Palestras de Lula foram legais, afirma PF

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Facebook

A Polícia Federal no Paraná concluiu que as palestras do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizadas entre 2011  e 2015, no Brasil e no exterior, por meio da empresa Lils, aberta depois que deixou a Presidência, foram legais e aconteceram de fato.

A informação consta no mesmo relatório obtido pelo jornal Folha de S. Paulo na quinta, 26, em que a PF indicia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionadas a repasses de R$ 4 milhões feitos pela Odebrecht ao Instituto Lula.

Também foram indiciados Paulo Okamotto, presidente do Instituto, Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda, e Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empreiteira.

Conta corrente de propinas

O relatório da PF foi assinado na última segunda, 23, e faz parte de uma investigação aberta para averiguar o recebimento de valores de empreiteiras investigadas na Lava Jato pela Lils, empresa de palestras de Lula.

Lula já é réu na primeira instância de Curitiba por outro caso, também envolvendo o Instituto Lula, onde é acusado de receber propina da Odebrecht para a compra de terreno para a sede da instituição.

O novo indiciamento aguarda decisão do juiz Luiz Antônio Bonat. Depois, os autos seguem para o Ministério Público Federal, que decide se apresenta ou não denúncia.

“As evidências mostraram que os recursos (da Odebrecht)… foram abatidos de uma espécie de conta corrente informal de propinas mantida junto à construtora”, aponta o delegado Dante Pegoraro Lemos, de acordo com reportagem da Folha de S. Paulo.

O que diz a defesa

Em nota, o advogado Cristiano Martins, da defesa de Lula, disse que o indiciamento é um novo ataque ao petista por parte da Lava Jato. “Não faz nenhum sentido (o indiciamento): as doações ao Instituto Lula foram formais, de origem identificada e sem qualquer contrapartida (…) o beneficiário foi o Instituto Lula, instituição que tem por objetivo a preservação de objetos que integram o patrimônio cultural brasileiro e que não se confunde com a pessoa física do ex-presidente”, alega.