Patrimar: construtora mineira conta com IPO para avançar na alta renda

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Os donos da construtora mineira Patrimar Engenharia pretendem realizar ainda este ano um antigo sonho: listar as ações da companhia na bolsa de valores brasileira. Esse plano começou a ser traçado em 2006, mas só no dia 6 de agosto  o pedido foi enfim protocolado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A empresa é mais uma construtora na fila para fazer IPO (Oferta Inicial Pública) este ano.  Já escrevemos sobre essa onda de incorporadoras na bolsa e você pode ler mais sobre isso aqui.

A Patrimar atua nos segmentos de alto, médio e baixo padrão. Está em Minas, onde foi criada em 1963, mas também nos mercados do Rio e São Paulo.

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Conheça detalhes dessa empresa, modelo de negócio, números e os planos com o IPO.

A história da Patrimar

A empresa, fundada pelo engenheiro Murilo Martins, começou atuando nas áreas rodoferroviária e de construção de estruturas de concreto armado e se firmou no mercado pelo grande investimento em profissionais e equipamentos.

Com a consolidação na década de 1970, a empresa decidiu diversificar suas atividades. Assim, passou a realizar serviços de infraestrutura, saneamento, urbanização, construções prediais e obras industriais nas áreas privada e pública.

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Na década de 1980 foi fundada, então, a M. Martins Empreendimentos Imobiliários Ltda., empresa do ramo de construções prediais, residenciais e comerciais. Essa foi a primeira denominação da Patrimar, marca atual que existe desde 1995.

Em 2000, a Patrimar criou a Novolar, para atender a classe média. Em 2019, houve uma reestruturação societária, por meio da qual a Novolar passou a ser uma subsidiária integral da Patrimar.

Em 2015, a família Martins Veiga concluiu a aquisição da integralidade do capital social da companhia, dando início a um longo ciclo de investimentos na profissionalização da gestão da empresa.

Hoje a Patrimar atua na área de incorporação, construção e comercialização de empreendimentos imobiliários em Belo Horizonte e Campinas com foco em alto padrão.

A companhia atua de forma diversificada nos segmentos comercial e residencial (atividade principal), com presença nos segmentos de alta renda (produtos de luxo e alto luxo) por meio da Patrimar. Mas também nos segmentos econômico e média renda por meio da  Novolar.

A empresa é hoje gerida pelas segundas e terceiras gerações da família Martins Veiga. O diretor presidente da empresa é o engenheiro Alexandre Araujo Elias Veiga, genro do fundador, Murilo Martins. Ele começou na empresa como estagiário e tornou-se diretor e sócio em 1986.

Números da empresa

A empresa teve lucro líquido de R$ 32,1 milhões no primeiro semestre de 2020. Ou seja, houve um aumento de 714% em relação ao mesmo período de 2019, quando registrou lucro de R$ 3,9 milhões.

O Ebtida da Patrimar alcançou R$ 39,1 milhões nos seis primeiros meses de 2020, ante R$ 7,1 milhões no primeiro semestre de 2019. No período, a receita operacional líquida foi de R$ 155,23 milhões contra R$ 75,41 milhões no mesmo período de 2019.

Já o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) foi de 9,9% no primeiro semestre deste ano, contra 1,9% no mesmo período de 2019.

A companhia encerrou junho com uma dívida líquida de R$ 45,1 milhões. Porém, no fim de 2019, a dívida líquida era de R$ 18,3 milhões.

Em 2020, a empresa adquiriu quatro terrenos, com potencial de construção de 4.923 unidades e VGV potencial de R$2,3 bilhões.  

Confira outros números:

  • 587 empreendimentos entregues;
  • 5,7 milhões de m² construídos;
  • 42.000 apartamentos entregues e em andamento;
  • 7.000 empregados diretos.

Sobre o IPO da Patrimar

A oferta consistirá na distribuição primária de novas ações e na distribuição secundária de ações de titularidade dos acionistas vendedores. Mas detalhes como preços e datas ainda não foram divulgados.

Os acionistas vendedores na tranche secundária são Alexandre Veiga, Heloísa Martins Veiga, Renata Martins Veiga e Patrícia Martins Veiga.

Banco BTG Pactual, Itaú BBA, XP Investimentos e Caixa Econômica Federal vão coordenar a oferta.

Projetos futuros

Os recursos líquidos provenientes da oferta primária serão destinados para

  • A aquisição de terrenos e o consequente desenvolvimento e lançamento de novos empreendimentos imobiliários;
  • Capital de giro;
  • Despesas administrativas;

Os recursos líquidos provenientes da oferta secundária serão integralmente repassados aos acionistas vendedores.

A Patrimar tem como objetivo fortalecer sua presença no segmento residencial de média e alta rendas (produtos de luxo e alto luxo) na região metropolitana de Belo Horizonte, aumentando o seu market share neste mercado. Mas a empresa também quer iniciar sua atuação no mercado de alta renda na cidade do Rio de Janeiro.

A empresa entende que, durante a recessão econômica de 2014 a 2016, alguns dos tradicionais participantes do mercado de incorporação e construção de Belo Horizonte decidiram reduzir ou mesmo hibernar as suas respectivas operações. Assim, a Patrimar acredita ter havido um hiato em relação à capacidade produtiva e a demanda reprimida neste mercado para os segmentos de alta renda e alto luxo.

Isso permitiria avançar com maior velocidade frente às oportunidades em novas aquisições de terrenos. Bem como no desenvolvimento imobiliário de seu atual banco de terrenos, com um potencial de lançamentos na região metropolitana de Belo Horizonte de R$ 4,2 bilhões entre 2020 e 2025, sendo 79,1% deste volume para o segmento de alta renda e alto luxo.

Em relação ao segmento residencial de alta renda na cidade do Rio de Janeiro, a companhia entende que há uma lacuna criada pela redução das atividades dos players de desenvolvimento imobiliário neste mercado, após o período de recessão.

Por fim, a companhia pretende ainda ampliar a sua presença no estado de São Paulo. Incluindo a região metropolitana da capital para atuar nos segmentos residenciais de média renda e econômico.