Pandemia custou caro para a importação de insumos hospitalares brasileiros

Rebeca Torres
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Crédito: WhiteSession / Pixabay

O Brasil foi pego de surpresa com a alta nas tarifas de importação de insumos hospitalares. A dependência externa e a corrida pelos equipamentos têm custado caro para o país. É o que aponta reportagem do UOL.

Antes de zerar impostos de importação sobre estes bens, em 17 de março, o Brasil adotava uma tarifa média de 9,8% em cima da importação.

O valor é o dobro da média (4,8%) de 130 países inclusos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Os dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).

Nos EUA, a tarifa média é de 0,9%. Na União Europeia, 1,5%, sem contar as medidas tomadas após a pandemia.

A China, que representa metade das exportações mundiais de equipamentos de proteção individual (EPIs) para a saúde, como máscaras cirúrgicas, tem tarifa média de 4,5%.

Na opinião da pesquisadora Lia Valls, autora do estudo, o alto nível da tarifa média do Brasil sobre a importação de insumos hospitalares inclui a tradição nacional de ser uma economia restrita, na intenção de preservar a produção local.

Mesmo assim, o Brasil se mostra ainda bem dependente da importação. “Não foi a proteção que ajudou a indústria a crescer”, afirmou Lia.

Ministério da Economia zera tarifas de produtos hospitalares

Por conta do coronavírus, o Ministério da Economia zerou até o momento as tarifas de 313 produtos médico-hospitalares. “Há novos pleitos sendo analisados, em estreita coordenação com o Ministério da Saúde e os integrantes da Camex. É possível, portanto, que a lista venha a aumentar, a depender do resultado dessas análises”, disse o ministério.

Mesmo com a diminuição das tarifas, os custos para trazer esses produtos aumentaram muito. Isto devido à elevação repentina da demanda por todos os países, e da falta de capacidade da produção mundial.

De acordo com Cíntia Januária, diretora da área de comércio exterior da Argument, consultoria especializada em importação e exportação, as compras feitas fora do Brasil estão encontrando dificuldades com a escassez de voos e atrasos nas entregas. A demora na entrega chega a três meses.

“Mesmo as empresas com grande poder de barganha não têm conseguido êxito em suas importações rotineiras”, contou Januária. Apenas as grandes importações trazidas pelo governo federal têm enfrentado menos problemas. E, mesmo assim, com gestões diplomáticas junto a países produtores, como a China”, complementou a executiva.

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Renato Joiozo, diretor de negócios da Descarpack, fabricante nacional de luvas de procedimentos, seringas e máscaras cirúrgicas, diz que o custo da importação dos produtos e das matérias-primas ligadas ao combate do coronavírus cresceu em alguns casos até 50 vezes.

”O frete aéreo está extremamente caro, e só existe uma companhia aérea operando por rotas sem risco de confiscos de outros países”, declarou.

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