China: Xi Jinping deve permanecer como presidente pelo menos até 2027

Victor Meira
Com formação em Ciências Sociais e Jornalismo, experiência em redação nas editorias de esportes, empregos, concursos, economia e política.
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Crédito: Reprodução/Wikipedia

Os dirigentes do Partido Comunista Chinês (PCC) aprovaram uma resolução que consolida o poder do presidente Xi Jinping e abre brecha para que ele siga no poder por tempo indeterminado.

Xi Jinping, de 68 anos, deveria deixar o poder no próximo ano. No entanto, a resolução assegura sua permanência como líder do Comitê Central para além do 20º Congresso do Partido Comunista, em novembro de 2022.

A expectativa é que, durante o congresso do ano que vem,  Xi Jinping seja confirmado para um terceiro mandato como presidente, o que lhe daria poder até 2027.

Pelo documento dos dirigentes divulgado nesta sexta-feira (11), Xi Jinping foi alçado ao mesmo patamar de líderes históricos da política chinesa, como Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping, o fundador da República Popular da China e o líder das reformas econômicas no final dos anos de 1970, respectivamente. 

“Enfatizou-se que o Partido deve apoiar o marxismo-leninismo, o pensamento de Mao Tsé-tung, a teoria de Deng Xiaoping (…) e implementar completamente o pensamento de Xi Jinping sobre o socialismo com características chinesas para uma nova era”, destaca a resolução. 

“O Comitê Central conclama o Partido, os militares e o povo chinês a se unirem mais estreitamente em seu entorno, com o camarada Xi Jinping em seu núcleo”, complementa.

Jeff Wasserstrom, historiador da Universidade da Califórnia e editor do The Oxford History of Modern China, afirmou, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, que o partido comunista chinês busca aumentar o tamanho de Xi Jinping nos últimos anos e colocá-lo em uma posição mais alta que os seus antecessores, Jiang Zemin e Hu Jintao. 

“A ideia é que ele seja visto como um dos três chefes mais exaltados do partido, ao lado de Mao e de Deng. Em muitas formas, Xi é apresentado como se implementasse as políticas de Deng e as levasse a novas direções. Podemos encontrar em Xi ecos do culto à personalidade de Mao”, disse.

O historiador ainda informa que há muito mais cartazes com o rosto do atual presidente chinês nas ruas do que os de Deng na década de 1980. “As livrarias chinesas também estão repletas de obras de Xi e de textos hagiográficos sobre sua vida e seu pensamento”, comentou.

Apesar do apoio do PCC, Wasserstrom ressalta que é inútil especular sobre o tempo que Xi continuará no poder. De acordo com o professor e jornalista, além da política chinesa ser coberta de segredos, as transformações no mundo influenciam os rumos de Pequim.