (PSDB-RN); e da Infraestrutura, Tarcísio Freitas (sem partido), estão nessa onda.

São os chamados “ministros fura-teto”.

A lógica dessa ala chamada de “desenvolvimentista” do governo é que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve investir em obras já pensando em 2022.

Bolsonaro teria curtido a ideia e passou a viajar pelo país para inaugurar obras não acabadas de outros governos.

Na sexta-feira (14), à Rádio Jovem Pan, Marinho se defendeu: “sou a mesma pessoa que votou o teto de gastos. Eu sou aquela pessoa que sempre teve responsabilidade fiscal, mas estamos vivendo em um momento de excepcionalidade. O teto já foi ultrapassado em mais de R$ 600 bilhões em função de uma calamidade que estamos atravessando”.

Para Guedes, Bolsonaro corre sérios riscos se continuar acreditando no discurso de que será reeleito assim.

Para o ministro da Economia, ele poderá repetir o destino de Dilma Rousseff, que foi tirada do poder por supostamente desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Mercado reage

Alem disso, Guedes tem enfrentado uma debandada de profissionais de seu ministério.

Hoje, mais um saiu: Vladimir Kuhl Teles, subsecretário de Política Macroeconômica do Ministério da Economia.

Antes, já haviam saído os secretários de Desestatização, Salim Mattar, e da Desburocratização, Paulo Uebel.

Paulo Guedes teve que falar aos jornalistas para acalmar o tal mercado, que reagiu, elevando o dólar e trazendo o Ibovespa de novo abaixo dos 100 mil pontos.

Esse é o menor patamar da bolsa desde 13 de julho.

Saída pela tangente

Guedes disser que uma maneira de conseguir mais investimentos públicos será aprovar iniciativas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Pacto Federativo, que promove a desvinculação e a desobrigação de gastos.

“Por outro lado”, segundo a Reuters, “ele reconheceu que o governo está estudando remanejamento de despesas a partir de verbas de cerca de 15 bilhões de reais que foram repassados a Estados e municípios, no contexto do enfrentamento à pandemia de Covid-19, e que não foram usadas”.

Sobre o tema, ele disse ter sido surpreendido pela avaliação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que o uso de R$ 5 bilhões provenientes dessa sobra não poderia ser feito.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), concorda.

“Vai haver um remanejamento de recursos, o que está acontecendo agora é justamente remanejamento de recursos, estamos vendo o que pode ser remanejado dentro do Orçamento”, complementou Guedes, sem especificar o montante em questão.

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Resposta de Bolsonaro

A “saída de Guedes nunca foi cogitada”, disse Bolsonaro em entrevista exclusiva à CNN.

“Paulo Guedes é aliado de primeira hora. Entramos juntos no governo e vamos sair juntos”, disse o presidente.

Os dois se reuniram hoje.

Segundo o presidente, ele e o ministro estão alinhados na decisão de que há “possibilidade zero de furar o teto de gastos”.

“Vamos procurar recursos, há várias alternativas. Privatização, remanejamento de recursos de fundos”, afirmou.

Bolsonaro tenta assim agradar investidores, ao mesmo tempo em que acena à ala “desenvolvimentista” de que pode haver dinheiro.

“Subiu a popularidade do presidente. Quer dizer, ele está firme. Ele sente que ele está firme e que ele pode seguir na agenda dele”, concluiu Guedes.