Pandemia faz vendas no comércio paulistano caírem 62,8% em abril

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução/Pixabay

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) divulgou nesta terça-feira (5) que as vendas do comércio na capital paulista caíram 62,8% em abril, em comparação com abril de 2019, graças à pandemia causada pelo novo coronavírus.

A cidade de São Paulo está em quarentena desde 24 de março, quando o governador João Doria (PSDB) e o prefeito da capital Bruno Covas (PSDB) decidiram implantar medidas de restrição ao comércio e circulação de pessoas em todo o estado.

Podem abrir na capital e em todos os municípios do estado apenas aqueles comércios considerados “essenciais”, como supermercados, postos de gasolina, farmácias, veterinários, unidades de saúde etc.

Comparativos

Na comparação de abril com março, que teve uma semana afetada pela quarentena, a queda foi de 51,8%, sendo que as vendas a prazo tombaram 39,9% e as à vista, 63,7%.

Em março, a queda havia sido de 53,4% em relação ao mesmo mês de 2019.

Comparando-se abril de 2019 e abril de 2020, as vendas a prazo caíram 56,5% e as à vista, 69%, com a média dando menos 62,8%.

O acumulado dos quatro primeiros meses do ano, em relação ao primeiro quadrimestre de 2019, também houve queda: menos 20,8%, sendo 22,1% negativos nas compras a prazo e 19,5% negativos nas compras à vista.

Os últimos 12 meses também não foram bons para o comércio paulistano. Levando-se em conta os 12 meses imediatamente anteriores, o as vendas encolheram 3,9%, sendo menos 5,1% a prazo e menos 2,6% à vista.

Isso mostra que a pandemia do novo coronavírus prejudicou bastante o comércio da maior cidade do país, mas o setor já vinha acumulando problemas.

Pandemia causa estragos irrecuperáveis

De acordo com o economista da ACSP, Marcel Solimeo, a perda é irrecuperável: “o que não se vende hoje é venda perdida. A de amanhã será a de amanhã”, reflete.

“Quanto mais durarem as medidas restritivas, maior será o número das empresas que não sobreviverão, aumentando ainda mais o nível de desemprego, que já está crescendo fortemente”, alerta.

Isso porque as empresas menores, que em sua grande maioria não operam de modo virtual e não estão alcançando os clientes. As grandes, mais estruturadas, ainda conseguem atender pela Internet.

A ACSP escreve em nota que, “apesar de Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e a ACSP terem pedido ao governador João Doria e ao prefeito Bruno Covas a reabertura parcial do comércio a partir de 1º de maio, com os devidos cuidados sanitários para aproveitar as vendas do Dia das Mães, a sugestão não foi acatada”.

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