Para especialista, Open Banking brasileiro é “brilhante”

Regiane Medeiros
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Pixabay

O sistema financeiro brasileiro está prestes a passar por uma grande revolução. Isso porque boa parte dos esforços do Banco Central (Bacen) para 2020 estão direcionados a modernizar e impulsionar a competição no mercado financeiro através do open banking.

Na prática, funcionaria nos moldes de um sistema de compartilhamento de informações financeiras dos clientes, desde que devidamente autorizado.

Dentro desse contexto, o Bacen vem realizando uma série de estudos a fim de implantar o melhor sistema. Inclusive, até a próxima sexta-feira (31) estará aberta consulta pública que dispõe sobre a implementação do Sistema Financeiro Aberto.

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Conforme divulgado pelo Bacen, o sistema será implementado em quatro etapas. Com início no segundo semestre de 2020 e finalização somente em 2021.

Então, passado o período de implantação, os dados de milhões de clientes não estariam mais sob a posse privativa dos bancos.

Nesse sentido, um novo ecossistema tende a ser criado, com ferramentas que permitirão ao cliente gerenciar melhor suas finanças. Dessa forma, o que o Open Banking propõe é uma mudança de paradigma onde cada cliente poderá ter um tratamento diferenciado, conforme seu perfil.

Além disso, amparado pela Lei Geral de Proteção de Dados, o open banking permitirá que outras empresas, devidamente autorizadas pelo Bacen, acessem os dados de consumidores que assim o permitirem.

Em outros países o tema já é uma realidade. O Reino Unido, por exemplo, foi o primeiro a utilizar uma API (Interface de Programação de Aplicação, na sigla em inglês, ou um conjunto de códigos preestabelecidos que fornecem informações utilizadas por terceiros) para definir um padrão único sobre como ocorreria a troca de dados entre bancos, fintechs e consumidores. 

“O Reino Unido atingiu em 2019 um milhão de clientes usando a API”, diz o presidente da Associação Britânica de Dados Financeiros (FDATA) e um dos responsáveis por ajudar a implementar o open banking no país, Gavin Littlejohn. “Não é um grande número, mas tem crescido de 30% a 40% todo mês e isso é gigantesco.” 

Segundo os formuladores desse sistema no Reino Unido, a Open Banking Implementation Entity (OBIE), contribuiu imensamente para que a nova tecnologia apresentasse um resultado superior e saísse na frente de outros países da Europa. 

Por aqui, Littlejohn acredita que o Brasil tem uma proposta “brilhante” para a regulamentação do Sistema Financeiro Aberto. “E eu não quero dizer muito boa, e sim brilhante”, enfatiza Littlejohn.

Ele destaca pontos positivos como a reciprocidade com que as instituições cadastradas deverão ceder e usar os dados. a obrigação de as empresas produzirem as próprias APIs e a atuação regulatória observada até agora. Como resultado, o Brasil tende a se tornar destino de novos investidores e de capital estrangeiros. 

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.