Money Week: startups inspiram empresas a buscar inovação

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Money Week

A transformação cultural imposta pela pandemia de coronavírus acelerou um processo que, possivelmente, levaria mais um bom tempo e, em alguns casos, nem aconteceria: a aproximação de grandes empresas tradicionais com as startups.

Seja por meio de aquisições, investimentos, parcerias ou apenas servindo de inspiração, o modelo de gestão realmente apoiada em tecnologia e na capacidade de fazer mais com menos recursos e menos pessoas agora é meta para toda empresa.

João Kepler Braga, investidor-anjo da Bossa Nova Investimentos e Ricardo Natale, CEO e co-fundador do Experience Club, discutiram esta questão na live “Investindo em startups: inovação para empresas tradicionais”.

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O debate fez parte da programação da Money Week desta quinta-feira (25).

“Na pandemia, as startups começaram a se consolidar como alternativa para as grandes empresas continuarem operando. Se antes já existia uma busca por inovação, a crise intensifica este sentimento”, explicou Kepler.

“As startups mostram que podem acrescentar às grandes empresas e crescer junto. Elas encurtam o caminho para quem tem ainda que traçar um caminho”, complementou.

Natale compartilha da mesma opinião: “As empresas mais tradicionais sentiram na pele que precisam se modernizar. A gente vem de um modelo de gestão de mais de um século que está sendo rompido e percebo que os CEOs já entenderam isto”.

Startups: como mudar a cultura de uma empresa?

Os debatedores também levantaram questões sobre o conflito de cultura pelo qual passam as grandes empresas que buscam se modernizar.

Eles reforçaram que a modernização não é questão de oferecer um ambiente de trabalho com “cara de escritório do Google”. Mas um trabalho intenso de rompimento de paradigmas.

Startups trazem novas vozes e novas ideias

“Na minha empresa eu me relaciono com mais de 400 outras empresas associadas e mais de 2 mil altos executivos. E vejo que tem muita gente que, diante de um problema, ainda reúne os seus diretores e as suas equipes em uma reunião para buscar a solução. Eu pergunto: por que não chamar alguém de fora? Por que não trazer vozes novas, novas cabeças, novas ideias? Vamos ligar e ouvir um especialista?”, recomendou Natale, que classificou como “vício” o hábito de sempre recorrer a soluções “caseiras” diante dos impasses.

“Ouvir alguém de fora não quer dizer que eu sou incompetente ou que a minha equipe é incompetente, não é desmérito para ninguém. Pelo contrário. Quer dizer que eu consigo olhar para fora, para a inovação”, complementou.

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Reprodução/Money Week Ricardo Natale

Inovação contagia equipe

Ao dar voz ao pensamento novo, concordaram os especialistas, a mudança de cultura contagia toda a empresa. “Fale com gente nova, que pense novo, é preciso ‘resetar’ o chip das mentes mais tradicionais da empresa. Chame um empreendedor para o conselho da sua empresa, as ideias vão surgir e os outros vão entrar em um processo de pensar diferente”, enfatizou Kepler.

Possibilidade de criar novas camadas de um mesmo negócio

Como exemplo do “ir além” nas ideias, Kepler citou uma padaria tradicional, comandada por um pai de família. O filho deste padeiro pode criar um site com um serviço inovador, de assinatura pela internet de pão doce entregue todo dia em casa.

“De repente, o negócio dá tão certo, é tanta assinatura de pão, que o forno do ‘Seu Joaquim’ não dá mais conta. Eles chamam um outro padeiro, chamam vinte padeiros. São camadas a serem exploradas a partir de um único negócio que, de repente, ficam maiores do que ele”, disse.

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Reprodução Money Week João Kepler Braga

Startups na visão do investidor

Ainda dentro da programação especial dedicada às startups, na sexta-feira (25), haverá o painel “Investindo em startups na visão do investidor”, com Kepler e Janguiê Diniz, fundador e presidente do Grupo Ser Educacional. Faça a sua inscrição gratuita na Money Week, clicando aqui.

Na quarta-feira (24), Kepler também debateu as startups na visão do empreendedor.