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Panorama das finanças do País e como elas impactam o tesouro direto

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Caro brasileiro, cara brasileira, já faz alguns meses que o noticiário econômico é benevolente. Inflação caiu, taxa de juros caiu, Brasil voltando a crescer…

Uma das formas mais eficientes de identificarmos o nosso perfil de investidor, é realizando um teste de perfil.

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Na post de hoje, a minha ideia é atualizá-los quanto aos dados brasileiros mais recentes, demonstrando em que ponto do ciclo econômico estamos, e determinando se há espaço para bons ganhos no Tesouro Direto ou se há o que temer.

Bom, comecemos com o básico: inflação!

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Observe, caro leitor, que a inflação vem caindo, e está em patamares realmente baixos para os padrões brasileiros. Lembre-se que a meta de inflação determinada pelo Banco Central é de 4,5% ao ano; e que estamos bem abaixo disso, abaixo dos 3% ao ano.

Agora, vamos ver a taxa de juros:

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Exatamente 1 ano atrás, a taxa Selic estava acima de 12% aa. Hoje está em 6,5% aa. Queda de quase 50% em um ano.

Será que o Brasil voltou a crescer?

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Sim, tecnicamente já saímos da recessão. Os últimos 4 trimestres foram positivos na comparação anual. No último trimestre de 2017 a economia cresceu 2,1%, se comparado aos 12 meses anteriores.

Observe os dados de formação bruta de capital fixo, que nada mais é do que o investimento em maquinário na economia:

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Esse é um dado legal; quando há aumentos da formação bruta de capital fixo, quer dizer que estamos tendo aumentos de produtividade, o que significa aumento de renda (todo mundo se beneficia dos aumentos de produtividade, a longo prazo). Porém, as máquinas vão estragando e precisam ser repostas; então, a simples reposição das máquinas não é suficiente para que haja melhoras na produtividade; é necessário repor as máquinas e aumentar o seu número.

Inflação em ordem e juros baixos, o empresário começa a investir novamente.

E, o desemprego, vem caindo?

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Começou uma reação, no ano de 2017, quanto atingiu sua pior marca, beirando os 14% de desempregados.

Esses indicadores mostram que a economia vem se recuperando, e que os principais indicadores demonstram otimismo, certo? Vamos ver.

O que me preocupa é a continuidade do ciclo positivo. Será que se mantém?

Veja, incialmente, o gráfico orçamentário do governo:

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É um déficit atrás do outro, e com intensificação nos anos recentes.

Analise o gráfico abaixo, que relaciona a dívida pública em função do PIB:

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Veja como a trajetória de crescimento é exponencial. Estamos no patamar mais alto da história, estando a dívida pública em 74% do PIB. Como o Brasil gasta mais do que arrecada, ano a ano, o endividamento só cresce.

Então, bem no fim, temos o seguinte:

  • O Brasil melhorou muito nos últimos 2 anos. Vimos a inflação cair, os juros cair, o investimento aumentar, o PIB aumentar e o desemprego cair.
  • Porém, o gasto público, não caiu. O endividamento não caiu.
  • Da onde vem a melhora? Será que ela é sustentável?

Alguns ajustes importantes ocorreram nos preços da economia, organizando vários setores. O principal preço da economia (juros) criou uma recessão, que fez com que a distorção de preços se corrigisse. Agora, com preços ajustados, a economia está melhorando. Mas, a melhora que vimos até agora veio, a meu ver, principalmente das EXPECTATIVAS.

O governo Temer, ao adotar uma agenda pró livre mercado, pró livre iniciativa, e de redução do Estado, criou uma melhora no ambiente econômico geral, por meio das expectativas. O empresário está mais confiante, o consumidor idem. As pessoas em geral estão acreditando que “agora a coisa vai”. O grande problema reside nos dois últimos gráficos. Se, o problema do déficit e do endividamento não for resolvido, a casa cai novamente.

Entenderam a importância da Reforma da Previdência e de outras reformas que reduzam o peso (gasto) do Estado?

Bom, e quais são os impactos disso tudo no Tesouro Direto?

Para quem é detentor de títulos do tesouro (prefixados e IPCA+), e não quer leva-los até o vencimento, é importantíssimo que os dados negativos sejam revertidos. O Brasil precisa gastar menos; e se endividar menos. Assim, os juros reais podem cair, fazendo com que se valorizem os títulos do tesouro que marcam a mercado.

Agora, para quem ainda não comprou, seria adequado uma “pequena-grande tempestade” pra fazer aumentar os juros, e fazer cair os preços dos títulos do tesouro.

 

Denys Wiese

Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro.
Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com

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