ONU estima prejuízo de US$ 8,5 tri na economia global em 2 anos

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / ONU

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que a pandemia do novo coronavírus fará a produção econômica global perder US$ 8,5 trilhões nos próximos dois anos, e redução de 3,2% em 2020.

Essa é a conclusão do relatório Situação Econômica Mundial e Perspectivas das Nações Unidas (WESP), divulgado nesta quarta-feira (13).

Esse valor equivale a pouco menos que a soma do Produto Interno Bruto (PIB) de duas das maiores potências do mundo, Japão e Alemanha (valores de 2019).

“A forte contração econômica, que marca a maior queda desde a Grande Depressão na década de 1930, vem após previsões econômicas anêmicas feitas no início do ano de um avanço de 2,1%”, diz o relatório. A previsão é que as economias dos países desenvolvidos caia 5% este ano; e os países em desenvolvimento, que inclui o Brasil, 0,7%.

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Cenário sombrio

A recuperação pode demorar e depende da duração da pandemia e em quanto tempo a ciência vai encontrar uma vacina ou uma cura. A projeção é de um crescimento de 3,4% em 2021, “apenas o suficiente para compensar a perda de produção”, diz a ONU.

Prevê-se ainda que o comércio mundial se contraia quase 15% em 2020.

A ONU lembra que quase 90% da economia mundial está sob algum tipo de bloqueio total ou confinamento, “interrompendo as cadeias de suprimentos, deprimindo a demanda dos consumidores e deixando milhões de pessoas desempregadas”.

ONU prevê maior desigualdade

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O relatório prevê que cerca de 34,3 milhões de pessoas caiam abaixo da linha de extrema pobreza em 2020. Desse montante, 56% se dará em países africanos, ampliando ainda mais a desigualdade para outras parte do mundo.

“Outras 130 milhões de pessoas podem se juntar às fileiras que vivem em extrema pobreza até 2030”, diz a ONU, “causando um enorme golpe nos esforços globais para erradicar a extrema pobreza e a fome”.

A análise inclui a percepção de que os empregos menos qualificados são os mais afetados, o que também deve afetar a desigualdade não só entre países, mas dentro dos países. Quanto mais qualificado o emprego, maior a chance de ele ser preservado nesse momento de crise.

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Ajuda dos governos

“Diante de uma crise sanitária, social e econômica sem precedentes, os governos em todo o mundo implementaram grandes medidas de estímulo fiscal – equivalentes a cerca de 10% do PIB – para combater a pandemia e minimizar seus impactos nos meios de subsistência. No entanto, a profundidade e a gravidade da crise prenuncia uma recuperação lenta e dolorosa”, lembra a ONU.

Elliott Harris, economista-chefe da ONU e secretário-geral adjunto de Desenvolvimento Econômico, afirmou que “o ritmo e a força da recuperação da crise não dependem apenas da eficácia das medidas de saúde pública na redução da propagação do vírus, mas também da capacidade dos países de proteger empregos e rendas, principalmente dos membros mais vulneráveis ​​de nossas sociedades”.

Não há, entretanto, uma fórmula mágica para ser aplicada. Cada sociedade busca suas próprias saídas para estimular a economia nesse momento e tentar preservar empregos e empresas.

Investimentos produtivos

A ONU ainda alerta o risco de grandes medidas de estímulo fiscal e monetário durante a pandemia, com trilhões de dólares de nova liquidez injetada no sistema financeiro, “contribuindo para a rápida recuperação dos preços das ações e dos títulos, ao mesmo tempo em que ignoram os investimentos produtivos”.

A liquidez global per capita aumentou desde a crise financeira de 2008 e o investimento produtivo per capita estagnou.

Hamid Rashid, chefe do Setor de Monitoramento Econômico Global e principal autor do relatório, disse: “a lição que aprendemos na última crise é a de que as medidas de estímulo fiscal e monetário não necessariamente aumentam os investimentos produtivos”.

“Os governos devem incentivar as empresas que recebem sua assistência financeira a investir em capacidades produtivas. Esta é uma obrigação para proteger empregos decentes e impedir um aumento adicional da desigualdade de renda”, salientou.

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