Palestinos entram em confronto com forças israelenses contra o plano de paz de Trump

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Mohamad Torokman / Reuters

Como já era previsto, o chamado “acordo do século” para o Oriente Médio, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não foi bem recebido na região, especialmente pela Palestina. A população também não digeriu bem o plano norte-americano e além das duras críticas, entrou em confronto com forças israelense.

Trump propôs uma solução de “dois Estados””, atribuindo a Israel uma série de garantias, além de reconhecer definitivamente Jerusalém como capital israelense. Ele avaliou que sua iniciativa permitiria dar “um grande passo rumo à paz”.

A proposta foi elaborada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sem consultas à Autoridade Nacional Palestina, o que fez, de antemão, os palestinos rechaçarem o acordo.

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Resposta palestina

o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud AbbasAbbas chamou o plano de “tapa do século”, uma ironia com “acordo do século”, termo usado pelo presidente americano para batizar a proposta: “Trump e Netanyahu declararam o tapa do século, não o acordo. E nós vamos responder com tapas”.

Apesar da aparente ameaça, a autoridade palestina não revelou que tipo de resposta seria essa.

Entretanto, o movimento Hamas, que comanda a Faixa de Gaza, foi o primeiro a reagir no campo palestino. Houve confrontos com soldados israelenses lá e na Cisjordânia. Pelo menos treze palestinos ficaram feridos em confrontos com as forças israelenses durante os protestos na Cisjordânia.

Na barreira divisória entre Israel e o território de Gaza, houve confrontos isolados entre manifestantes e soldados israelenses perto de postos militares.

Entendimento da ONU

Ao tomar conhecimento da proposta, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou sua adesão às resoluções que já adotou e aos acordos bilaterais sobre a criação de dois estados, Israel e Palestina: “que convivam em paz e segurança dentro das fronteiras reconhecidas, com base nas linhas definidas em 1967”.

Já a União Europeia (UE) reafirmou sua disposição de trabalhar por uma solução de dois estados e disse que a iniciativa dos americanos “oferece a oportunidade de relançar os esforços urgentemente necessários para alcançar uma solução negociada e viável para o conflito israelense-palestino”.

A Rússia pediu a israelenses e palestinos para começarem “negociações diretas”.

No Oriente Médio, as peças foram movimentadas também. Os Emirados Árabes Unidos chamaram o plano de “um importante ponto de partida”. Entretanto, o Irã, em conflito com os Estados Unidos, considerou a proposta “a traição do século”.

O primeiro-ministro palestino, Mohammed Shtayyeh, pediu às potências internacionais que boicotem o plano. Segundo ele, é um projeto “para proteger Trump do impeachment e Netanyahu da prisão”.